16 de Dezembro de 2015

Conto: A Magia do Natal – Última parte

E o conto a Magia do Natal infelizmente chegou na última parte! Tenho tanto carinho por essa história que eu acho que um dia ainda vou transformar em livro! <3 Espero que vocês tenham curtido. Ah, se você perdeu a penúltima parte, é só clicar aqui! =)

Ficamos em silêncio. Olhei para a frente e tentei guardar na minha cabeça toda a nossa conversa, tudo que estava sentindo com ele. Pensei no Marcelo, no celular desligado, nas roupas que não sabia que ele vestia, na voz que não sentia falta, nos beijos que já não eram mais do que estalinhos, no amor que não fazia a barriga gelar. Doeu descobrir que não estava, e talvez nunca tenha estado, apaixonada por ele. Não queria mais ser aquela garota que pensava no anel que ganharia e não na vida a dois que construiria com a minha outra metade. Não queria estar com alguém que mais competia comigo do que me completava. Queria mágica, sonhos, química, planos e calma.

fim do natal em floripa

– No que está pensando?

– Que não vou mais adiar nada na minha vida.

– Ah, é? – fez um carinho na minha mão.

– Aham – tentei guardar na minha memória cada detalhe daquele garoto que fez tanto por mim na noite de Natal, que me fez sentir como protagonista de um daqueles filmes que tanto amava e que me despertou de uma inércia que não queria nunca mais viver.

– Olha lá – apontou para o mar.

O céu estava começando a mudar de cor. Nunca tinha visto o amanhecer de um novo dia. De preto, tudo foi se transformando em um azul tão maravilhoso, que era difícil acreditar que era real. E a cada minuto, uma nova transformação. E outra. E mais outra.

Fiquei emocionada. Não só com o que estava vendo, mas com aquele Natal tão diferente do que imaginei. Quando achei que nada poderia ser pior, acabei descobrindo que era justamente o contrário.

– Acho melhor a gente se despedir. Os pescadores já vão começar a aparecer. Eles costumam vir mais cedo, mas como foi noite de Natal, provavelmente atrasaram um pouco o relógio – fez um carinho no meu rosto.

– Jura que o momento não passou e que não vai ser tarde demais para a gente experimentar o que ficamos só na vontade hoje?

– Juro. Só não demora muito a voltar, porque se fizer isso, eu que vou me arrepender de ter deixado para amanhã – levantou, ergueu a mão para me ajudar a ficar de pé. Pegou a canga e tudo o que sobrou daquela noite tão especial, pediu que eu esperasse.

Correu até em casa, voltou com as mãos vazias. O céu estava totalmente claro e o sol já estava brilhando baixinho no céu. Parou na minha frente, segurou o meu rosto e ficamos nos olhando por quase um minuto, sem dizer nada.

– Se você não mudar de ideia e realmente voltar aqui, acho que vou começar a acreditar em Papai Noel. Não poderia ganhar presente melhor do que esse – beijou o meu rosto, meu pescoço e chegou bem próximo do meu lábio, mas não encostou. – Não demora! – pediu ainda bem pertinho.

– Ainda vai ser presente de Papai Noel se eu voltar no dia do Ano Novo?

– Vai. Acho que ele escuta mesmo os pedidos. Devo ter sido um bom menino.

– E o que você pediu?

– Alguém para dividir comigo toda a felicidade, tranquilidade que tenho nesse lugar. É só o que está faltando para que me sinta completo. Alguém que me faça sentir o que senti essa noite.

– E o que sentiu? – provoquei mais uma vez.

– Além do desejo enorme de ultrapassar todos os limites, de te beijar e de fazer amor com você ali na praia mesmo?

Senti meu rosto esquentar de vergonha com toda aquela sinceridade.

– Teve mais alguma coisa além disso?

– Não foi apenas química e desejo. Senti também alguma coisa por aqui – colocou a minha mão no peito dele. – Amor a gente conquista com o tempo, mas a gente reconhece quando encontra a pessoa que vai alimentar esse sentimento.

Era verdade. Estava sentindo exatamente a mesma coisa. Deve ser alguma mágica de Natal.

Nós nos abraçamos e prometi que voltaria. Em breve. Voltei sozinha, caminhando pela areia, deixei que a água do mar tocasse os meus pés enquanto fazia os planos na minha cabeça. Primeiro, tiraria férias no trabalho. Sabia que aquilo poderia não ser visto com bons olhos pelos meus chefes e pelos meus pais, mas não importava. Pensaria no que queria para mim e não no que esperavam que eu fizesse.

Logo que pisar em São Paulo, vou direto encontrar o Marcelo para conversar. Já consigo imaginar tudo o que ele vai falar. Serão mil e uma desculpas sobre o celular desligado, como já aconteceu em outras ocasiões, mas dessa vez, não vou fingir que acredito nas palavras dele só para que fique tudo bem. Nunca esteve nada bem de verdade.

Depois de tudo resolvido, vou arrumar as minhas malas para viver uma aventura. Mais uma vez terei vovó como minha melhor amiga e conselheira.

Respirei fundo e senti esperança.

Não via a hora de viver tudo aquilo que fiquei com vontade de experimentar essa noite. E depois, somente depois, vou decidir o que virá a seguir.

O mais importante é tomar as primeiras decisões, para que depois possa resgatar e conhecer melhor quem eu sou de verdade. E só então, tomar novas decisões. Dizem que no Natal acontecem milagres, nunca mais vou duvidar de nada disso. Nunca fui de acreditar em amor à primeira vista, histórias de romances clichês, almas gêmeas ou qualquer coisa do tipo, mas acho que vou começar a mudar também as minhas crenças.

De repente, é mesmo verdade que nada acontece por acaso.

Fim!

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