09 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – 6ª parte

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Não sabia o que dizer, mas fiquei com tudo aquilo na cabeça. Nunca conheci um garoto como o Theo. Pensei nos filmes de Natal que eu sempre amei e me perguntei se o que estava vivendo era um sonho baseado em todos aqueles filmes, mas com uma versão mais romântica.

Como Um Homem de Família, por exemplo, que é um dos meus favoritos. Bem na época do Natal, Nicholas Cage recebe como “prêmio” por ter feito uma boa ação, uma volta ao passado para ver como seria a vida dele se tivesse feito outra escolha quando era mais novo.

vinho no Natal

Por um instante imaginei a continuação do meu filme:

Vou até a casa da minha avó e conto para ela o ocorrido.
“Mas minha querida, não mora ninguém naquela casa e o restaurante está abandonado há anos” – diria ela.

Senti um calafrio com aquela ideia. Já não seria mais um filme romântico, viraria um suspense ou sei lá o quê. Balancei a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos. Por via das dúvidas, resolvi disfarçadamente dar um beliscão no meu braço e sim, estava totalmente acordada.

– No que está pensando? – perguntou com um olhar intrigado.

Quando contei meus pensamentos, Theo deu uma gargalhada divertida.

– Minha casa é de verdade, não sou um espírito, nem um enviado do Papai Noel ou algo parecido. Sou de carne e osso, posso estar errado em muitas das coisas que falo, mas estou consciente de todas as minhas decisões desde que vim para cá. E se deu certo? Totalmente. Vejo a vida passar mais devagar e o principal, eu vejo ela passar.

– Estou ficando com certa inveja de você e da minha avó – sorri para ele.

– Por que não aceita a minha sugestão de passar uns dias aqui?

– Infelizmente, não posso. Não no momento. Meu namorado iria ficar muito chateado se eu perdesse mais uma festa que compramos o convite com tanta antecedência. Vamos passar a virada do ano em um evento com muita gente, música boa, comida e bebida de qualidade – voltei a falar como a Jéssica que eu mesma desconhecia.

– E isso é mais importante do que passar a virada do ano com quem você ama, em uma praia sem iluminação, ouvindo fogos bem de longe, olhando as estrelas como se elas fizessem parte da festa, conversando e comendo uma comida gostosa?

– Mas vou estar com quem eu amo.

– Pode ser, mas a sua avó gostaria muito da sua companhia. Pode apostar – voltou a olhar para o mar e respirou fundo. – Espera aí – saiu correndo e me deixou sozinha.

Acompanhei os movimentos dele com o olhar e senti a minha
barriga queimar de ansiedade para saber o que ele tinha ido fazer com tanta pressa. Fechei os olhos e fiz um teste. Camiseta amarela, com uma linha fina em tons de verde e uma estampa pequena de coqueiro, bermuda cargo branca, descalço. Quando abri os olhos de novo, ele estava voltando. Acertei em cheio a roupa do Theo. Ele sorria para mim e trazia na mão uma canga, duas taças e um vinho.

– Gosta? – perguntou, balançando a garrafa.

– Amo.

– Está com fome? Posso pegar mais alguma coisa para comer.

Dei de ombros e ele entendeu aquilo como um sim. Deixou tudo comigo e voltou correndo para casa. Enquanto esperava, afundei a garrafa na areia com as taças, para que não caíssem e estendi a canga.

Theo sentou ao meu lado com mais uma canga nos braços, uma cesta de pães, alguns frios e pastinhas.

– Trouxe essa para você colocar nos seus braços se sentir frio, mas também posso pegar um casaco, se preferir.

– Obrigada, não é necessário. Não está gelado aqui, só quando o vento bate que dá um arrepio, mas o vinho vai resolver isso muito bem.

– Sabe o que eu mais gosto nessa bebida? – perguntou enquanto me entregava uma taça.

– O quê?

Aproximei o líquido do nariz e fiquei encantada com o aroma do vinho. Tinha um cheiro marcante, forte, que convidava logo a colocar na boca. Mesmo com uma vontade imensa de fazer aquilo, esperei. Não conseguia beber nada sem antes fazer um brinde. Levava superstições a sério e como diziam que aquilo dava azar, nunca arriscava.

– A história que cada garrafa traz com ela. Essa aqui, por exemplo, é de uma vinícola pequena, no sul da Itália. Eles colhem as uvas manualmente. Fico imaginando tudo o que aconteceu com essa bebida até ela chegar aqui. Acho incrível saber que cada garrafa tem um sabor. Mesmo que tenham sido fabricadas juntas, com as mesmas uvas, ainda assim, cada uma delas vai ser diferente. Se eu abrisse essa garrafa amanhã e não hoje, o gosto já não seria mais o que vamos experimentar agora. Ele está em constante mudança.

– É verdade. É uma bebida cheia de história, né?

– Muita – ergueu a taça – Um brinde para as mudanças!

Sorri e brindei.

Continua aqui! =)

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