17 de Maio de 2017

Gostar ou não gostar de futebol? – Eis a questão!

Esse ano eu confesso que vez ou outra voltei a dar aquela olhadinha para a televisão na hora do futebol. Nesses cinco meses, alguns jogos conseguiram colocar minhas anteninhas de vinil em estado de alerta. “Nossa! Que defesa!!”, “Não acredito que eles conseguiram virar! :O”, “Opa! Isso aí está legal” – pensava a cada vez que desviava o olhar do computador, do celular ou do livro para ver a partida que Vinicius estava vendo.

Desde 2011, prometi que não seria mais aquela Fernanda apaixonada por esse esporte. A partir de 2013, quando comecei a trabalhar para as Olimpíadas e sem tempo para atualizar o meu antigo blog – Bela da Bola -, já que não podia mais ir aos treinos e buscar matérias diferentes dos outros portais, desisti de vez de ser torcedora. Seria uma preocupação a menos para a minha vida. Tá, tá… Uma alegria a menos também, preciso concordar com quem ama futebol.

Mas desde então, passei a sofrer menos – tanto com meu time, quanto com as provocações dos torcedores rivais, que sempre me irritavam – e passei a ser quase aquela pessoa chata do “não entendo quem ama tanto futebol. Nem mesmo os jogadores ligam para isso”. Quase. Quando torcia o nariz para uma ou outra comemoração, sentia aquela pontinha de saudade de ir aos estádios, de começar a me preparar para ver uma partida nos finais de semana, ainda na hora do almoço, e de amar as quartas-feiras, quando tinha jogo na televisão depois da novela.

Só que esse ano, alguma coisa mudou. E não, não é apenas pela boa fase do meu time. Claro que isso também despertou algo dentro de mim. Mas por algum motivo, resolvi ouvir um jogo pelo rádio enquanto trabalhava. E fui lembrando de quando eu ficava no quartinho dos fundos da casa do meu avô com o rádio ligado, ouvindo as partidas que não passavam na televisão. Lembrei da raiva que senti com o “gol de barriga” do Renato Gaúcho, quando nem mesmo podia ver na televisão se tinha sido ou não de barriga mesmo. Lembrei dos treinos, das entrevistas que fiz depois que me formei, das assessorias de imprensa que trabalhei com futebol e até mesmo da pós que escolhi fazer em gestão e marketing esportivo por causa daquele esporte que eu tanto amava. E sim, deu saudades.

Assistir Cristiano Ronaldo resolver uma partida, ver meu time ganhar, rir do rival que perdeu… Cada uma dessas coisas foi voltando ao meu radar. Distraída, várias vezes me pego dando uma conferida no Globo Esporte, entrando no Cartola, desligando o computador mais cedo para assistir ao jogo que vai começar.

Depois de tanto tempo sem nem olhar para a televisão, chego a irritar Vinicius perguntando “mas quem é esse?”, “e esse?”, “que técnico é esse que eu nunca vi antes?”. E aí eu vou descobrindo quem são aqueles novos rostos, que já são velhos para a maioria dos torcedores. “Da minha época”, poucos continuam nos gramados do Brasil e nem mesmo sei se continuam em algum gramado do mundo.

E não é que foi só eu ficar grávida para imaginar um futuro ensaio, de barrigão, no meu clube do coração? Já imaginei quando o baby nascer, levá-lo ao clube e pedir autógrafo de todos os jogadores na mini camisa oficial, como as que eu tenho de elencos passados.

Paixão verdadeira não morre, mas pode adormecer. Ainda estou naquela indecisão – voltar ou não a dar aquela atenção aos jogos? É claro que não tenho sangue de barata e se eu me entregar, não vai ter jeito de resistir a todo aquele amor.

O grande problema é que eu acho que ja não é mais questão de escolha. A paixão já acordou, pois durante o dia eu já me peguei pensando “hoje tem jogo, será que vai dar certo?”. Pois é… Acho que vai ser o dia de desligar o computador mais cedo, pegar a camisa da sorte que está lá no fundo da gaveta e voltar a colocar em cima da televisão. Sempre deu certo. Hoje também vai dar. E mesmo se não der, tô achando que em 2017 eu vou ter que dizer “meu eu torcedora voltou”.

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11 de Maio de 2017

O que é amizade para você?

Sempre leio muitas pessoas falando sobre amizade, mas dificilmente eu concordo com o que dizem por aí. Aquela história de “poucos e bons”, “conto nos dedos de uma mão só” e por aí vai, não é a minha realidade. Eu sempre digo que tenho muitos e os melhores amigos. E isso não é mentira.

Amizade para mim é algo profundo. Amigos não são aqueles que precisam estar presentes na minha vida a todo o momento. Muito menos aqueles que cobram uma presença. Meus amigos sabem o quanto eu sou furona, avoada, enrolada. Mas isso não é falta de amor.

Considero amizade verdadeira toda aquela relação que não é apenas física, que não trata apenas de assuntos do cotidiano, mas que é muito mais ligada aos sentimentos. Falar sobre o meu dia, contar uma fofoca aqui e outra ali eu posso fazer com qualquer pessoa. Mas é apenas com um amigo que eu vou dividir uma dor, uma alegria, uma saudade.

Agora mesmo estava conversando com uma amiga das antigas… Amizade de play de prédio da infância. Nossa vida mudou completamente de quando nos conhecemos, cada uma seguiu um caminho diferente na profissão, não moramos mais no mesmo prédio há quase vinte anos, mas ainda assim, em momentos de pura felicidade ou de tristeza, buscamos a outra em algum lugar para falar sobre o que está acontecendo em nossas vidas. Sem precisar de firulas, sem precisar falar sobre o que quer que seja. É um compartilhar de sentimentos que prova que amizade nunca deixou de ser.

E não é o tempo que define o quanto vou gostar de alguém e considerar aquela pessoa como uma amiga. Também tenho pessoas conhecidas da vida inteira, mas que não passaram de relacionamentos mais rasos. Tenho amigos que falo vez ou nunca, mas que são pessoas que amo com todo o meu coração e a minha alma e que sei que posso desabafar mesmo que fique anos sem ver. Tenho amigos que falo todos os dias e que não consigo viver sem dar um oi para falar sobre uma coisa qualquer ou sobre a coisa mais importante da minha vida.

Mas todos os que chamo de amigos são aqueles que em algum momento saíram do básico e passaram de fase para algo muito maior. Nossos sentimentos são sempre maiores do que qualquer segredo, fofoca, conquistas. Só contamos aquilo que guardamos bem dentro da gente para quem confiamos e amamos. Esse é o verdadeiro sentido da amizade e eu sou muito feliz de poder ter tanta gente que divide e compartilha sentimentos comigo.

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