02 de Dezembro de 2016

Black Mirror – Série da Netflix que nos faz refletir sobre o mundo que vivemos

Outro dia um amigo nosso falou: Vocês PRECISAM assistir Black Mirror na Netflix. E aí, como somos MUITO curiosos, lá fomos nós seguir a sugestão dele. Confesso que fiquei um pouco assustada com o primeiro episódio e nem mesmo consegui assistir tudo. Achei forte demais e fui fazer outra coisa enquanto Vinicius continuava a ver. No segundo episódio da primeira temporada, acabei dormindo antes mesmo de começar e o Vi também assistiu sozinho. Mas do terceiro em diante, não perdi nenhum e amei!

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Quando amamos alguma coisa, normalmente é algo que nos faz bem. Não é o caso. Black Mirror nos provoca, mexe com a nossa cabeça e faz a gente pensar no mundo que vivemos. Cada episódio das três temporadas tem uma espécie de ‘lição de moral”. Mas não é entregue de bandeja. Algumas pessoas nem mesmo percebem o quanto aqueles casos que parecem surreais e pura ficção científica, são realmente um espelho do que acontece na nossa sociedade e também reflete nosso comportamento em relação a todas as novas tecnologias.

Alguns episódios me marcaram muito, me fizeram pensar em como muitas vezes vamos nos deixando levar pelos avanços tecnológicos e simplesmente não prestamos atenção no nosso comportamento em relação a eles. Abraçamos as redes sociais, as tecnologias de vídeo e câmera dos celulares, gastamos horas em aplicativos que nos fazem divulgar a nossa vida em tempo real para pessoas do mundo inteiro e assistimos sobre a vida de outras pessoas como se fossem novos programas de televisão. Conversamos com parentes e amigos distantes pelo computador ou celular e nos contentamos com isso. A presença física das pessoas que amamos já não parece tão importante. Pois com todas as possibilidades tecnológicas, sentimos como se eles estivessem presentes o tempo inteiro.

Um dos episódios que me marcou trata justamente disso. Depois de perder o marido em um acidente, a mulher descobre um aplicativo que juntava tudo o que tinha sido escrito pelo marido dela enquanto estava vivo nas redes sociais e daquela maneira, o aplicativo o transformava em alguém “vivo” de novo, mas apenas virtualmente. Fiquei pensando muito nesse episódio. Pensei que antigamente você precisava escrever um livro para se transformar em imortal, para que as pessoas soubessem quem você foi quando esteve por aqui. Mas com as novas tecnologias, com as redes sociais, é como se você também pudesse viver para sempre. E aí eu fiquei me perguntando: Será que alguém para e pensa sobre isso? Será que todos os seus comportamentos na internet seriam motivo de orgulho para sua família, para que todos soubessem quem foi você um dia?

E aí, no dia que assisti outro episódio chamado Urso Branco, também fiquei pensando sobre como ele se encaixava com a nossa realidade. Naquele momento, o meu pensamento era sobre as pessoas que filmam assaltos e acidentes com o celular e aquilo já era um incômodo para mim. Mas quando fui assistir o jornal da Globo antes de dormir, aquele episódio de Black Mirror aconteceu bem ali, na minha cara e me fez sentir uma angústia e até mesmo uma dor enorme. A certeza de que estamos doentes como pessoas, como sociedade. Na Globo passava o Garotinho naquela cena dantesca na ambulância, enquanto aquilo acontecia pessoas filmavam com seus celulares, compartilhavam nas redes sociais e riam, comemoravam. Eu senti raiva, tristeza, uma vontade enorme de fugir para algum lugar longe de tudo e todos. Pensei em como eu tinha achado absurdo aquele episódio da série e como na verdade ele realmente acontecia. A punição, a dor do outro (bandido, assassino, a pior pessoa do mundo), o castigo, virou alegria e diversão para uma platéia. Motivo de comemoração da maior parte do “público”. A punição virou entretenimento e o erro passou a valer para justificar o outro.

Sinceramente acho que Black Mirror é uma das melhores séries da Netflix e acho que todo mundo deveria assistir e tentar entender, parar para refletir um pouco no final de cada episódio. Algumas pessoas já vão sentir o tapa na cara enquanto assistem, outras vão tentar fingir que aquilo lá é pura ficção. Mas infelizmente não é.

Nosso comportamento nas redes sociais, de que maneira utilizamos as novas tecnologias, o que desejamos aos outros por estarmos “protegidos” atrás da tela do computador, as opiniões negativas, os discursos de ódio, os relacionamentos superficiais buscando apenas mais popularidade, a exposição da vida perfeita, o entretenimento e tantas outras coisas mais. Tudo está em Black Mirror e nada do que está lá é longe de tudo aquilo que vivemos diariamente. Infelizmente, aquele espelho é o nosso espelho. E sempre é bom a gente encarar o nosso reflexo para que possamos pensar de que maneira podemos melhorar. Recomendo Black Mirror para todos.




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