10 de Fevereiro de 2017

L’atelier du Cuisinier – Restaurante francês no Centro do Rio

Ah, como é bom comemorar aniversário! O meu começou antes mesmo do dia oficial, que era sexta. Na quinta, Vinicius resolveu me levar para almoçar. O problema foi na hora de escolher o restaurante. São tantos que temos vontade de conhecer, que fica difícil na hora de decidir. Um casal de amigos nossos havia indicado um restaurante francês no Centro do Rio. Resolvi olhar as recomendações na internet e não pensei duas vezes: Vamos no L’atelier du Cuisinier .

Vinicius ainda queria olhar outros restaurantes, mas eu insisti. Nunca tinha visto nenhum restaurante com cinco estrelas no TripAdvisor, com mais de 500 avaliações. Unanimidade? Como alguém consegue isso? Minha curiosidade ficou ainda maior. Precisava descobrir o que o L’atelier du Cuisinier tinha de tão especial.

Fomos de carro e conseguimos um estacionamento lá perto, o valor era de 25 reais por três horas, que era o tempo máximo que acreditamos que ficaríamos no restaurante. E foi. Tinha feito a reserva para às 14h, mas chegamos meia hora antes e a nossa mesa já estava nos esperando.

O restaurante é bem pequenininho, atende 24 pessoas, com uma decoração simples, as mesas são bem perto umas das outras e a cozinha é aberta, o chef prepara todas as refeições bem de frente para todos do restaurante. Todos esses elementos é que dão o charme ao lugar.

Ficamos na mesa mais próxima do chef, o que foi ótimo para que a gente pudesse observar como funciona a cozinha de um restaurante maravilhoso. Logo de cara eu comentei com Vinicius que aquele chef não parecia ser bravo como muitos são. Pelo contrário, o chef David Jobert era de uma simpatia que eu nunca vi igual.

Resolvemos pedir o menu degustação. Desde que conhecemos o Lasai passei a gostar bastante de deixar os chefs escolherem o que vou comer. É uma delícia não saber o que vem pela frente e se deliciar com cada uma das surpresas colocadas na mesa. Assim como no Lasai, o chef também perguntou se tínhamos alguma restrição alimentar, como não temos, decidimos deixar que ele escolhesse o que quisesse para a gente.

Começamos com uma sopinha de tomate que estava deliciosa e ótima para comer com o pãozinho.

Escolhemos um vinho francês rosé, que harmonizou muito bem com todos os pratos – desde a entrada, até as sobremesas. Infelizmente, esqueci de anotar o nome! Ele era maravilhoso!!

Quando terminamos de comer, vieram as entradas. Nessa opção do menu degustação, são quatro. Uma saladinha com parma, queijos de cabra com uma geleia de cranberry dos deuses, uma casquinha de peixe e um Vol-au-vent com molho e Escargots. 

Segui a ordem que o garçom apresentou os pratos. A salada estava bem temperada e com um molhinho bem gostoso. Vinicius achou que eu não ia gostar dos queijos de cabra, pois eles tinham um sabor bem marcante. Mas ele esqueceu que mudei e hoje sou uma pessoa evoluída na questão de experimentar novos sabores. Fiquei apaixonada pelos dois queijinhos com a geleia. Eles combinavam tão, tão bem com o cranberry! Adoro essas misturas de sabores na boca. O vinho ficou ainda mais delicioso com essa entrada. Terminei o queijinho quase pedindo mais um. E Vinicius, bobinho, que achou que eu não ia gostar, hein? A casquinha também estava sensacional. Parecia que os sabores iam em um crescente. Cada experiência melhor que a anterior que já tinha sido incrível. Por fim, cheguei aos Escargots.

Bom, preciso confessar que me confundi por um momento e na minha cabeça troquei escargot por caviar. Já estava com “nojinho” imaginando que estava prestes a experimentar aquelas ovas que são sinônimo de requinte, mas que eu nunca senti vontade de provar. Não queria olhar muito para o vol-au-vent para acabar não desistindo. Vinicius estava adorando a ideia de provar escargot pela primeira vez e resolveu tirar o creme para ver a forma dele. Achei muito estranho que “aquelas ovas” fossem tão grandes. Resolvi não olhar para o dele e comer logo o meu. E não é que era gostoso? O escargot – que é claro que não são ovas de peixe nenhum – tem textura e até um pouco de sabor de cogumelo, sabe?

Depois de acabar com o prato, perguntei para Vinicius.

– Vi, o que são Escargots?

– Escargot são aqueles bichinhos que levam a casa nas costas.

E aí, naquele momento o meu corpo inteiro ficou arrepiado. Se antes de comer eu soubesse o que estava comendo, nunca, nunca, nunca teria experimentado aquela entrada. Mas teria perdido uma experiência de sabor que é realmente boa. Mais uma vez percebi que precisamos abrir a mente para provar tudo antes de dizer que não gostamos. Depois disso, acho que se em alguma culinária aparecer aqueles grilos fritos… Eu poderia ter coragem de experimentar. Escorpião, baratinhas? Sei lá! Talvez feche o olho e encare! Ui… Dá arrepios só de pensar.

Depois das entradas divinas e daquela surpresa gastronômica, foi a vez do primeiro prato. Sabíamos que seria algo do mar, mas não imaginávamos que teríamos pela frente um prato tão, tão delicioso como o que chegou.

Mexilhões com um camarão VG e um molho espetacular feito com o próprio camarão. Estava tão gostoso, que  no final ainda molhamos o pãozinho naquele molho para que não sobrasse nem um pingo. Seria muito desperdício deixar sobrar alguma coisa daquela comida tão saborosa.

Já estávamos ficando satisfeitos, mas ainda faltava o prato principal. Experimentamos uma carne de avestruz, com molho de acerola e de acompanhamento veio uma batata assada com molho quatro queijos.

Sim, estava incrível! A carne era macia e com um sabor bem diferente do que eu estou acostumada. Gostei muito. A combinação do prato era perfeita. Tinha uma verdadeira mistura de sabores na boca. Ácido e doce da acerola, o salgado da carne e o sabor bem presente do queijo gorgonzola do recheio da batata. Muito, muito bom!

Nesse momento, o L’atelier du Cuisinier já tinha esvaziado e começamos a ouvir a música que estava tocando bem baixinho. São momentos como esse que eu sinto o mais alto grau de felicidade. Adoro experimentar sabores, estar em boa companhia, beber um vinho delicioso e com boa música para deixar o clima perfeito.

E então, vieram as sobremesas. Como ser mais feliz?

Sorvete de café, um docinho de doce de leite, Crème Brulée tradicional, um Crème Brulée de café, e uma goiabada diferente.

Meus favoritos foram os Crème Brulée que estavam absurdamente perfeitos!! E o sorvete de café. Detalhe: Eu não gosto de café. Mas nessas sobremesas, o chef fez algum milagre, pois eu simplesmente fiquei apaixonada.

Durante o almoço, não pude deixar de elogiar o chef David Jobert e adorei a simpatia e atenção que ele nos deu. Já no final, quando tinha apenas mais uma mesa além da nossa no restaurante, ele veio conversar um pouco com a gente. Falei para ele que tinha ficado impressionada e curiosa com aquela unanimidade no TripAdvisor, mas que depois da experiência que tive, entendi o motivo. Ele realmente é maravilhoso e garanto que é melhor até do que restaurantes estrelados.

Todos os pratos do L’atelier du Cuisinier surpreendem. Do primeiro ao último. Conseguir isso deve ser muito difícil e é preciso muito talento. Ele tem. O chef David Jobert disse que o cardápio está sempre mudando, pois como o restaurante é pequeno, ele não trabalha com o estoque. Ou seja, tudo é muito fresco.

Recomendamos MUITO! Se você quiser conhecer, não esqueça de fazer uma reserva. O L’atelier du Cuisinier fica na rua Rua Theophilo Otoni 97, Centro. Ele não abre nos finais de semana e só funciona durante o almoço nos dias de semana. Para mais informações, você pode conferir no site do restaurante clicando aqui.