02 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – 1ª parte

25 de dezembro, meia noite e dez – Natal!

“O número para o qual você ligou encontra-se desligado ou fora da área de cobertura”.

– Que ótimo! – murmurei sozinha, caminhando cada vez mais para longe das pedras e da casa da minha avó materna, Amélia.

Tentei mais uma vez ligar para o Marcelo. Não queria deixar mensagem no correio de voz. Pelo amor de Deus, é Natal! Qual namorada, quase noiva, deixa recado na caixa postal? Depois de mais de dez, provavelmente vinte tentativas, não teve jeito.

Pântano do Sul


– Oi Celo, lembra da sua namorada Jéssica? Pois é. Eu existo! Estou tentando falar com você desde antes da meia noite, mas o seu lindo celular insiste em dizer que você não está disponível no momento. Bom, espero que esteja tudo bem – suspirei antes de continuar e recuperei o juízo. – Credo! Pareço até uma namorada neurótica, né? Você sabe que não sou assim, não sabe, amor? Deve ser esse lugar que está me fazendo pirar. Sei que estou há menos de 24 horas aqui e que faltam menos de 24 horas para que eu volte para casa, mas é Natal e essa ilha é um pesadelo. Sinto muito por não estarmos juntos, por ter sido obrigada a vir para esse fim de mundo e ficar tão longe de você. Espero que o Papai Noel…
“Piiii”.

Olhei para o celular e senti uma enorme vontade de arremessá-lo no mar. Era tão ridículo uma caixa postal ter limite de tempo para a mensagem. Não havia terminado de falar e fui interrompida por aquela abusadinha eletrônica.

Tinha andado tanto sem perceber, que conseguia ver a casa da minha avó lá longe. Sentei na areia, perto do mar, na escuridão da noite e deixei toda aquela frustração me arrebatar. Estava chateada com o mundo, mas principalmente com a minha família.

Vovó não estava doente ou nada parecido. Ela apenas havia decidido se mudar para Florianópolis sozinha, pois disse não aguentar mais o barulho de São Paulo. Um capricho que fez com que toda a família fosse obrigada a arrumar as malas e pegar um avião para não deixá-la passar o Natal sozinha.

Não conseguia entender como uma pessoa que havia passado a vida inteira em São Paulo, poderia pensar em se mudar para um lugar tão pacato como aquele. Vovó não decidiu apenas ir para uma cidade mais tranquila, como Florianópolis, ela resolveu se esconder e foi assim que veio parar em Pântano do Sul. Eram apenas dez casas, no alto da pedra, de frente para o mar e mais algumas do outro lado, na rua principal.
Que tédio!

Peguei o celular e tentei ligar mais uma vez para o Marcelo. Nada. Desligado, desligado, desligado. Senti as lágrimas se formando nos meus olhos e não demorou nem mais um segundo antes que gotinhas quentes rolassem pelo meu rosto. Apoiei a cabeça no alto dos meus joelhos e deixei que o choro viesse com toda a vontade.

Em São Paulo às vezes sinto que é proibido chorar. Não conseguimos achar um cantinho livre para largar as nossas frustrações, medos, tristezas. Sempre alguém está por perto e se você não mora sozinho, esqueça a ideia de aliviar o coração. Grandes metrópoles não permitem que você seja fraco, caso isso aconteça, alguém te engole.

Mas ali, naquele lugar, estava sozinha.

Continua aqui! =)

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