12 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – 7ª parte

Já tem mais um pedacinho do conto A Magia do Natal!! =) O que estão achando da história? Se você perdeu a sexta partem é só clicar aqui!

Quando senti o vinho na minha boca, cheguei a fechar os olhos. Estava delicioso, era aveludado, cheio de sabores e dava vontade de ficar tentando descobrir todos eles.

– Gostou?

– É perfeito! Obrigada.

Aproveitei para pegar um pão, passar uma pastinha e ver como ficava com a bebida.

– Nossa! Que delícia – elogiei.

Natal em Floripa

– Obrigado. Também estou achando tudo muito bom – olhou nos meus olhos e provocou uma corrente elétrica no meu corpo.

Havia tanto tempo que não sentia aquelas coisas. Tudo com o Marcelo era mais superficial. Quando nos conhecemos, lembro que me senti atraída por ele. Era um dos mais gatos do grupo que eu e minhas amigas conhecemos em uma festa e todas ficaram alvoroçadas com o Celo. Loiro, olhos verdes, elegante e com uma postura quase arrogante, que dava um charme maior.

Lancei para mim o desafio de conquistá-lo. Todas as minhas amigas também pareciam desejar a mesma coisa e aquilo despertava ainda mais o meu lado competitivo. No final da noite, quando ele me convidou para beber em outro lugar mais calmo para que pudéssemos conversar um pouco mais, sabia que tinha conquistado o meu prêmio.

Desde então, ficamos praticamente todos os dias e o namoro veio naturalmente. Um pouco antes do Natal, começamos a falar sobre casamento e já conseguia imaginar o meu grande momento. Mas agora, aquilo já não parecia mais tão especial. Estava mais empolgada com o anel que ganharia do que com o que viria com ele. Que Jéssica era aquela que eu havia me transformado?

– No que está pensando? – perguntou e bebeu mais um gole do vinho.

– Em mudanças – olhei para ele e fixei meu olhar.

Totalmente diferente do meu namorado, Theo não tinha nada de arrogante e era charmoso ainda assim. Muito charmoso. Não tinha os olhos verdes do Marcelo, mas tinha um brilho tão intenso, que era ainda mais bonito. Os lábios, nem grossos nem finos, eram um convite tentador. As mãos… tão diferentes também. O Celo tinha mãos cuidadas até pela manicure da mãe dele que passava hidratantes, cortava, só não pintava. Já as do Theo eram ásperas e grandes, imaginei como seria o carinho dele.

Senti uma onda de calor subir pelo meu corpo. Precisei respirar fundo, olhar para o mar e recuperar o juízo.

– Quais mudanças planeja realizar primeiro? – perguntou.

– Não sei, mas quero começar a mudar. Não tinha me dado conta de como estou diferente, como me deixei transformar de uma hora para outra, parece que até mesmo meus valores mudaram e não quero que seja assim.

– Quer falar mais sobre isso? – encheu a minha taça, que já estava vazia.

– É estranho precisar de alguém que nem me conhece para me fazer enxergar coisas sobre mim que eu mesma não via.

– Tipo?

– Como me transformei em uma pessoa que não sabe a roupa que o namorado veste – olhei de rabo de olho para ele.

Theo abriu um sorriso lindo e fez todo o meu corpo tremer.

– Vamos fazer um teste – tampou os meus olhos com as mãos e senti uma adrenalina absurda com o calor que vinha dele, com o perfume que só agora conseguia sentir e com aquela aproximação. – O que estou usando?

Ele não fazia ideia de que eu já tinha feito aquele teste antes. E quando repeti a resposta que eu sabia que estava certa, agora em voz alta, tive a certeza de que tudo na minha vida estava errado.

– Viu? Você é uma boa observadora – voltou a sentar ao meu lado, um pouco mais perto que antes.

– Vamos fazer um teste? – desafiei e tampei os olhos dele. – O que estou usando?

– Um vestido branco, daqueles que não tem nenhum tipo de manga nem alça, estampado com flores azuis e rosas. Costuma usar o cabelo preso, pois notei que está com um elástico fino no pulso direito. Você tem um pequeno sinal, bem próximo da boca, que te dá um charme extra. Costuma pegar sol com protetor solar, pois tem marca de biquíni, mas quase não tem sardas. Tem um sorriso encantador, que me deixa com vontade de contar piada ou uma história engraçada, só para fazer com que você não deixe de sorrir. Tem os olhos quase verdes, que ficam mais claros quando você chora. E tem um perfume tão bom e uma pele tão macia, que me deixam com vontade de ficar falando, falando, falando eternamente só para que você continue aqui, segurando os meus olhos.

– Bobo – dei um tapinha de brincadeira na cabeça dele, mas estava com mil e uma sensações percorrendo o meu corpo.

– Acho que sou bom observador também, não é?

– O campeão da noite – brinquei.

A Magia do Natal continua amanhã! =)

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