06 de Setembro de 2015

Ah, se todos fossem como aquele taxista!

Outro dia eu peguei um táxi da Rua Santa Clara (Copacabana) até o a Rua da Quitanda (Centro do Rio), não falei como de costume, estava enrolada com e-mails do trabalho e apenas disse para o taxista o lugar do meu destino final. No meio do caminho – no aterro do Flamengo – ele falou “atravessa no lugar certo, moça!”. Levantei os olhos para entender o que aquela frase queria dizer e ele viu a minha confusão pelo espelho retrovisor.

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– Ao invés de atravessar no lugar certo, que fica a poucos passos de distância, a mulher resolveu atravessar correndo pela rua – explicou.

– É complicado! – lamentei.

– Acho que precisava ter uma multa e fiscalização em mais e mais lugares – disse o taxista. – É a única maneira de fazer com que as pessoas aprendam.

Desliguei o celular e passei a prestar atenção. Sempre acho que sou um ET por ter pensamentos semelhantes ao dele, quando todo mundo pensa diferente.

– Sabe uma coisa que não entendo? – perguntou quando percebeu que já tinha me prendido com o seu discurso. – Quando implantaram a multa para pessoas que jogam lixo no chão, vi inúmeras pessoas falando “é mais uma forma que o governo encontrou de roubar nosso dinheiro” e eu ficava pensando: Mas o governo só vai roubar o seu dinheiro com essa multa se você for porco. Afinal, você acha certo jogar lixo no chão?

– Concordo totalmente – meu sorriso se abriu.

– Todo mundo fala que o Brasil não tem jeito, mas acho que eles esperam que o presidente seja uma espécie de mágico. Não um ilusionista, mas um mágico de verdade, que faça com que mesmo você jogando lixo no chão, os bueiros não fiquem entupidos, mesmo você votando em jogadores de futebol, atores, palhaços para cargos públicos, coisas importantes saiam da política e mesmo que todos tenham atitudes incorretas, o Brasil seja um lugar melhor. Não dá para entender, dá?

– Não mesmo – estava quase aplaudindo aquela pessoa.

– E você percebe que estamos quase no fundo do poço quando vê pessoas inteligentes sendo tão incoerentes o tempo inteiro. Criticam ações do governo, mas querem sempre do bem e do melhor para si, mesmo que não mereçam. Adoram fazer papel de malandros e enchem a boca para dizer que abominam a corrupção. Por isso, acho que tinham que criar multas para tudo. Ultrapassou pelo acostamento? Não basta pagar dois mil reais, precisa ser obrigado a se apresentar todo sábado em uma aula de educação no trânsito e se faltar, perde a carteira. Atravessou fora do lugar certo? Multa. E assim vai.

– Pois é – realmente estava sem muitas palavras, pois ele estava falando muitas coisas que sempre pensei.

– Sabe, moça, penso desse jeito, pois meu pai me ensinou a ser assim. Mas ele não me ensinou dando lições de moral nem nada disso. Ele era exatamente como eu procuro ser todos os dias. Uma pessoa boa, preocupado em agir corretamente, mesmo não tendo condições financeiras, sempre foi honesto, trabalhador e batalhador. É triste perceber como as pessoas se surpreendem atualmente com atitudes que deveriam ser normais, mas que estão tão em falta, que elas acham que você é um herói quando age dessa ou daquela maneira. Devolver uma carteira perdida, ser gentil, educado, olhar mais para aqueles que estão precisando de uma assistência, tinha que ser o papel de todos nós, cidadãos. Não dá para criticar quem quer que seja, quando a gente não faz nada.

E assim eu cheguei ao meu destino. Com um pouco mais de esperança e torcendo para que existam outros como ele espalhados por aí.

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