30 de Setembro de 2016

A literatura na escola – O Trauma da leitura

Quem nunca ouviu ou falou a famosa e triste frase: “Odeio ler!“? Sinto o ouvido doer e o coração apertar quando escuto esse tipo de declaração. Durante anos tentei entender o motivo que leva uma pessoa a ter aversão a um livro. Conversando com amigos, entendi que o grande vilão é a obrigação. Se a pessoa não tem pais que gostam de ler, se o primeiro contato com a leitura é na escola, as chances dessa pessoa se tornar um não-leitor são enormes. O motivo? A maior parte das instituições de ensino transforma a leitura em uma obrigação. E desde quando uma tarefa que você é obrigado a fazer pode ser prazerosa?
O meu grande prazer como escritora é a oportunidade de visitar escolas e conversar com jovens. Em todos os colégios que passo e que escuto o “não gosto de ler”, a explicação é sempre a de que não dá tempo de ler tantas páginas para uma prova ou também falam que é muito difícil, que o texto não é legal. Tento tirar esse “trauma” de cada aluno, de cada jovem que tenho a oportunidade de conversar. De que maneira? Apresento o mundo enorme que é a literatura.
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Muitos jovens – e até mesmo adultos – desconhecem a variedade de livros que existem em prateleiras de bibliotecas e livrarias espalhadas pelo país. Na maioria da escolas o que falta é alguém para mostrar que existem histórias sobre tudo: cinema, música, futebol, amor, fantasia, aventura, suspense, piadas… “Ah, mas livro de piada não vale, né tia?”. Quem disse que não? Perguntas assim sempre surgem e eles se surpreendem quando digo que até livro de piada vale, sim.
E vale mesmo? Claro! O importante é fazer com que eles comecem. Não tenho a menor dúvida ao afirmar que quem começa a ler, quem cria o gosto e descobre livros com assuntos que são importantes ou atraentes para aquele momento da vida, não consegue mais parar. E livro de piada conta, sim, assim como de futebol ou de romance água com açúcar. Ninguém lê um mesmo gênero para sempre, mas depois que é mordido pelo bichinho da leitura, o prazer pelos livros não acaba nunca mais. E qualquer leitura é importante para ampliar o vocabulário aumentar os horizontes e estimular a imaginação.
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Mas toda escola é vilã? Não. Já passei por diversos colégios que fazem com que a sala de leitura seja um dos lugares mais disputados pelos alunos. Já conheci professoras que se transformam até mesmo em Emília (Sítio do Pica Pau Amarelo), ou em outro personagem de um livro para despertar o interesse. Já vi professores verdadeiramente apaixonados pelo que fazem, tão apaixonados que não estão lá só para fazer com que a leitura seja uma obrigação, mas para espalhar esse enorme prazer.
Só que nem tudo são flores e, infelizmente, já vi também uma minoria de professores que parece encarar a tarefa de dar aula como uma obrigação tão chata que, transformar a leitura em um fardo, é quase como aplicar um castigo para aqueles que são os “culpados” por tonar difícil a profissão que exercem. Uma pena!
Uma vez, cheguei a chorar ao voltar para casa depois de uma palestra. Na escola, a professora disse que o que estávamos fazendo era a maior bobagem do mundo, que os alunos não tinham capacidade de ler. “Eles precisam é pegar na vassoura e no pano de chão”, disse totalmente amargurada. Dá para incentivar alguma coisa assim?
Nem todo mundo tem a sorte de ter pais que incentivam o hábito da leitura e esse primeiro contato com o livro precisa ser feito de uma maneira que atraia os alunos. Tem tantas obras que “falam a língua” deles e que podem ser fundamentais para criar o gosto pela literatura. Para que o Brasil seja um país de mais leitores, é muito importante que as escolas repensem a maneira que introduzem o livro na vida dos adolescentes. Dessa maneira, a pesquisa que sempre mostra que o brasileiro não lê, com certeza vai mudar.
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