11 de Dezembro de 2015

Como lidar com a morte?

Quem diria que eu um dia escreveria no blog sobre como lidar com a morte? Ainda mais eu, que sempre fui uma pessoa que evitou dizer até mesmo essa palavra. Nunca tinha ido a um enterro. Sempre preferi ficar “de fora” desse sofrimento. Mas como para tudo existe uma primeira vez, infelizmente perdi um tio bem próximo e encarei essa perda sem tentar olhar para o lado e fingir que nada estava acontecendo.

No início desse ano resolvi fazer análise. Minha mãe já vinha insistindo que era uma coisa essencial na nossa vida, uma maneira da gente se conhecer melhor e encarar nossos problemas. Resisti durante muito tempo, mas quando percebi que meus medos eram maiores do que a minha vontade de fazer as coisas – nesse caso viajar de avião -, achei que realmente era a hora de entender o que acontecia na minha cabeça.

como lidar com a morte

De lá para cá senti um crescimento muito grande dentro de mim. Estou aprendendo a me conhecer melhor, descobrindo que muitos traumas eu herdei sem que fossem realmente meus e ainda estou descobrindo maneiras de me livrar de cada um deles. Mas uma conversa que tive recentemente com a minha psicanalista foi justamente sobre a morte.

Na ocasião, estávamos conversando sobre como todos os meus medos e “problemas” – avião, despedidas, afastamento – sempre são relacionados a perda. E foi nesse momento que veio esse assunto. Como eu lidava com a morte? Falei para ela que nunca tinha ido a um enterro. Ela perguntou: Nossa! Mas ninguém próximo a você morreu nesses 32 anos? Expliquei que sim, mas que sempre optei por ficar em casa. Até recentemente, quando perdi meu avô há três anos, preferi “guardar na lembrança a imagem dele ainda vivo”. Ela disse que eu precisava olhar também para a parte “ruim” da vida, que sempre existem os dois lados e que eu não poderia ficar para sempre querendo olhar apenas o positivo.

Dessa vez, resolvi seguir o conselho dela e sentir de verdade a perda de alguém querido, sem ficar buscando uma saída para distrair a tristeza. Ao invés de fugir do pensamento da morte, tentei entender o que eu sinto sobre ela. É claro que é ruim, perder alguém sempre vai fazer com que a gente sinta saudades de quem já não vai mais estar aqui. Mas acho que o sentimento é esse – totalmente de saudade.

Dependendo de cada crença, cada um encara de uma maneira. Alguns acreditam que depois da morte a pessoa segue para um outro “plano”, outros acreditam em céu e também tem aqueles que acham que é como um sono profundo que um dia será despertado. É claro que estou falando apenas de maneira superficial, mas para todos nós a morte é um encerramento de um ciclo. Ninguém fala em sofrimento ou dor depois que o coração dá a última batida. A dor é apenas de quem fica.

Até chegar ao enterro, a imagem que eu tinha era de muito sofrimento. Imaginava que as pessoas choravam muito, que era puro desespero. Mas hoje eu tirei toda essa imagem da cabeça e o que vi e senti foi acolhimento. Eram pessoas queridas que estão ou que passaram pelas nossas vidas e que tinham boas lembranças para recordar. Dividimos sorrisos, abraços, emoções. Todos tristes com a perda da pessoa física, mas ao mesmo tempo pensando em quantas coisas boas ficaram e vão permanecer para sempre.

A lição que ficou para mim nesses dias tristes é que infelizmente a morte é uma coisa que sempre vai acontecer para todo mundo. Precisamos aproveitar todos aqueles que amamos, não deixar nada por dizer ou fazer. E é sempre bom lembrar que cada novo amanhecer é um novo capítulo da nossa história que começa. Nossas atitudes, escolhas, as pessoas que passam pelas nossas vidas são todas as coisas que vão ficar quando já não estivermos mais aqui. Que as lembranças sejam sempre boas para dar esse mormacinho no coração quando o dia estiver tão triste. E que a gente aprenda a lidar com a saudade sem precisar esquecer ninguém.

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