10 de Novembro de 2017

Quem cobra amor fica sem

Eu sinceramente acho que quem cobra amor fica sem ele. Já ouvi muita gente falando sobre reciprocidade, sobre como as pessoas têm que fazer o mesmo que já fizeram por ela e sei lá… Acho que não é bem assim que a vida funciona. Não acho que cumprir obrigações seja sinal de amor. Nem mesmo consideração. Acho que é mais uma coisa de se sentir ameaçado pelo outro. É como se não existisse um sentimento verdadeiro naquela relação, mas um acordo, um contrato de que tudo que você fizer, eu tento fazer igual depois.

Que relação de amor é essa?

Amor é doação de alma e coração. Não existe acordo de dar e receber. Nem existe uma balança que mostra “olha… hoje eu estou dando dois quilos de amor. Não se esqueça de me devolver essa quantia até o próximo mês, ok?”. Isso é surreal.

A amargura, a falta de compreensão, as cobranças, a vingancinha depois que o outro não te deu o esperado, só trazem dor a você mesmo. E isso é tão triste. Vejo amizades desfeitas, pois um lado acredita que não existia relação verdadeira, já que o outro não ligava todos os dias ou não chamava para todos os programas ou não ia ao que era convidado. “Eu vou em tudo e ele não vai em nada!!”.

Eu não aguentaria uma relação assim – nem de amizade, nem de amor, nem de família. Detesto imaginar que alguém comparece a algum lugar que eu chamo apenas por obrigação. Comigo não tem essa. Eu nem gosto de fazer nada no meu aniversário exatamente para que esse tipo de coisa não aconteça. Gosto de saídas livres, programas que aparecem no meio do nada e que aos poucos os amigos que estão de bobeira vão chegando. Detesto aqueles que “você tem que ir” para que alguém não fique chateado.

Acho que a vida é curta demais para que a gente faça coisas que não estamos com vontade, apenas para devolver a moeda que recebemos. Sinceramente, quando é assim, a moeda nem é a mesma. É como se o seu amigo – que foi porque realmente estava com vontade –  tivesse usado o euro e você – que está indo só porque ele foi em algo seu – está devolvendo em real. Risos! Deu para entender, né?! Cinco euros valem bem mais que cinco reais. Risos!

Amor não é um troca-troca. Amor é sentimento, pensamento positivo, é um querer bem acima de qualquer outra coisa. Você pode amar de longe e de perto na mesma intensidade. Não é a presença física ou as ações que vão dizer que aquela relação é real. O que diz isso é o que cada um carrega na alma. Você que diz que ama e cobra, de repente nem sabe o que é amor. E quem cobra amor fica sem.

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07 de Novembro de 2017

Estar grávida é se despir – literalmente – de todas as vergonhas

Nunca imaginei que me transformaria tanto e em tão pouco tempo com a gravidez. Estar grávida é se despir mesmo de todas as vergonhas que você já teve um dia. Não tem espaço para isso. Você realmente aprende a se doar de corpo inteiro e a se importar muito mais com outra pessoa do que com as suas preocupações e tolices.

Eu sempre fui cheia de vergonha. Fazer transvaginal com um homem? Nem pensar. Caçava um laboratório que tivesse uma mulher no comando. Mas bastou ficar grávida e ouvir “o médico tal é o melhor da área” para não me importar com nada e só querer o melhor para fazer o primeiro exame importante da Julia, que também trazia no pacote uma transvaginal chata como ela só.

Mas é claro que não para por aí…

Enquanto sempre li relatos na internet de grávidas que reclamavam do peso da barriga, de enjoos, azia ou coisas do tipo… Nunca li nada sobre como precisamos “relaxar” e deixar de lado nossos pudores para nos prepararmos da melhor maneira possível para a chegada do nosso “pacotinho”. Pois é… Vida de grávida não é fácil.

Só mesmo na gravidez eu fiquei sabendo que no final da gestação precisava de sol no bico do seio. Como fazer isso quando você mora em um prédio, cercado de outros prédios – e de uma obra que coincidentemente no período que você precisa do tal sol, está na altura da sua varanda e janelas? Você desiste? Claro que não! Amamentação em primeiro lugar. Então, você vai aprendendo a dar um jeitinho e descobre que se cortar uma blusa velha naquele exato lugar, talvez – você nunca terá certeza – ninguém perceba que você está pegando sol bem ali – por que não temos o costume do topless por aqui? Não seria mais fácil?

Ainda existem mais exames nessa reta final. Serão feitos os toques para checar a dilatação – quando necessário -, o assustador “exame do cotonete” – SWAB -, que tirando a vergonha, nada tem de realmente assustador ou invasivo. E também rola aquele medo gigantesco de fazer o número dois na hora do parto – quem já fez ou quem está vivendo o momento do parto normal, provavelmente já ouviu falar sobre isso ou já viveu essa situação.

 

Todas essas coisas parecem mesmo uma grande preparação para a maternidade. Como disse no início, é uma doação do seu corpo, um esquecimento das suas vergonhas, uma preocupação com coisas muito mais importantes do que com seus pudores.

Por isso, nossas mães provavelmente nunca tiveram aquela vergonha de “pagar mico” em momento algum. Porque elas se despiram – literalmente – de várias de suas vergonhas durante os nove meses que nos carregaram em suas barrigas.

E quando chega a nossa vez, aprendemos a nos despir, a não nos preocuparmos se o médico é homem ou mulher, queremos apenas saber se são os melhores. Podemos até ter pesadelos com o número dois na hora do parto, mas vamos em frente e encaramos o desafio. Afinal, queremos o melhor para quem vem por aí. O que são as besteiras da vida depois de tudo isso? Não são nada.



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