24 de Março de 2017

Spectacles – O óculos do Snapchat que me fez lembrar de Black Mirror

Se você está andando na rua e passa por uma pessoa usando um óculos como o da foto e se você não estivesse ligado nos últimos lançamentos tecnológicos, acharia que esse acessório seria a moda do momento? Apenas óculos coloridos? Pois é! Mas aquelas duas bolinhas nos cantos do óculos são na verdade câmeras, que transmitem ao vivo vídeos de 10 segundos no Snapchat. São os Spectacles.

É claro que não sou contra as invenções e avanços tecnológicos e acho que os Spectacles são o resultado de uma ideia muito legal. Dá para pensar inúmeras utilidades para o óculos. Imagina que maravilha não ter mais que ficar segurando o celular para filmar pedacinhos de um show que você gostaria de compartilhar com os amigos, ou uma vista incrível, um passeio maravilhoso e por aí vai.

Mas sei lá, fico com uma sensação tão grande de que aqueles episódios de Black Mirror estão cada vez mais presentes nas nossas vidas. Se com o celular, todo mundo já compartilha quase tudo que acontece em suas vidas, daqui a pouco vai ser quase uma coisa automática e obrigatória esse compartilhar todos os momentos vividos.

Também fico pensando em quem não sabe que esse é um óculos que filma. Sei lá… Pode estar se expondo e sendo exibido ao vivo na internet para pessoas que ele nem mesmo conhece. Não é um pouco demais?

Lembro de um episódio de Black Mirror, que todos estavam conversando na mesa e para lembrar de determinadas histórias, compartilhavam suas lembranças em vídeos que ficavam armazenados em um chip dentro de seus próprios corpos. Tudo era filmado pelos olhos – acho que era uma lente e armazenado nesse chip. E aí, uma das pessoas na mesa disse que não tinha. Todos olharam para ela como se fosse um ET. Ela disse que preferia guardar todas as lembranças apenas para ela, em sua própria cabeça e eles riram.

Será que os Spectacles não são um pouco  o início de tudo isso? Mais uma barreira de privacidade quebrada, mais uma invasão de nossas vidas e mais um acessório que vai ultrapassar muitos limites de bom senso? Acho que seria um acessório legal, se fosse usado com moderação e respeito. Mas tenho muita dúvida se é realmente isso que vai acontecer.

Só nos resta esperar, decidir se vamos usar ou não essa nova invenção e torcer para que a gente não fique cada vez mais parecido com aqueles episódios já tão reais de Black Mirror. Que os Spectacles sejam usados de maneira consciente. Oremos!



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15 de Março de 2017

Bial x Tiago Leifert – Quem é melhor como apresentador do Big Brother Brasil?

Desde que o Big Brother Brasil começou muitas pessoas passaram a comparar Tiago Leifert com o Bial e os questionamentos começaram – quem é o melhor na função de apresentador do programa? E aí, muitas pessoas pediam a volta do Bial dizendo que o Tiago não tinha o mesmo carisma do antigo apresentador.

Que mania feia essa que temos de comparar pessoas. Não é porque um assume o lugar do outro que precisa fazer exatamente igual. Quando um músico canta a música de outro cantor, não é muito mais legal quando ele interpreta de um jeito totalmente diferente? Eu sempre acho que sim.

Já tinha algum tempo que queria falar sobre isso por aqui, mas acabava deixando passar e passar e passar. Mas hoje eu resolvi jogar conversa fora. Vou deixar o post dos restaurantes de Itaipava para amanhã. Estava com vontade de papear.

Muitos jornais disseram que o Tiago não empolgou o público, que possui um discurso mais direto e sem emoção. Mas nos anos anteriores, reclamavam dos discursos emocionados do Bial, quando ele chamava os participantes de heróis. Vocês precisam decidir – emoção ou leveza?

Entre Bial e Tiago, não existe um vencedor. Na minha opinião, cada um tem seu jeito, seu olhar, sua maneira de apresentar e gostar do Big Brother. Bial tinha o olhar do escritor, do jornalista que corre mais do que atrás de notícias, mas que vai em busca de histórias. Bial tem aquele jeito quase fofoqueiro de todo escritor, de realmente querer espiar para entender as relações humanas, de se inspirar com diálogos, de enxergar aquelas pessoas não só como participantes de um “jogo”, mas também como personagens da vida real.

Bial olhava para o Big Brother como quem olha para um livro. Era uma história que se desenrolava durante três meses. Romances, intrigas, dramas e até terror. Em seus discursos era como se ele fosse o narrador. Ele apimentava, incrementava, dava um pouco da sua voz para a história. Usava sua caneta de escritor para fechar um capítulo e abrir outro. A cada eliminação do programa, seus discursos eram como se o eliminado fosse um personagem que deixaria o livro, era como se fosse uma morte, a morte daquele personagem, naquela história.

Já o Tiago trouxe outra cara para o programa. Saiu a literatura e a poesia, entrou o jogo. Ele não vibra com as pessoas, com as relações humanas. Tiago vibra com as jogadas, ele se diverte com as “fases” do reality. Ele vê o programa como uma grande brincadeira – e realmente é!! -.

Quando um participante saía do programa, o Bial sempre perguntava se a pessoa sabia “o que faria agora do lado de fora”. O Tiago já quase celebra “você tem toda a vida real de volta”. É como se ele não conseguisse entender o choro, a saída triste de um participante. É como se ele pensasse: É só um game over, amigo! Bora jogar outro jogo?

Eu adoro mudanças! Gostava do Bial, adoro o Tiago. Gostava da literatura do Bial e adoro a simplicidade do Tiago. Certo ou errado? Não existe. São maneiras diferentes de apresentar e assistir o mesmo programa. Assim como “aqui fora” sempre existiu a briga de quem assiste – por entretenimento – e de quem não assiste – e fala que é um grande lixo.

O Big Brother é mesmo um livro sendo escrito em tempo real, como o Bial gostava de apresentar. Mas também nada mais é do que um jogo, sendo jogado por participantes que precisam fazer as jogadas certas para passar de fase. Assim como em todo livro, uns personagens viram protagonistas. E assim como em todo jogo, sempre existe um vencedor.



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