08 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – 5ª parte

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– Quando você vai embora? – perguntou Theo.

– Hoje mesmo. Depois do almoço.

– Nossa! Vocês acabaram de chegar e já vão?

– Meus pais precisam trabalhar e eu também.

casal natal

– Por que não tira férias e fica aqui por mais alguns dias? Você está precisando disso.

– Como sabe o que eu preciso? – perguntei irritada, aquele garoto estava se achando muito para o meu gosto. Não pedi nenhuma opinião.

– Dá para ver que está estressada, que precisa pensar. Quando estamos bem, não costumamos arremessar o celular – sorriu. – Aqui é um bom lugar para refletir, pensar no rumo que está dando para sua vida e decidir se precisa ou não de alguma mudança.

– Não preciso de mudança nenhuma – bati o pé.

– Olha só, Jéssica, hoje é Natal, daqui a uma semana já é o ano novo, fica só esse período aqui na ilha.

– Por que está insistindo tanto nisso?

– Porque eu também queria ter a oportunidade de te conhecer melhor.

Senti uma onda na minha barriga.

– Qual a parte do “eu tenho um namorado” você não entendeu? – fui grossa.

– E só por isso não pode conversar com outras pessoas? Conhecer alguém? Estamos conversando aqui, algum problema nisso?

– Não.

– Quem sabe uns dias na ilha não te deixam menos na defensiva? – deu uma risada quase irônica.

– Garoto, você nem me conhece e está fazendo um milhão de julgamentos. Quem você acha que é?

– Conheço mais de você do que você mesma – olhou nos meus olhos e provocou mais um choque no meu corpo.

O que era aquilo? Por que eu simplesmente não levantava e ia embora? Parecia estar colada na areia, como um imã, sendo puxada cada vez mais.

– Você é maluco?

– Jéssica, sua avó te conhece muito bem e conheci você através dela. Nós dois conversamos muito, todos os dias. Sei que você é a pessoa mais importante do mundo para ela.

Meus olhos encheram de lágrima com aquelas palavras. Fiquei emocionada.

– Obrigada.

– E por isso também gostei de você antes mesmo de te conhecer. Sei que essa armadura aí não é de verdade. Espero ter a oportunidade de conhecer a Jéssica que a sua avó tanto ama.

Suspirei. Sabia que ele não estava falando nenhuma mentira. Realmente estava me transformando em alguém que nem eu mesma conseguia reconhecer. Nervosa, chata, estressada, egoísta. E vovó ainda disse que não via mais brilho nos meus olhos. Quando foi que eu deixei de me encantar pela vida?

– Você tem razão. É tão estranho tudo isso.

– O quê? – arqueou a sobrancelha.

– Uma pessoa que eu nem conheço saber tanto sobre mim, parece que me conhece mais do que algumas pessoas que estão comigo todos os dias – lamentei.

– É uma pena que isso seja normal, mas é. As pessoas estão com as outras sem realmente estarem juntas. Pode observar. Tenta lembrar as cinco roupas que o seu namorado estava usando nos últimos cinco dias.

– Ah, nunca fui boa com a minha memória. Não sei nem as duas últimas que eu usei.

– Então faz o teste no futuro. Depois de vocês se encontrarem, tampa o olho dele e pergunta o que você está usando – sugeriu.

– Mas qual é o objetivo disso?

– Comprovar o que estou falando. Antes de me mudar para cá, tinha uma namorada no Rio de Janeiro. Ela era como você, um pouco mais nova, simpática, divertida, adorava festas. Gostava muito dela, mas o nosso namoro já não estava mais com a mesma intensidade de quando começamos.

– Isso é muito normal.

– Eu sei, mas não acho que seja normal não observar mais quem supostamente amamos. Se isso acontece, é porque alguma coisa está errada. Acredito que quando o amor é pra valer, a admiração e a vontade de estar com a pessoa, não diminui – passou a mão pelo cabelo e olhou para o mar. – Um pouco antes de vir para cá, estava com a Bianca, minha ex, em uma festa bem lotada. Por um segundo nos perdemos. Lembro que olhei ao meu redor e não conseguia lembrar o que ela estava vestindo e daquele jeito, era ainda mais difícil encontrá-la. Mas como eu poderia não saber o que ela estava usando, se tinha esperado ela se arrumar na casa dela e tinha dito que estava bonita quando perguntou o que eu achava? Como achei bonito algo que eu nem mesmo vi? – suspirou e olhou na minha direção. – Entendeu? Isso não pode ser normal. Naquele dia, a minha ficha começou a cair e eu passei a observar como a minha vida estava passando sem que eu nem notasse. Estava envelhecendo sem nem perceber.

Continua amanhã! =)

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