07 de Novembro de 2017

Estar grávida é se despir – literalmente – de todas as vergonhas

Nunca imaginei que me transformaria tanto e em tão pouco tempo com a gravidez. Estar grávida é se despir mesmo de todas as vergonhas que você já teve um dia. Não tem espaço para isso. Você realmente aprende a se doar de corpo inteiro e a se importar muito mais com outra pessoa do que com as suas preocupações e tolices.

Eu sempre fui cheia de vergonha. Fazer transvaginal com um homem? Nem pensar. Caçava um laboratório que tivesse uma mulher no comando. Mas bastou ficar grávida e ouvir “o médico tal é o melhor da área” para não me importar com nada e só querer o melhor para fazer o primeiro exame importante da Julia, que também trazia no pacote uma transvaginal chata como ela só.

Mas é claro que não para por aí…

Enquanto sempre li relatos na internet de grávidas que reclamavam do peso da barriga, de enjoos, azia ou coisas do tipo… Nunca li nada sobre como precisamos “relaxar” e deixar de lado nossos pudores para nos prepararmos da melhor maneira possível para a chegada do nosso “pacotinho”. Pois é… Vida de grávida não é fácil.

Só mesmo na gravidez eu fiquei sabendo que no final da gestação precisava de sol no bico do seio. Como fazer isso quando você mora em um prédio, cercado de outros prédios – e de uma obra que coincidentemente no período que você precisa do tal sol, está na altura da sua varanda e janelas? Você desiste? Claro que não! Amamentação em primeiro lugar. Então, você vai aprendendo a dar um jeitinho e descobre que se cortar uma blusa velha naquele exato lugar, talvez – você nunca terá certeza – ninguém perceba que você está pegando sol bem ali – por que não temos o costume do topless por aqui? Não seria mais fácil?

Ainda existem mais exames nessa reta final. Serão feitos os toques para checar a dilatação – quando necessário -, o assustador “exame do cotonete” – SWAB -, que tirando a vergonha, nada tem de realmente assustador ou invasivo. E também rola aquele medo gigantesco de fazer o número dois na hora do parto – quem já fez ou quem está vivendo o momento do parto normal, provavelmente já ouviu falar sobre isso ou já viveu essa situação.

 

Todas essas coisas parecem mesmo uma grande preparação para a maternidade. Como disse no início, é uma doação do seu corpo, um esquecimento das suas vergonhas, uma preocupação com coisas muito mais importantes do que com seus pudores.

Por isso, nossas mães provavelmente nunca tiveram aquela vergonha de “pagar mico” em momento algum. Porque elas se despiram – literalmente – de várias de suas vergonhas durante os nove meses que nos carregaram em suas barrigas.

E quando chega a nossa vez, aprendemos a nos despir, a não nos preocuparmos se o médico é homem ou mulher, queremos apenas saber se são os melhores. Podemos até ter pesadelos com o número dois na hora do parto, mas vamos em frente e encaramos o desafio. Afinal, queremos o melhor para quem vem por aí. O que são as besteiras da vida depois de tudo isso? Não são nada.



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04 de Novembro de 2017

Expectativa x Realidade da maternidade

Hoje eu fiquei um bom tempo pensando sobre a expectativa x realidade da maternidade. Como assim? Confesso que desde antes de engravidar eu tenho algumas expectativas sobre como quero criar minha filha, sobre todas as coisas que quero ensinar para ela e sobre a pessoa que quero ser depois que ela chegar ao mundo. Mas hoje eu fiquei pensando – Será que na realidade conseguirei ser tudo o que eu quero?

Além de sempre ter lido muito sobre esse tema, também tinha o hábito de observar como as minhas amigas educavam seus filhos. É sempre bom a gente usar exemplos de pessoas reais sobre as coisas que nós queremos fazer igual e também sobre o que queremos fazer diferente. Ia fazendo anotações mentais de tudo que copiaria e do que descartaria.

Quando engravidei, comecei a colocar aquela listinha de “regras” para fora. Dividi com Vinicius, com alguns amigos e com meus pais tudo aquilo o que eu queria. É claro que ouvi palpites – como sempre – e críticas. Mas na minha cabeça, quem manda sou eu – e o Vi, claro! – , todo o resto são apenas palpites e opiniões, que eu ouço se quiser.

Na minha lista de expectativas estão:

  • Só comer chocolate depois de dois anos
  • Não oferecer nenhum tipo de besteira para a Julia comer durante alguns bons anos
  • Só deixar assistir televisão também depois de 2 anos e nada dos hipnotizantes estilo Galinha Pintadinha
  • Ler muito para a Julia (essa eu acho que será a mais fácil de todas)
  • Não educar pelo caminho mais fácil, mas pelo que eu realmente acho que é certo
  • Não deixar a Julia me vencer pelo cansaço
  • Não passar os meus medos e receios para ela
  • Ser o mais presente possível

E por aí vai…

Mas hoje eu fiquei pensando sobre tudo isso.  Eu realmente posso tentar seguir o meu plano, mas quero estar preparada para não me frustrar caso algo não saia como o planejado. Sei que a Julia terá tias, tios, avós, avôs, primas, primos e que eu não vou ficar como um leão atrás dela o tempo inteiro. Nem todo mundo vai pensar da mesma maneira que eu e vou ter que respirar fundo antes de sair jogando pedras se algum docinho escapar quando eu não estiver de olho – apesar de isso ainda me dar calafrios só de pensar.

Também acho que posso cuspir para cima e me acertar assim que ela nascer. Não sei se tudo vai funcionar com a Julia, não sei se o meu nível de cansaço um dia pode estar tão, tão alto, que uma galinha pintadinha seja a salvação. Simplesmente não sei. Expectativa x realidade são coisas bem diferentes e não quero ser tão dura comigo ao ponto de ser a minha principal julgadora quando a Julia estiver por aqui. Acho que não existe maternidade perfeita. O que vou tentar é fazer o melhor que eu conseguir.




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