15 de Dezembro de 2016

O cachorrinho que mora do lado de lá

Com o cair da noite, a porta da varanda começa a refletir o que está dentro de casa. Mas cachorro sabe lá o que é reflexo?  Todo dia, quando a porta está um pouco fechada e a luz acesa, Valentina corre para olhar intrigada para aquele cachorrinho que sempre vem fazer uma visita, mas nunca se aproxima.

Se está deitada, levanta correndo com a chegada daquele amigo que sempre vem no mesmo horário, mas nunca dá um oi. “Quem é você que deita do outro lado desse vidro e me encara quando eu chego mais perto?” ela parece pensar.

Em alguns dias ela só fica encarando o cachorrinho “do outro lado”.
Outros dias, quando ela está no agito da brincadeira, fica angustiada, querendo que “ele” se aproxime. Chama, mas o cachorrinho nunca responde.

Desce do sofá, sobe no sofá e lá está o cachorrinho fazendo o mesmo. Mas por que ele não chega mais perto? Porque ele não vem brincar também?

Se eu abro a porta da varanda, ela sai correndo para achar aquele amigo. “Mas que droga, como ele pode ser tão rápido assim? Já não tem mais nenhum sinal dele” volta ela triste para a sala.

Mesmo com a porta aberta, ela não esquece mais aquele amigo que nunca se aproxima e vez ou outra ela volta para a varanda na esperança de surpreendê-lo por lá.

😍

Tão pura, tão doce, tão inocente e cheia de amor. Meu coração chega a partir com as carinhas viradas sempre que ela vê o amigo que nunca chega perto. Aquele cachorrinho que só aparece quando chega a noite. O amigo do vidro que quando a porta se abre ou a luz se apaga, já não está mais ali.




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19 de Julho de 2016

Entrevista de estágio no Jornal O Lance – O MICO – Especial 10 anos Bela da Bola

Depois de escrever o desabafo sobre a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, escrevi mais duas matérias sobre futebol no Jornal da Estácio. Como naquela época não era tão comum ver mulheres escrevendo sobre esse esporte,acabei chamando atenção para os meus textos. Um dos meus professores sugeriu que eu enviasse o meu currículo para os jornais de esporte e foi o que eu fiz, sem ter muita certeza se realmente queria aquilo. Foi assim que semanas depois, o Jornal O Lance entrou em contato, me chamando para uma entrevista de estágio.

Tenho uma teoria para a vida: Quando queremos muito alguma coisa, o nosso nervoso e ansiedade são infinitamente superiores a quando não temos muita certeza se é aquilo mesmo que queremos. Dito isso, lá fui eu para a minha entrevista de estágio, a primeira da minha vida, totalmente tranquila. Não tinha pesquisado nada sobre o jornal, não tinha “me preparado” para as perguntas que poderiam surgir, nem nada do tipo. Fui com a cara e a coragem, sem saber o que viria pela frente.

Lance Jornal

Conversei com a responsável pelo RH e foi aí que veio um dos grandes micos da minha vida. Choro de rir todas as vezes que lembro daquela conversa e impressionada ao lembrar como eu sou desligada. Depois de inúmeras perguntas sobre a faculdade, sobre a minha vontade de trabalhar no Lance!, sobre a minha paixão pelo futebol…

– Você conhece o Walter de Mattos Junior, daqui do jornal?

– Hum… – fiz cara de paisagem e pensei por alguns segundos na resposta que poderia dar. – Não! Mas conheço o Colombo, que era da Globo e é meu professor. Você conhece ele?

E aí, quando eu vi aquela cara de surpresa, percebi que tinha falado alguma besteira muito grande. Mas na minha cabeça, ela estava apenas querendo saber se eu era uma pessoa bem relacionada com profissionais da área e não imaginava que a gente sempre deve saber quem é o Presidente / dono / figura importante da empresa que estamos tentando uma vaga para trabalhar.

Dei de ombros e não me importei nem um pouco com a resposta que eu tinha dado. Naquele momento, eu realmente não sabia quem era o Walter de Mattos Junior e se ela perguntasse qualquer coisa sobre a história do Lance! seria o mesmo fiasco. Não tinha ido nem um pouco preparada para a entrevista e nem sabia como as coisas funcionavam. Pensei que estava sendo espertinha de perguntar sobre outro jornalista esportivo e que tinha empatado com ela, quando ela disse que também não conhecia o Colombo. Pensei: Estamos quites e você não pode me achar ruim por não conhecer uma pessoa, se você também não conhece quem eu conheço! 😛

Hoje, fico pensando o que aconteceu depois da minha entrevista. Se eu estivesse no lugar dela, teria tido uma crise de riso na minha frente mesmo. Não saberia segurar a gargalhada. Como hoje, não consigo deixar de rir quando lembro do mico da minha resposta. Durante algum tempo não contei isso para ninguém. Mas fala sério, né? Tudo na vida é aprendizado e fica a dica para quem está começando e quer um estágio/emprego em uma empresa. Antes de ir para a entrevista, procure sempre ler sobre a empresa, as pessoas mais importantes e tudo o que puder te encher de informações. Pode ser que você precise delas, como pode ser que não. Mas sempre vale a pena.

E se eu passei no estágio? Amanhã eu conto para vocês!