22 de Outubro de 2015

Congelei por quatro anos!

Estou vivendo um caso de amor com esses livrinhos interativos. Além da diversão, esses livros também nos fazem pensar. Estava preenchendo o “Listografia”, que nada mais é do que criar inúmeras listas sobre diversos assuntos, quando me deparei com “a lista de lugares que já morei”. É uma volta no tempo preencher tudo isso!
Lembrei do primeiro prédio que morei, dos amigos que fiz, do meu quarto, escritório, quarto dos meus pais, sala e cozinha. Consigo ver os detalhes, as recordações me abraçam, penso nas visitas que recebemos e que hoje já nem estão mais aqui, na vida.

O mesmo aconteceu com o segundo, terceiro, quarto – pois é, sou praticamente uma cigana. Mas a lembrança me pregou uma peça! Não consigo lembrar do sexto apartamento que morei. Mentira, não é bem assim. O que acontece de estranho nessas memórias é que dos oito apartamentos que vivi, apenas em um – o tal 6º – vejo de outra perspectiva. As recordações são de um ângulo diferente. Enquanto nos outros 7 apartamentos me vejo vivendo, recebendo visitas, sentindo aromas, brincando, chorando, construindo cantinhos só meus… No sexto não acontece da mesma maneira. É como se eu estivesse voando por ele.
congelado
Lembro da sala, mas é como se nunca tivesse sentado naquele sofá. Olho para o corredor, vejo cenas que parecem não terem sido vividas por mim, não consigo nem mesmo lembrar de todos os detalhes do meu quarto. Meu armário era mesmo marrom? E grande? O que eu guardava nele? O quarto dos meus pais, banheiro e cozinha são manchas quase apagadas e a varanda? Não sei nem dizer o espaço que tinha. Na hora de preencher a lista, não consegui nem mesmo lembrar o endereço, muito menos o andar.
Não, não é um apartamento do passado muito passado. Não tem nem dez anos que saí dele e por lá fiquei vivendo quatro. A conclusão que consigo chegar é que naquele período eu congelei.
O período dessa casa esquecida foi também a época que vivi meio que em estado de stand by da vida. Sabe quando não estamos satisfeitos com alguma coisa, mas não temos coragem de mudar? Vamos empurrando com a barriga uma situação e empurrando, empurrando… Até que alguém ou alguma coisa sacode a gente e fala: Isso só será possível se o outro ciclo terminar! Pois é.
Passei um tempo grande – quatro anos é coisa pra caramba! – em modo de espera, congelada, sem ser a Fernanda que brilha, que ama, que vibra. Sem ser eu. Brinquei, trabalhei como nunca, conheci muitas pessoas inesquecíveis, mas era como se não estivesse sentindo. Os sentimentos mais profundos, estavam guardados a sete chaves. Lembro que ouvia conversas e queria falar, dizer o quanto eu também sentia, mas não podia, pois não falaria do presente, apenas passado e futuro.
Quantas pessoas passam por isso? Quantas vezes nos sabotamos por medo, comodismo, falta de sinceridade com nós mesmos? O congelamento que tive de quatro anos, algumas pessoas vivem a vida inteira e se impedem de viver uma vida plena e feliz.
Acho triste flanar por recordações. Amo abrir gavetinhas da minha memória e me sentir aquecida com tanto amor, comidinhas gostosas, risadas e felicidade. Sinto muito pelo tempo que perdi sem sentir de verdade. Por apenas voar por um endereço, período da faculdade, amizades. Mas ainda bem que levei uma sacodida! Ainda bem que fui resgatada a tempo de não perder mais tempo.
Existem momentos, pessoas ou coisas que passam como um flash, um furacão por nossas vidas. Mas de repente a função delas é justamente a de tirar a gente de um comodismo, de quebrar o gelo e trazer a gente de volta para a vida.
Se você está apenas flanando no presente, se não está vivendo de verdade, deixa que esse texto seja o terremoto que vai te tirar do lugar. Não vale a pena perder tempo sem sentir, sem vibrar, sem brilhar. Não tenha medo de se jogar na vida, de ser quem você quer ser. Não vale a pena se privar do que você deseja por mais que pareça inadequado ou difícil de alcançar. Mesmo que não alcance, andar, mudar a direção, escolher outros caminhos é muito melhor do que ficar apenas parado.
Veja mais posts sobremudanças passado relacionamentos vida