06 de Novembro de 2015

Está um saco morar no Rio de Janeiro

Todos os dias quando abrimos as manchetes dos jornais damos de cara com notícias do tipo: Mulher esfaqueada durante assalto, três pessoas morreram em uma troca de tiros, arrastão nas praias do Rio preocupa turistas, bandidos armados caminham tranquilamente pelas ruas da comunidade… Assaltos, mortes, esfaqueamentos, tiros, drogas e tantas outras palavras assustadoras são usadas diariamente para contar o cotidiano do nosso Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro

Hoje, estamos limitando nossos horários de saída e destinos também. Usar o Waze para encontrar uma rua que não sabemos chegar? Nem pensar! Quantas pessoas já se deram mal indo parar em lugares que deveriam passar longe por causa do aplicativo? E se não bastasse toda a violência que temos que enfrentar, também somos roubados em estabelecimentos que de uma hora para outra resolveram achar que somos todos ricos. Botecos já não possuem mais cerveja barata. Os boêmios agora são cool demais para pagarem baratinho em uma Antártica gelada. E o que era o preço justo, se transformou em uma facada que pagamos sem nem reclamar. Acho que já entramos no clima do mãos ao alto e consideramos normal ser assaltados com segurança.

lapa

Sabe quando vamos chegando ao limite? Eu estou nele, de saco cheio da nossa cidade maravilhosa e da minha cidade sorriso. A cada vez que preciso tirar meu cordão favorito para ir trabalhar, sinto raiva. Mas outro dia mesmo a minha madrinha teve o dela arrancado na Rio Branco, enquanto ela atravessava a rua. É melhor prevenir ou arriscar? Sou apaixonada por bolsas, mas desde que comecei a trabalhar nas olimpíadas, vou com a mesma mochilinha todos os dias. É mais difícil para o bandido puxar das minhas costas do que se eu estivesse com uma bolsa em um braço só. Falar no celular enquanto a gente caminha? “Guarda isso, menina” – é o que minha mãe sempre repete quando pergunta em que lugar eu estou quando ligo para ela e respondo “na rua”. “Quer perder o seu celular?”.

Outro dia, sentei com Vinicius e uma amiga em um barzinho perto da nossa casa para conversar. No total foram seis caipirinhas, uma cerveja 500ml, seis chopes, uma bruschetta e uma porção de bolinho de bacalhau. A conta deu 500 reais. O quê?! Pois é. Não era um restaurante gourmet, nem chegava perto disso. O bolinho de bacalhau tinha mais batata que peixe. Os assaltantes não estão apenas em becos escuros, acho que alguns deles também são donos de bares.

Se a gente quiser fugir de motoristas de táxi que não são de companhia, de carros velhos e de taxímetros adulterados, corremos o risco de apanhar. Diferente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos, estão querendo proibir o Uber por aqui. Enquanto não sai a lei, algumas pessoas vão sendo agredidas pelos taxistas que chamam a concorrência de desleal e vão “resolver o problema” no tapa, na agressão. Uau! E são nos carros dessas mesmas pessoas que temos que nos submeter a andar.

Além de tudo isso ainda tem a nossa educação – e não estou nem falando de escolas e professores aqui. Faltam sorrisos, quase ninguém mais dá bom dia para o outro, furar fila virou algo normal, ultrapassar pelo acostamento também. A malandragem do se dar bem a todo custo cresce a cada dia e me deixa cada vez com menos esperança.

Dá uma vontade danada de arrumar as malas e fugir para bem longe. Não quero mais achar que barulho de tiro todas as noites é normal. Não quero deixar de usar as coisas que eu gosto achando que na próxima esquina alguém vai tirar de mim. E quero poder atender o celular enquanto caminho, sem precisar entrar em uma loja ou algum lugar “seguro” para isso.  Está difícil. O Rio de Janeiro já não continua tão lindo como sempre foi e eu estou de saco cheio daqui.

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