29 de Outubro de 2015

Diálogos pelo caminho

Vinicius sempre me chama de fofoqueira, mas eu amo ouvir diálogos pelo caminho de casa até o trabalho. Acho que eles me ajudam a entender como as pessoas estão pensando, o que elas estão fazendo e até mesmo me inspiram a criar mais e mais histórias.

barca

Nas barcas, quando estava pensando que tudo vai de mal a pior, um pai conversava com seu filho ao telefone.

“Filho, eu não estou fazendo isso para o seu mal. Você precisa sair um pouco do computador, dos joguinhos de celular. Tenho percebido que é só isso que você anda fazendo e agora vamos dar um tempo nisso. Quem fica apenas conectado o tempo todo, vai perdendo a capacidade de pensar”.

Aposto que vieram resmungos em resposta.

“Olha só, lembra como era legal desenhar? Antes de ficar viciado no ipad você adorava fazer desenhos. Você até melhorou bastante depois que eu te ajudei com algumas dicas de traços, lembra? Por que não gosta mais de desenhar?”

Lamentei não poder ouvir as respostas do filho.

“Por que você não cria alguma brincadeira legal para se divertir com a Cristina?”

O nome não era esse, mas isso não é importante.

“Tudo bem, não vou tirar totalmente o Ipad de você”.

Quase virei para trás pedindo para que ele seguisse firme com a ideia dele, mas não foi preciso.

“Para você merecer brincar com o Ipad, você vai ter que aprender a brincar também sem ele. Quero que faça uma lista de coisas que você pode fazer desconectado e que seja divertido. Desenhar, jogar futebol, brincar de pique, ler um livro… Primeiro, você precisa fazer essa lista e depois disso quero que escolha um item e faça até às dez. Se fizer isso, libero o Ipad de 10h às 11h. Combinado?”

Bravo!! Acho que no mundo conectado que vivemos, não precisamos ser radicais e cortar totalmente a tecnologia das crianças, mas acho que é importante ter atitudes como a desse pai. Tudo precisa ter a sua hora, o seu momento. Sem livros, jogos de tabuleiro, piques, brincadeiras ao ar livre, as crianças vão crescer sem joelhos ralados, sem criatividade e cada vez com menos amigos reais e histórias para contar.

E vocês? Também gostam de ouvir conversas por aí?

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