29 de Dezembro de 2017

Engravidei, emagreci 20kg, publiquei um livro – Retrospectiva 2017

E lá vamos nós para a retrospectiva 2017!! Dizer que o ano passou voando não é mais novidade para ninguém, não é mesmo? Mas já fiz um acordo com o tempo e isso não vai acontecer em 2018. Uma das metas é aproveitar cada instante, cada milésimo de segundo para que cada momento tenha o valor que merece. Menos celular, mais vida. Mas isso é papo para uma postagem de início do ano. Agora, vamos falar mesmo do que rolou em 2017. Que ano!!

No Natal de 2016, minha mãe me deu de presente um caderno lindo para anotar os meus sonhos (mais uma meta para o ano que vem, voltar a escrever nesse caderno!!!) e estava dando uma olhada nele quando me assustei – consegui realizar 90% das metas que estipulei para esse ano. Apenas uma ficou para o ano que vem.

Por isso eu sempre digo que vale a pena a gente anotar tudo o que deseja, pois passamos a trabalhar o corpo, o cérebro e o universo para realizar o que realmente queremos.

E lá nas minhas metas estavam: Cuidar da saúde, engravidar, publicar um livro, emagrecer, enfrentar meus medos…

Vou confessar aqui uma coisa que é uma vergonha. Eu sei. Não deveria nem falar isso, pois foi uma irresponsabilidade sem tamanho… Eu estava a mais de 10 anos sem fazer exame de sangue, sem marcar médicos, sem nada disso. Tinha verdadeiro pavor, a síndrome do jaleco branco. Cheguei a tremer quando coloquei isso como uma meta no caderno, mas de 2017 não passaria, pois um dos meus maiores desejos esse ano era engravidar.

Se eu fiquei mais de dez anos sem fazer um exame de sangue, fiz mais de trinta nos últimos 12 meses. Comecei fazendo um para ver como eu estava. Foi bem no início do ano, estava bemmmmmm fora do peso e descobri que estava quase chegando na marca da diabete tipo 2. Minha glicose estava bem no limite. Era a única taxa fora do lugar – graças a Deus! -, mas eu já me desesperei e procurei uma nutricionista para me orientar.

Na sequência, descobri que meu outro sonho estava virando realidade… Eu consegui engravidar!! Não foi de primeira, demoramos uns quatro meses para conseguir, mas Papai do Céu foi bem generoso com a gente e nos deu o que eu tanto queria. Foi um momento de muita emoção, medos, angústia, felicidade…

Mas a gravidez também foi responsável para que as minhas outras duas metas – saúde e emagrecer – ganhassem ainda mais força. Eu queria o melhor para a minha bebezinha e por isso, precisava cuidar de mim da melhor maneira possível.

E foi assim que com uma reeducação alimentar eu acabei perdendo 7 quilos, enquanto a gravidez avançava. Não fiz nenhuma loucura, apenas passei a comer melhor, não bebi mais nada alcoólico e cuidei de mim. Dessa maneira, não demorou muito para que a minha glicose ficasse linda! <3

Estava feliz da vida, até que senti uma dor muito estranha na barriga. Achei que eram gases, mas descobri que era uma apendicite que já tinha estourado e criado uma peritonite. Morri de medo. Não só por mim, mas pela Julia. Operar grávida? OPERAR?! Eu tinha medo de médico, nunca tinha nem ido a um hospital e tive que passar 12 dias internada, fiz todos os exames possíveis – até mesmo o mais temido de todos por mim: tomografia! Sou claustrofóbica e ainda estava grávida!!!!! – e ainda tinha que fazer mais de um exame de sangue por dia. Entenderam o motivo de ter feito uns trinta?!

Foi barra pesada, mas eu venci. Nós vencemos. Percebi o quanto era forte, o quanto a Julinha é guerreira e como Vinicius é parceiro – ele ficou comigo os 12 dias, me deu banho, acordava a madrugada inteira para ver os remédios que as enfermeiras estavam me dando… Nunca vou conseguir agradecer tanto carinho.

Saí desse episódio ainda mais forte, mais dona de mim, mais confiante de que nossos sonhos podem dar certo mesmo com obstáculos complicados no caminho.

Curti a gravidez de uma maneira que nunca imaginei. Sempre acreditei que era algo que causava desconforto, que doía… Mas me apaixonei por essa fase, pela barriga, pelos chutinhos da Julia dentro de mim, pelos laços que comecei a criar com ela.

Por causa da apendicite eu emagreci mais. Fiquei dez dias sem poder nem mesmo tomar água no hospital. E assim perdi mais cindo quilos.

Minha alimentação ficou ainda mais regrada. Não queria mais nenhum problema até o final da gravidez. Cortei qualquer tipo de gordura e doce. Fui acompanhada por uma nova nutricionista e passei a entender melhor sobre como me alimentar bem. A parte dos cortes foi uma decisão minha, já que ela orienta o equilíbrio para tudo.

Foi na gravidez também que me senti mais mulher, mais adulta, mais poderosa. Escolhi a melhor equipe do mundo para me acompanhar e na reta final, aprendi muito com eles sobre o parto normal, humanizado e sobre como o respeito com a mãe e com o bebê são importantes, mas infelizmente não praticado pela maioria dos médicos.

Antes do nascimento da Julia, outro filho nasceu: o meu livro Folhas de um Outono. Como era a minha meta publicar esse ano, resolvi não mais esperar pela publicação do impresso – que deve demorar ainda mais um pouco para sair – e fiz a publicação em e-book na Amazon. Receber o carinho das leitoras que já leram, foi um estímulo ainda maior para a nova meta de publicar pelo menos um livro por ano.

Consegui ter a Julia em um parto normal que durou 36 horas – entre pródromos e trabalho de parto ativo – e me transformei. Pegar aquela coisinha tão pequena e já de olhos abertos, assim que saiu da minha barriga, foi uma das maiores emoções da minha vida. Parir foi realmente incrível. Me mostrou mais uma vez a força que eu tenho e não sabia.

Depois disso? Só felicidade. Descobri um sentimento que não imaginava existir. É realmente o maior amor do mundo. Aquele amor que me faz ficar horas e horas olhando o rostinho da minha filha enquanto dorme, mama, fica curiosa descobrindo o mundo, chora…

Sem a Julia na barriga e depois de um parto normal, minha barriga desinchou em pouquíssimos dias e ao invés do famoso baby blues, que muitas mulheres precisam enfrentar no pós parto, eu vivi um dos melhores momentos da minha vida. Amo acordar e me olhar no espelho. Meu corpo voltou a ser como era há uns vinte anos. Sim, estou com olheiras e sem poder arrumar o cabelo. Mas ainda assim, me sinto bem com quem me transformei. Olho a Julia e me encanto com o milagre que ela é. Minha guerreirinha, o resultado de um amor de quase vinte anos.

A adaptação com a Valentina foi bem tranquila, apesar de perceber que ela ainda fica tristinha por não ser mais filha única e ganhar atenção exclusiva. Mas aos poucos ela está percebendo que ganhou mais alguém para amar. Os beijos são diários e o cuidado com a Julia aumenta a cada instante.

Na balança? Menos oito quilos dos 12 perdidos anteriormente. Ou seja, 20 quilos a menos na minha conta. Dessa maneira, mais uma meta realizada e assim que a minha médica liberou, voltei para os exercícios físicos. Devagar. Apenas uma esteira. Mas já para criar o hábito que quero levar comigo para sempre. Nunca mais quero me olhar no espelho e tentar esconder aquilo que não gostava em mim. Quero sentir o prazer diário de me admirar, de gostar do que estou vendo.

Não levanto bandeira do corpo perfeito. Acho que isso é uma escolha de cada um. Se eu me sentisse bem acima do peso, tudo bem. Mas eu me sentia frustrada e comia ainda mais. Quero seguir me alimentando melhor para ter a melhor saúde possível para aproveitar bem a minha filha por muitos e muitos anos.

2017 foi um ano de muitas emoções e de transformações gigantescas na minha vida. Mudanças que vão seguir acontecendo pelos próximos anos. Um ano que me deu muita força, que me fez enxergar o que realmente importa na vida. Deixei vergonhas e medos de lado e ganhei muito com isso.

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17 de Novembro de 2017

Nem tudo acontece como planejamos

Que semana! Realmente nem tudo acontece como planejamos, mas isso só nos ensina a ser mais fortes e a aceitar que não estamos no controle de tudo. Precisamos relaxar e aprender com os acontecimentos. Desde o início da gravidez eu ficava pensando: Quando chegar ao final, vou me concentrar mais em mim, relaxar mais, ouvir músicas calmas no final de todos os dias e me conectar comigo mesma.

Cheguei na semana 39 na segunda-feira! A semana que eu mais imaginava viver momentos dignos de um Spa. Água quente nos pés, as músicas que escolhi para o parto, noites tranquilas como eu vinha tendo até então. Eu só não imaginava que assim que entrasse nessa semana, tudo seria diferente.

Valentina começou a acordar várias vezes na madrugada precisando ir ao banheiro – ei, eu é que tinha que sentir essas vontades!!! – e na madrugada de quinta-feira ela acordou várias vezes para vomitar. Acordamos junto com ela todas as noites e nessa que ela passou mal, ficamos os três acabados, às cinco e meia da manhã estávamos encolhidos no sofá, para não ter que voltar mais uma vez ao quarto e depois precisar sair de novo para socorrer nossa filhinha de quatro patas.

Assim que amanheceu, dia da minha tão esperada consulta com a obstetra, estávamos caindo de sono, mas pegamos a primeira roupa que encontramos no armário e fomos levar a Valentina em uma clínica veterinária. Examina daqui, examina dali, Raio X, Ultrassonografia e um diagnóstico de possível infecção intestinal. Entre uma coisa e outra, só deu tempo de passar em casa, engolir o almoço e correr para a consulta da tarde, a minha consulta.

Nos nove meses, nunca cheguei atrasada, sempre fomos a pé, com tempo de sobra para chegar na maior tranquilidade. Mas não na 39ª semana. Fomos de carro e descobrimos que Niterói estava tendo poda de árvores, fechando algumas ruas e engarrafando muitas outras. Um caminho que deveria demorar no máximo cinco minutos, foi feito em 40. Ah, e decidimos ir de carro não só “para chegar mais rápido”, mas também porque estava TANTO calor, que era melhor me deixar ter pelo menos um pouquinho daquele “Spa” no ar geladinho do carro. Certo?

Errado. O ar do carro resolveu pifar. Isso mesmo!! Exatamente naquele dia, naquele momento. Não poderia ser nem um dia depois ou um dia antes. Teve que ser naquele dia, naquela semana – essa semana. Cheguei no prédio do consultório e os elevadores que sempre estão no térreo, estavam todos nos andares mais altos. Quando um finalmente chegou, olhei para Vinicius e falei “do jeito que o dia está hoje, nada me surpreenderia se ele parar no térreo e lotar”. Maldita boquinha. O elevador, que nos nove meses que fui frequentemente ao consultório sempre subia vazio, foi sendo preenchido de gente. Vinicius me olhou, eu dei uma risada, mas também senti meus olhos encherem de lágrima. Que dia!

As lágrimas nem mesmo chegaram a cair. Chegando mais de meia hora atrasada na obstetra, preferi rir de tudo aquilo que  resolveu acontecer logo no final da gravidez. Na minha provável última consulta, lá estava eu de chinelo, sem brinco, suada, cansada, com a primeira roupa que pesquei no armário naquela manhã. Nem tudo é do jeito que planejamos. Pelo menos a consulta foi maravilhosa como sempre e estamos todos esperando a hora que a Julinha vai resolver conhecer o mundo.

Voltamos para casa, para a Valentina e seguimos com a preocupação. Ela toda molinha, bem diferente da cachorrinha ativa que sempre está animada para brincar com a gente. Que peninha.

Mais uma noite sem dormir muito bem, acordando todas as vezes que ela acordava. Mais uma manhã com ela quietinha, sem disposição. O que fazer? Ir nas clínicas próximas? Claro que não. O que seria dessa reta final da gravidez se não tivesse emoção? Spa? Musicas calminhas? Momentos relaxantes? Pra quem? Resolvi buscar o primeiro veterinário da Valentina, o veterinário que tinha cuidado dela em todo o primeiro ano de vida. Não queria mais ficar conhecendo outros veterinários, queria alguém que já conhecesse um pouquinho dela. E aí descobrimos que ele estava atendendo em Itaipu.

Lá fomos nós. Sem ar-condicionado no carro, com um calor de um sol para cada um. Já estava bom de emoção, não é mesmo? Bom, acho que alguém queria mesmo me mostrar que a vida é um eterno não planejar de coisas, que tudo pode sair fora do lugar, mas que mesmo assim dá certo no final. Eu entendi! Entendi perfeitamente. Principalmente depois de ter um pneu murcho com um prego que o esvaziou no caminho até a clínica veterinária.

Apesar de todas as emoções, conseguimos ter uma avaliação legal do veterinário, remédios que dessa vez fizeram mais efeito e deixaram a Valentina mais animadinha e com vontade de comer de novo. Também conseguimos voltar para casa em segurança e bem.

Perfeita essa imagem que achei no Pinterest para resumir essa semana!

Poderia estar revoltada por não ter tido a semana que eu tanto esperei. Poderia estar nervosa por estar mais cansada e por tudo o que aconteceu. Mas estou feliz. Feliz por ter a nossa cachorrinha ao nosso lado, torcendo para que ela possa melhorar nos próximos dias com os remédios e que volte a ter toda energia de sempre. Tranquila por estar com a pressão do meu corpo ótima, mesmo com toda a alta pressão da semana. E feliz por ter rido no final de tudo, por ter percebido que nesses nove meses eu já evoluí muito como pessoa e que não culpo nada, nem ninguém por não ter o dia perfeito, o dia que eu tinha planejado ter.  Eu realmente aprendi que nem tudo acontece como planejamos e tudo bem.

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