05 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – 3ª parte

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– Ei, não precisa ficar assustada, não sou nenhuma assombração. Estava te observando, mas não queria te incomodar. Quando vi você jogar o celular longe, achei melhor recuperar o aparelho para você, antes que se arrependesse.

O quê?! Ele estava me observando? Será que era um maníaco? Um tarado? Um assassino?

Respirei fundo. Ele não tinha cara de bandido.

E bandido tem cara?

– Você é neta da dona Amélia?

Confirmei com a cabeça.

floripa

– Ela estava ansiosa há dias com a sua chegada para o Natal. Sua avó sente muito a sua falta.

– Como você conhece vovó? – abri a boca pela primeira vez. Se ele sabia de tudo aquilo, provavelmente não representava nenhum perigo.

– Reparou como aqui é pequeno? Todo mundo se conhece. Pelo menos todos que moram de frente para o mar.

– E você mora?

– Aham. Moro ali – apontou para trás, uma casa pequena que parecia fazer parte do restaurante ao lado. – Aquele é o meu trabalho e ao lado é a minha casa.

– Você trabalha no restaurante?

Confirmou e sorriu. Um sorriso totalmente lindo. Ele tinha o corpo bronzeado e era musculoso, mas sem exageros.

– Já comeu? – perguntou de repente.

– Claro! Não temos a tradição de comer só depois da meia noite, nossa ceia de Natal começa cedo. Saí de casa, pois todos já estavam indo dormir. E você? – somente naquele momento peguei o meu celular das mãos dele.

– Estava comendo ali na varanda quando te vi chegar.

– Sozinho? – arqueei a sobrancelha e franzi a testa sem acreditar que alguém poderia passar o Natal sem a família ou amigos.

– Já estou acostumado.

– E seus pais?

– Eles moram no Rio de Janeiro, são cheios de compromissos e não encontram tempo para vir até aqui – sentou ao meu lado. – Pelo menos é o que dizem, mas acho que a verdade é que não querem dar o braço a torcer. Eles ainda não se conformam.

– Com o quê?

– Comigo – sorriu mais uma vez.

– Por quê? Como assim?

– Morei com eles até os meus vinte oito anos, mas sempre senti falta de alguma coisa. Não só da liberdade, que não conseguia ter mesmo com um bom trabalho, pois os preços para comprar um imóvel na cidade maravilhosa estão surreais, mas também de algo mais.

– E encontrou esse algo mais aqui?

– Totalmente.

Olhei mais uma vez para o mar, senti um arrepio com o vento que soprava mais gelado. Estava usando um vestido tomara que caia, totalmente inapropriado para uma madrugada em uma praia do sul, mesmo sendo verão. Passei a mão pelos meus braços para tentar me aquecer.

Continua aqui! =)

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