21 de Setembro de 2015

Conjuntivite, Cartas para Julieta e Inspiração

Oi, galerinha! Tudo bem?

Que título estranho, não é mesmo? Mas digamos que resume bem a minha segunda-feira. Acordei de madrugada com o olho ardendo, fui até o espelho e levei um susto: ele estava vermelho, pequeno – o que é difícil, já que ele é enorme! – e estranho. Já comecei a desconfiar sobre o que me aguardava na parte da manhã. Não deu outra! Fui até o Hospital de Olhos e o diagnóstico foi de uma conjuntivite viral – obrigada Rock in Rio, só que não!

Tudo bem, não é o fim do mundo, mas são sete dias em casa sem poder ficar no computador muito tempo, sem ler e com a televisão em doses homeopáticas. Entediada, resolvi colocar um filme que já tinha visto mil vezes para ajudar a não ficar tão concentrada na televisão. O escolhido? Cartas para Julieta. Resolvi colocar dublado e aproveitei para fazer a minha compressa de soro fisiológico enquanto ouvia a história.

Esse filme, desde que assisti pela primeira vez, sempre mexeu muito comigo. Para quem ainda não assistiu, é uma comédia romântica das mais levinhas, com um final bem previsível até, mas que não deixa de ser encantador. Sempre que vejo, sinto uma vontade enorme de programar as próximas férias para a Itália – acho que vou buscar logo uma hipnose para acabar com meu pavor de avião! – e fico louca para mexer na minha adega e colocar um vinho para resfriar.

Cartas para Julieta

Mas não só isso. Mesmo sendo quase bobo, o filme tem algumas cenas com conversas que me fazem perder o fôlego e me deixam pensativa. Adoro quando ela fala que o “e” e o “se” separados são totalmente inofensivos, mas que quando se juntam, são palavras que podem nos perseguir pelo resto da vida. Quantas vezes não temos coragem de fazer alguma coisa, de ir atrás de algo que queremos muito e ficamos imaginando o que teria acontecido se agíssemos de outra maneira? E por que não vamos atrás para não ficar sofrendo sempre com essa dúvida?

Pensei em uma amiga, que recentemente me pediu uma opinião sobre uma carta de despedida para uma pessoa especial que vai morar em outro lugar. Estava uma gracinha, mas ela não disse nada do que realmente queria dizer. Perguntei se ela não se arrependeria de deixar a pessoa ir embora sem saber de verdade o que ela sentia e por medo, ela quase deixou tudo aquilo pra lá. Mas acabou mudando de ideia e colocou os sentimentos pra fora. Quantas vezes fazemos a mesma coisa que essa minha amiga? Não apenas com pessoas, mas com desejos e sonhos profissionais, de viagens, de crença ou de qualquer outra coisa?

Vivemos adiando nossos planos, ficamos achando que não merecemos nos presentear com futilidades, pois nos sentimos culpados de poder fazer isso mesmo que seja com o dinheiro de muito trabalho, acreditamos quando as pessoas dizem que é melhor ficar no emprego tradicional do que se arriscar em algo que os outros acham que não vai dar certo. Não bebemos o vinho, pois é segunda-feira. Não comemos a sobremesa, pois vai engordar. Não mandamos uma mensagem para um amigo do passado, pois achamos que a pessoa não vai nem ter tempo de ler. Vivemos colocando tudo antes da gente, nos acovardando e vivendo uma vida que pode até ser boa, mas que poderia ser muito melhor.

Faço um exercício quase diário para não deixar nenhuma das minhas vontades para depois. Tento não me influenciar mais na opinião do outro e estou trabalhando – entrei na terapia para isso – nos meus medos, para que eles não me impeçam de fazer o que eu quero. E acho que é assim que tem que ser.

Hoje, poderia estar me lamentando pelo olho coçando, por não poder fazer nada que preciso e nem ter a possibilidade de me distrair com um livro. Mas ao invés disso, vou aproveitar esse tempo para pensar nos projetos futuros, nas coisas que quero realizar e em tudo que quero mudar em mim. Viram? Até uma conjuntivite pode ser boa pra gente!

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