20 de Fevereiro de 2018

Saudades do que já não existe mais

Nesse final de semana, fomos passear com a Julia e a Valentina e eu estava comentando com Vinicius como sinto saudades do que já não existe mais. Li uma vez um texto que, se eu não me engano, era do Saramago falando exatamente sobre isso. Como era estranho voltar para o lugar que ele nasceu, pois já não reconhecia nada mais, tudo estava diferente.

E agora que tenho uma filha, essa sensação é ainda mais forte. Já não vou poder mostrar para a Julia a minha primeira escolinha, pois existe um prédio no lugar. Ela também não vai ver a portaria que eu brinquei com meus amigos de infância, pois depois de algumas reformas, tudo por lá está bem diferente.

Mas um lugar ainda existe – e se nenhum Prefeito de Niterói tiver o dedo podre para estragar isso, o Campo de São Bento sempre estará lá. Entrar nesse parque com a Julia é mágico. É como entrar em uma máquina do tempo. Os brinquedos continuam os mesmos. Não é uma loucura pensar que daqui a alguns meses eu vou levar ela no MESMO carrossel que eu andei por tantas vezes quando era criança? Vinicius também disse que brincava por lá.

Nossa filha vai poder construir memórias deliciosas no mesmo lugar que temos algumas das nossas preferidas. Foi lá que eu aprendi a andar de bicicleta, que eu fingia que a minha bike era uma moto ou um cavalo, que eu criava grandes aventuras. As mesmas árvores, o mesmo clima, as mesmas grades…

Viver isso é tão gostoso! Queria sentir isso em mais lugares. Não queria que todo o resto tivesse mudado tanto assim.

Mas tudo bem… A vida é mesmo cheia de saudades! O bom é saber que no meio da nossa cidade, temos esse lugar meio mágico, esse parque que em um tempo paralelo tem a Fernanda criança brincando e construindo sonhos, o Vinicius brincando das mais incríveis batalhas… E no presente, a nossa pequena que vai construir algumas das melhores histórias dela por lá.

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06 de Fevereiro de 2018

Coisas que você só sabe depois que vira mãe – Diário da Maternidade

Existem coisas que você só sabe depois que vira mãe. Antes disso, você pode até ouvir falar, mas pode ser que torça o nariz e tenha certeza de que com você será diferente. Bom, provavelmente não será. Quando eu estava grávida ouvi vários conselhos e palpites e me senti irada com diversos deles. Afinal, eu tinha as minhas certezas, já tinha idealizado o que eu queria para mim como mãe e para a Julia e nada me faria mudar de ideia.

São as famosas expectativas e realidades da vida, sabe?

Mas a verdade é que o buraco é muito mais embaixo. E por mais que a gente romantize a maternidade, os primeiros meses são realmente tudo – ou quase tudo – aquilo que as pessoas vivem falando para você.

Um dos conselhos que me dava arrepio sempre que ouvia enquanto estava grávida era: “aproveita para dormir agora”. Até falei sobre isso aqui no blog. Eu ficava irritadíssima. Pelo amor de Deus, né gente? Até parece que dá para acumular horas de sono para serem usadas depois que o neném nasce. Mas hoje eu entendo que o conselho é quase um desabafo: Aproveite para dormir agora, pois depois é realmente complicado e você ficará dias sem dormir.

Confesso que de certa maneira eu me preparei muito para a chegada da Julia. Acho que pesquisar, buscar conhecimento sobre a maternidade é tão importante quanto todos os outros estudos que você faz ao longo da vida sobre todas as coisas importantes para você. Mas como em tudo na vida, a teoria nem sempre é tão verdadeira quanto a prática.

Graças a Deus eu não tive o Baby Blues, mas me preparei para ele. Achei bem chato só descobrir sobre isso em um blog de Portugal, pois a maioria dos blogs que eu lia não falava muito sobre essa sensação de melancolia e tristeza que afeta uma grande quantidade de novas mamães. Ao ler sobre aquilo, resolvi perguntar para minhas amigas e descobri que a maioria viveu o Baby Blues, mas ninguém te avisa que isso pode acontecer. Não sei bem o motivo. Não sei se as blogueiras e até as suas amigas preferem não te assustar com isso ou se é um assunto tabu para quem viveu o baby blues. Mas pelo menos eu tentei entender melhor o que acontecia com a mulher e fiquei ciente de que aquilo poderia acontecer comigo.

Não sei se foi pelo parto normal ou se foi sorte mesmo, mas eu escapei dessa sensação de melancolia e tristeza. Mas do cansaço… Meu amigo, do cansaço eu não escapei nem o dedinho. Eu achava que tiraria de letra, que a minha vida não ia parar e que eu continuaria fazendo tudo como sempre fiz.

Realmente a minha vida não parou. Com 30 dias de Julia eu já estava voltando para a academia, continuo tentando manter uma certa frequência aqui no blog e também tento escrever diariamente e seguir com outras tarefas de antes da maternidade. Mas têm dias que o cansaço é avassalador. Eu só quero passar o dia de pijama, aproveitando o tempo que conseguir disponível para dormir. Nem sempre é difícil. Também têm aqueles dias que a Julinha está com a maior preguiça do mundo e dorme praticamente a noite inteira. Mas na maior parte das noites o sono é bem quebrado e algumas vezes me pego fazendo força para manter os olhos abertos enquanto estou amamentando.

E assim, muitas coisas que idealizava, romantizava e tinha certeza que faria, vão caindo por terra. Assim como também caem na minha cabeça os cuspes que joguei para o alto. Normal!! Sinceramente, acredito que isso aconteça com 99% das mães, mas nem todo mundo gosta de falar sobre as imperfeições da vida.

Outra coisa que aprendi depois de virar mãe é que a melhor coisa do mundo é ter amigas – na maioria das vezes que também sejam mães – para dividir as dúvidas, os medos, as experiências da maternidade. Mas tem que ser uma coisa real mesmo e não uma espécie de competição. O ideal é ter amigas que você possa desabafar suas angústias, seus dramas, seu pote de brigadeiro depois de um dia pra lá de estressante. Aprendi que o julgamento é a pior coisa que uma mãe pode fazer com a outra. A comparação também é terrível. O ideal é você ter por perto pessoas que te abracem e que compartilhem com você todas as dores e delícias da maternidade.

Depois que você vira mãe, aprende tanto!! Descobre que antes, até mesmo quando estava grávida, por mais que você tivesse certeza que sabia muito sobre a maternidade, você não sabia era nada! Não importa o quanto você conviveu com sua amiga que é mãe de cinco, não importa quantos livros você leu, não importa o quanto se informou. Cada bebê é único e cada mãe é única. Você só vai saber o que vai dar certo ou não depois que o seu baby nascer, mas o melhor é não se importar com os cuspes que vão cair na sua cabeça, nem com tudo que for completamente diferente do que você imaginou. Maternidade não deveria ser romantizada. É muito mais doação, cansaço, cheiro de leite e chorinho do que um mundo cor de rosa. É delicioso!! Mas é mundo real. Você fica dividida entre o olho pesando de sono e a vontade de fazer palhaçada para ver mais um sorriso. É uma loucura!

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