05 de Setembro de 2017

Diário da Gravidez: O antes x depois (durante) inusitado

Já falei aqui sobre reeducação alimentar, sobre como perdi peso nos cinco primeiros meses da gestação – e sem dieta!  – apenas parando de comer e, principalmente beber, tantas besteiras que consumia antes de engravidar. O esperado era que depois de vinte semanas, eu começasse a não perder mais peso e passasse até a ganhar uns quilinhos novamente. Dessa vez, eles apareceriam por causa da Julinha.

O que ninguém contava era que uma apendicite apareceria no meio do meu caminho. E com tudo isso, ao invés de ganhar peso, acabei perdendo mais alguns.

Logo que voltei para casa, me olhava no espelho e não me reconhecia mais. Estava magra de um jeito que não me via há muitos anos – acho que desde que comecei a namorar Vinicius, com 16. A parte boa era que apesar da magreza, a Julinha estava até mais gordinha do que o apropriado para a quantidade de semanas que ela tem. Ou seja, mesmo eu ficando quase duas semanas sem colocar nada de comida na boca e me alimentando apenas de soro parenteral, os nutrientes que recebi no hospital alimentaram a nossa pequena.

Meu primeiro dia em casa veio com uma consulta de uma nutricionista MUITO fofa – Andreia Meireles – e eu, que já vinha antes da operação tentando aprender cada vez mais sobre alimentos e alimentação saudável, fiquei ainda mais atenta e interessada nesse assunto.

Depois de receber visita de amigas e de ouvir como eu tinha emagrecido, resolvi pegar uma foto de poucos meses antes de engravidar e tirei uma foto naquele mesmo dia. Coloquei as duas lado a lado e o resultado foi esse:

Fiquei horas olhando aquelas duas imagens. É MUITA diferença!! Apenas sete meses separam a primeira da segunda imagem. Uma gravidez e uma apendicite também fazem parte do pacote. Mas essas duas Fernandas me fizeram refletir.

Eu nunca fui muito vaidosa. Não sou daquele tipo de mulher que gosta de passar horas experimentando roupas, fazendo maquiagem ou tirando foto de look do dia na frente do espelho. Mas ser relaxada é uma coisa muito diferente de não ser vaidosa e meio que sem perceber, era assim que eu estava levando a minha vida até engravidar.

Acho um máximo quem está acima do peso e se sente bem com o seu corpo. Acho que cada um deve fazer aquilo que faz bem para si. Mas eu não era assim. Pelo contrário. Como nunca fui muito fã de comprar roupas, depois que fui ganhando mais e mais peso, passei a detestar ainda mais entrar em lojas. Afinal, era difícil achar roupas que ficassem realmente legais em mim.  Além disso, estava tão insatisfeita com o meu corpo, que toda roupa que eu vestia, perguntava para Vinicius: “está marcando muito as gordurinhas? Tá dando para esconder um pouco a minha barriga? E o meu braço?” Isso lá é coisa de quem está satisfeita com o corpo que tem?

Não é a busca pelo padrão de beleza imposto pela sociedade. É a busca por me olhar no espelho e gostar da imagem que estava vendo. Coisa que não acontecia. Também me entristecia pegar roupas no meu armário e nada ficar legal. Mas eu ia levando. Não tinha caído ainda a ficha do quanto aquela imagem estava me fazendo mal. Não só pela saúde (glicose alta e problemas na vesícula), como também para o ego (eu não me achava bonita e muitas vezes até evitava fazer algumas coisas, por não me sentir bem com a aparência que tinha adquirido).

Depois de todo o susto recente e de comparar essas fotos, decidi que quero cuidar mais de mim – ainda mais agora que vou ter uma pessoinha que vai precisar que eu esteja bem  – e por isso, a cabeça está ainda mais voltada para o meu bem estar do que para o discurso que eu adotava antes “prefiro fazer tudo o que eu quero, comer tudo o que tenho vontade e ser feliz”.

Pensando sobre tudo isso, descobri que eu contava muitas mentiras para mim. Será que eu realmente era tão mais feliz após aqueles cinco minutos que eu comia uma coxinha? Ou depois do um minuto bebendo um achocolatado? Ou depois de tomar umas cervejinhas comendo uma bela porção de batata frita? Era a comida um dos grandes motivos da minha felicidade?

Confesso que entrar em todas as minhas roupas antigas, mesmo com sete meses de gravidez, e ver tudo com um caimento diferente, é muito prazeroso. Passei a encontrar prazer também em descobrir como me alimentar melhor e perceber como não me sinto pesada depois de uma refeição. Também fiquei feliz de perceber que não preciso deixar de frequentar lanchonetes, restaurantes e bares… Em cada um desses lugares, posso fazer escolhas mais inteligentes para a minha saúde e quando der vontade de dar aquela jacada… também não tem problema algum, pois ninguém ganha cálculos na vesícula ou um aumento considerável de colesterol comendo “errado” vez ou outra. O importante é ter equilíbrio.

Mas conversando com uma amiga eu também confessei que mesmo estando com Vinicius de frente para uma vitrine cheia de salgadinhos e doces que antes seriam irresistíveis para mim, me senti mais feliz com meu suco de laranja e meu pãozinho integral com queijo minas. Pensei na sensação antiga do gostinho delicioso da coxinha, mas também daquele óleo que só saía da boca depois de escovar os dentes e achei mais agradável para o paladar aquele gostinho fresco da laranja.

Talvez tenha sido necessário um susto muito grande na minha vida para que a minha ficha caísse e a minha vontade de mudar também acontecesse com vontade e consciência total. Nesse momento não estou mais tãoooooooooooo magra quanto na foto da direita, mas nunca mais quero estar como a da esquerda. Acredito que desse momento em diante a vontade de me cuidar vai ser cada vez maior. E espero ter mais e mais saúde com todas as escolhas que eu vier a fazer daqui para frente.