17 de Novembro de 2015

Entrevista com André Fran do programa “Não Conta Lá em Casa”

créditos: Kelly Lynn

créditos: Kelly Lynn

Amanhã (18 de novembro), às 18h, estreia a oitava temporada de um dos programas que eu mais amo do Multishow – Não Conta Lá em Casa. Dessa vez os meninos vão contar as histórias de refugiados que precisaram abandonar seus países de origem – Síria, Iraque, Afeganistão, Sudão – para tentar chegar à Europa. Ou seja, essa estreia é totalmente imperdível! Para saber um pouco mais sobre o que vem por aí e também para contar um pouquinho mais sobre o que já aconteceu em todas essas oito temporadas, bati um papo com André Fran – um dos apresentadores e responsável pelo texto do programa. Ah, ele também é escritor e se você ainda não leu o livro dele, corra para garantir o seu, pois é maravilhoso e já falei sobre ele aqui!.

Fiquei muito feliz de poder trazer para vocês algumas das experiências do André. Ele é uma pessoa que a gente sente vontade de passar horas ouvindo as histórias que tem para contar. Se existissem mais pessoas como os meninos do Não Conta Lá em Casa, com certeza o mundo já seria um lugar muito melhor.

Confira a entrevista e depois siga o André em todas as redes sociais – @andrefran :

Amanhã estreia a nova temporada do Não Conta lá em Casa e gostaria que você contasse como foi a experiência de ver tão de perto a situação dos refugiados e o que o público pode esperar dos novos episódios.

Para variar, vários de nossos conceitos, expectativas e planejamentos foram por terra. Acompanhamos todo o processo dos refugiados chegando na Europa, do seu ponto de entrada na Grécia até seu destino final tão almejado, na Alemanha. Vimos de perto todo o seu drama, motivações e pudemos principalmente ter contato direto com essas pessoas e conhecer melhor seu perfil, medos, e anseios.

créditos: Michel Coeli

créditos: Michel Coeli

– Sei que você já deve ter respondido a essa pergunta diversas vezes, mas não posso deixar de perguntar isso. O que te motiva a sair do conforto da sua casa para viajar para lugares que ninguém pensa em ir?

Duas coisas que marcam bastante minha personalidade são: sou viciado em informação e tenho o ingênuo desejo de fazer deste um mundo melhor. Acho que isso acaba me movendo nesse sentido, poder aliar a possibilidade de ver de perto algumas das grandes questões da humanidade e tentar fazer uma diferença.

– Como é voltar para casa depois de viver todo tipo de emoção nas viagens que vocês fazem? Quais foram as maiores transformações que essas experiências trouxeram para você?

Costumo dizer que sou uma pessoa diferente após cada viagem que realizo. Principalmente pela capacidade de relativizar certos conceitos como miséria, opressão, liberdade. Um grande exemplo é que por muito tempo eu não queria ter filhos, por tudo o que via achava que o mundo não era um lugar apropriado para se colocar uma criança. Hoje, já penso diferente. Percebi, pelas maravilhosas almas altruístas que encontrei nas piores situações dessas viagens, que somente seres humanos dedicados a mudar o mundo podem mudar essa situação que tanto me afligia. E passei a ver com outros olhos o ato de trazer um novo ser humano ao mundo.

Crédito: Michel Coeli

Crédito: Michel Coeli

– Para mim, uma das características mais marcantes e bonitas do Não Conta Lá em Casa é sempre mostrar que mesmo em meio ao caos existe a esperança, o amor e pessoas fazendo o bem. Isso foi uma coisa planejada ou aconteceu naturalmente? Vocês são pessoas que buscam sempre ter um olhar positivo e transformador?

Foi acontecendo naturalmente. Achávamos que era uma grande sorte nos deparar com pessoas dispostas a dedicar sua vida para fazer uma situação melhor, corrigir uma injustiça, transformar uma realidade complicada… Mas vimos que existem pessoas assim e que elas são atraídas e movidas por fazer o bem. E isso é muito legal de testemunhar. O lado bom do ser humano mesmo diante das maiores tragédias. Percebemos que mostrar essas pessoas e suas ações é sempre uma forma de também colaborar com a mudança.
Foto: Michel Coeli

Foto: Michel Coeli

De todas as temporadas do Não conta Lá em Casa:

Qual foi o lugar mais bonito?

Tuvalu, o paraíso de praias de areia branca e mar azul que periga ser engolido pela subida das marés do aquecimento global.

Tuvalu

Foto: Arquivo Pessoal André Fran

Qual lugar você viu uma coisa totalmente diferente do que imaginava encontrar?

Irã e o povo mais hospitaleiro, carinhoso e engajado que já conheci.

Qual destino fez você se sentir mais emocionado?

Me emocionei muito com as crianças refugiadas encarando a dura travessia para a Europa que mostraremos nessa temporada.

créditos: Kelly Lynn

(créditos: Kelly Lynn)

Em qual destino você teve a maior lição de todas e qual foi ela?

A grande lição que testemunhei no Japão pós-tsunami: de que os seres humanos motivados em ajudar o próximo podem fazer a diferença nas piores situações.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Espero que assim como eu, vocês tenham amado a entrevista. Não percam a estreia amanhã, às 18h no Multishow e não esqueçam de seguir @AndreFran nas redes sociais. =) Para conhecer mais sobre os episódios anteriores, é só clicar aqui. Desejo uma boa viagem para todos vocês que, assim como eu, vão embarcar nas experiências dos meninos do Não Conta Lá em Casa.

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