21 de Agosto de 2017

Diário da Gravidez – Susto, apendicite, cirurgia e 10 dias de internação

Depois de um grande susto, uma apendicite, cirurgia e 10 dias de internação… Eu voltei!! Não foi fácil, não é tranquilo, ainda não ficou para trás. Mas a vida continua e a gente só melhora se decidimos reagir. Ficar deitada, triste, pensando em tudo o que aconteceu não vai adiantar nada. Então, nada melhor do que voltar a fazer o que eu mais amo… Escrever! E quem sabe o meu relato não possa ajudar também outras mamães que passam, passaram ou que venham a passar por isso.

Como tudo começou

No início de agosto, estava muito bem em casa quando senti uma dor na barriga. Eu não sou uma pessoa que sente muitas dores ou acostumada com doenças – até a gripe é difícil de me pegar. Comentei com Vinicius e ele disse que provavelmente era algo normal. Quando a comida ficou pronta, não estava com vontade de comer, mas acabei comendo pelo menos um pouquinho para não ficar com o estômago vazio.

Umas duas horas depois, saí correndo para o banheiro e pela primeira vez, em seis meses de gravidez, eu vomitei.

Achei melhor mandar uma mensagem para a minha obstetra para perguntar se aquilo era normal, pois eu sempre escutava as pessoas falando que o enjoo de gravidez costumava acontecer até o quinto mês. Ela disse que poderia ser normal, sim. Mas pediu que eu ficasse de olho para o caso de não melhorar ou apresentar outros sintomas.

Passei o dia inteiro sentindo dor e vomitando algumas vezes. Falei com outras amigas que tinham engravidado há pouco tempo e algumas disseram que sentiram dor de gases em alguma fase da gravidez. Torci para que fosse aquilo.

Não consegui dormir muito bem aquela noite e no dia seguinte eu tomei alguns remédios – com orientação médica – para ver se aquilo passava. Quando fomos deitar para dormir depois de mais um dia sentindo dor na barriga a cada vez que eu mudava de posição, uma dor muito, muito forte deixou a minha barriga dura e eu me desesperei, achando que era a Julinha que estava chegando bem antecipadamente.

Minha médica pediu que a gente fosse para a emergência do hospital e que lá eles avisariam para ela caso fosse necessário que ela corresse pra lá. Na emergência, a médica de plantão me examinou e disse que a minha barriga estava repleta de gases. Que provavelmente era aquilo que estava fazendo doer tanto. Me colocou para tomar medicação na veia e pediu que eu seguisse com os remédios no dia seguinte. Caso não melhorasse, que voltasse ao hospital para uma avaliação mais completa.

Não melhorei durante o dia seguinte inteiro e depois de um pouco mais de 24 horas, resolvi voltar para o hospital.

Depois de um exame de sangue que acusou infecção, a minha internação já foi solicitada, para o meu desespero – que nunca havia ficado internada em um hospital e que sempre fugi de médicos. Daquele momento em diante, foram um milhão de outros exames – mais um de sangue, urina, ultrassonografia, ressonância e por aí vai…

Chamamos nossos médicos de confiança – obstetra, clínica geral e cirurgião – e depois de muitas avaliações e de dois dias inteiros no hospital fazendo exames e tomando soro na veia sem poder me alimentar e nem beber água, fui diagnosticada com apendicite.

– Vamos operar agora.

– O quê? Operar?!?!

Fui chorando do meu quarto até a sala de operações. Todas as enfermeiras que passaram por mim durante aquele momento tenso foram de uma atenção, gentileza, carinho e cuidado que eu não tenho nem palavras para agradecer. Todo mundo tentou me acalmar dizendo que várias grávidas passam por isso, que tudo ia dar certo e que logo eu estaria melhor.

Depois de apagar com a anestesia, acordei muito bem, sem dor e dando gargalhadas – vai entender, né? Sempre tive pavor de anestesia, ouvi muitos relatos de pessoas dizendo sobre as sensações ruins que ela provoca, mas em mim o efeito foi de risada e quase um universo paralelo.

Minha obstetra acompanhou a cirurgia o tempo inteiro e me disse que logo depois que tudo acabou ela ouviu a Julia e viu que ela continuava super agitada. Que provavelmente a anestesia nem chegou a fazer nenhum efeito nela – às vezes, os bebês também ficam meio apagadinhos como a mãe. Isso me aliviou mais do que tudo.

A operação não foi das mais simples, pois um buraquinho no apêndice provocou uma peritonite também e foi preciso “lavar” os outros órgãos – não sou médica e estou repetindo coisas que ouvi sem querer muitos detalhes para não surtar de medo e susto. Por esse motivo, precisei ficar no hospital por mais uma semana.

Foram 8 dias ao todo sem poder comer ou beber nada. Os únicos momentos que eu podia colocar água na boca era quando tinha que engolir um comprimido. Era um golinho de nada, mas eu contava os minutos para a hora do remédio, só para poder sentir aquela sensação da água tocando os lábios e a boca. Sempre amei beber água e agora dou ainda mais valor ainda aos meus copinhos de água durante o dia.  Pois foi uma das piores coisas ter que ficar sem ela durante todo esse tempo.

Para que eu não ficasse apenas no soro durante todos esses dias e para não prejudicar a Julinha, resolveram fazer em mim a alimentação parenteral. Esse foi outro susto que espero deixar para trás como algo que passou e que – se Deus quiser – não vai precisar acontecer de novo na minha vida. Para quem não sabe, é uma espécie de soro mais potente, com vitaminas, proteínas e todas as coisas que nosso corpo precisa para ficar forte. Uma bomba de nutrientes. Só que não é aquele sorinho normal na mão – que antes já era um pesadelo para mim – , ele precisa ser colocado próximo ao pescoço, é um procedimento que deve ser realizado pelo médico e que não é “tão simples” quanto um furinho no braço. Rola até um pontinho para que o cateter fique preso e seguro no lugar certo.

Tentei encarar tudo isso com força e sempre lembrando que a Julinha estava bem, mexendo como nunca na minha barriga – parecendo uma pipoquinha – e que eu precisava ser forte por causa dela. Toda essa experiência foi como um aprendizado, uma vivência para me fortalecer ainda mais.

Nos últimos dois dias de internação eu voltei a comer aos poucos – no primeiro dia foram apenas líquidos e no segundo já entrou uma alimentação melhor. Meu intestino funcionou muito bem e como tinha passado sete dias da operação, todos os médicos concordaram que era hora de voltar para casa.

Ainda estou com alguns pontos para cicatrizar, ainda estou andando um pouco torta porque sinto nervoso dos pontos na barriga, emagreci pra caramba, ainda vejo muitos roxos no meu corpo – de todas as injeções que precisei tomar ao longo dos dez dias – , mas tento buscar mais e mais força para acreditar que tudo isso está ficando para trás e que foi apenas mais um capítulo na história da minha vida. Quero respirar cada vez mais aliviada sabendo que tudo passou, que a Julinha daqui a pouco está chegando e que muita saúde vai preencher as nossas vidas. Pois isso é o que realmente importa.

Não tenho nem palavras para agradecer o carinho dos médicos, enfermeiras e da minha família comigo – principalmente do Vi, que foi um parceiro em tudo!!!!! -. Não contei nada antes para a maioria dos amigos, pois estava em um momento de buscar mais força interna do que nos outros. Era algo que dependia mais de mim do que de alguém de fora. E não estava pronta para falar sobre isso.

Aos poucos tudo isso vai passar. A cada dia é mais uma vitória. Eu consigo dormir melhor, me esticar melhor, caminhar melhor. Não vejo a hora de ver tudo cicatrizado e pronto para ficar no passado. Já agradeço desde já a todos os que ficam na torcida para que tudo fique bem com a gente. Mesmo sem saber de nada, o pensamento positivo de vocês para mim é o que me fortalece também.

Vamos que vamos… Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.



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