25 de Setembro de 2015

A Xuxa não gosta de mim

É claro que o título da postagem de hoje é apenas uma brincadeira.  Estava olhando fotos antigas e lembrando de coisas engraçadas que já aconteceram na minha vida. Que atire a primeira pedra quem nunca foi uma baixinha da Xuxa. Lembro até hoje de todos os programas que fui, do cheirinho típico dos estúdios de TV, do frio na barriga quando a nave se aproximava e a porta abria. Acho que todos os dias eu sentava na frente da televisão para assistir ao “Xou da Xuxa”, me divertia com os desenhos e morria de rir com o jeito da loira. Bons tempos e não venham de mimimi! Era legal e ponto final.

xuxa

Mas se eu gostava tanto, porque coloquei esse título estranho? Bom, de todas as vezes que fui ao programa, três ocasiões foram marcantes para mim. Digamos que fui uma espécie de Cláudia “senta lá, Cláudia”. Como assim? Vou contar para vocês a primeira história. Se quiserem, depois conto as outras duas.

Quando estava com oito anos, a timidez ainda não andava de mãos dadas comigo. Muito pelo contrário, eu era bem aparecidinha. Amava chamar atenção, falar em microfone, aparecer em fotos e vídeos. O programa da Xuxa era uma oportunidade de ver a minha cara na TV. Por isso, era a primeira a me oferecer para participar das brincadeiras e também para dançar no palco com a atração principal, como vocês podem ver nesse vídeo. Para quem não conseguir me reconhecer, sou a baixinha de blusa jeans, pompom vermelho e arco branco na cabeça, ao lado esquerdo da Xuxa e do Fagner. Reparem em como eu fico olhando para a câmera e exagero nas caras e bocas, a menina que estava dançando comigo estava praticamente sendo puxada! Risos!

No mesmo dia do vídeo, aproveitei o intervalo para correr até a Xuxa e pedir uma marquinha – a apresentadora chamava alguém no final do programa para dar um beijo na bochecha –, ela disse: “no último bloco, me lembra de novo que eu te chamo para a marquinha”. Uhuuuuuuuuuuuuuu!!! Comemorei. Como eu era uma criança ansiosa, já no intervalo seguinte, voltei a pedir. “Você já me pediu, era pra você me lembrar apenas no último”. Hum… Primeira bronca da rainha. Impaciente, torci para que chegasse logo o último intervalo. Não cabia em mim a emoção de saber que todos os meus amigos da escola iriam me ver na televisão. Estava convencida, imaginando que chegaria distribuindo autógrafos no dia seguinte. Quando finalmente o último bloco chegou, avisei para a Xuxa “ei, já estou aqui na frente, tá? Não esquece de me chamar para a marquinha”. Não sei se foi uma lembrança que eu criei ou se realmente a Xuxa me deu uma leve fuzilada com o olhar. Não era para menos, já que eu fui uma verdadeira pentelha.

E o que aconteceu? O último bloco chegou e eu só pensava que ficaria famosa. Estava praticamente anestesiada, sem conseguir prestar atenção em mais nada, torcendo para que o programa chegasse logo ao fim e eu fosse chamada ao palco. Já fantasiava até que a Xuxa me acharia tão legal, que também iria me escolher para subir na nave com ela e que daquele momento em diante, a minha vida de global estaria garantida, pois os produtores achariam que eu seria perfeita para uma novela ou até mesmo para ter o meu próprio programa.

“Agora o programa está terminando” – disse a Xuxa.

“Ahhhhhhhhhhhhhh” – respondeu a platéia, enquanto eu escancarava um sorriso.

Naquele mesmo instante a Xuxa me olhou, sorri para ela, já quase caminhando até o palco antes mesmo de ser chamada.

“Hoje não vai ter marquinha, pessoal! – deu mais uma olhadinha para mim. – Beijosssssss”

Meu mundo caiu. Todo mundo corria na direção da nave enquanto a Xuxa ia passando e eu não conseguia sair daquela posição na lateral do palco. Fiquei ali sozinha, com todos os meus planos de ser famosa indo por terra. Não chegaria na escola distribuindo autógrafos e nenhum produtor me descobriria.

Prometique nunca mais voltaria ao “Xou da Xuxa”, que não assistiria mais a rainha dos baixinhos. Trauma de criança que durou apenas um dia e é claro que não cumpri a promessa.

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