09 de Novembro de 2015

Livro: Man Repeller – Um pouco de futilidade e muito humor não fazem mal a ninguém

Depois que terminei de ler o livro – Man Repeller, fiquei pensando no que contaria a vocês sobre ele. Então, decidi fazer algo diferente, que se vocês curtirem a ideia, pretendo fazer em muitos outros livros que eu terminar de ler. Ao invés de ficar dizendo o que gostei ou não gostei, escrevi uma carta para a autora e vou compartilhar com vocês. Assim, fica uma opinião totalmente franca sobre a minha opinião e talvez vocês se sintam mais próximos de mim e dela! =) Quem quiser espiar a cartinha, é só continuar a ler o blog.

Man Repeller

Querida Lea,

Tudo bem? Peço perdão pela intimidade ao te chamar pelo apelido, mas depois de conhecer tantas de suas histórias, me sinto quase como uma amiga. Por isso também, já começo essa carta respondendo a um questionamento que você fez no livro: Sim, você tem mesmo o jeito da Carrie Bradshaw – de Sex and the City. Mas isso não é motivo para pânico ou tristeza. Pelo contrário, ter um jeito tão divertido de falar sobre “coisas da vida, do dia a dia”, ter um estilo todo seu e ser tão apaixonada por sapatos, não faz de você a cópia de uma personagem tão querida ao redor do mundo. Na verdade, acho que assim como ela, você se transforma em inspiração.

Quantas de nós são admiradoras de sapatos maravilhosos, de roupas que mais parecem ter sido feitas apenas para as passarelas? Quantas vivem uma história como a da Carrie e do Big, da Leandra e do Abie? Quantas sonham em viver aventuras e desventuras amorosas, no trabalho e na vida? Acredito que são muitas as mulheres que gostariam de ser assim, mas nem todas têm coragem.

E por que coragem?

No mundo hipócrita que vivemos é, sim, necessária certa dose de ousadia para dizer “claro que vou pegar o meu primeiro salário e gastar todinho em um par de sapatos ou em uma bolsa”. A sociedade vai te olhar como se esse não fosse um direito seu. Vão falar da crise, da miséria, de como seu desejo é fútil e você só não vai se encolher e desistir de ser “dona” do destino do seu próprio dinheiro se estiver totalmente segura de si, para não se sentir culpada com o que vão falar de você. Não é estranho chegar a pensar em como a gente se reprime por causa do outro? Devemos ter vergonha de usar o que compramos com o dinheiro do salário que ganhamos depois de trabalhar o mês inteiro? Mas é exatamente o que acontece. Chegamos a nos sentir culpadas quando entramos em um shopping e decidimos nos presentear.

E não é só isso! Também é preciso ter coragem para usar o que tem vontade, sem se importar com os comentários a respeito do SEU estilo e, talvez principalmente, sem se preocupar em agradar qualquer outra pessoa que não seja você.

Ah, não posso esquecer de mencionar que é uma grande valentia assumir o que o coração manda. Conheço os discursos de todos aqueles que não entendem, por nunca terem vivido algo parecido, ou que são medrosos para arriscarem, com medo de ficar com o coração partido. Assumir as dores e amores de uma relação que não é nem um pouco monótona, que já passou por um fim e um recomeço e que algumas vezes já arrancou mais lágrimas que sorrisos em um período conturbado, não é para qualquer um.

Morri de rir com suas histórias, imaginei o que eu faria em determinadas situações e me reconheci em várias outras. Mas como disse ainda agora, ainda sou do grupo daquelas que não têm tanta coragem assim – comecei a terapia para reconquistar a minha segurança de olhar mais para mim, sem pensar na opinião dos outros.

Confesso que quando era adolescente e todas as minhas amigas amavam a calça jeans, blusa preta e sapato boneca, eu me apaixonava por casacos neon, jaquetas laranjas com estampas de quadrinhos e outras peças nada convencionais. Mas diferente de você, não aguentei ser “repelente” por muito tempo. Sucumbi ao time das covardes e hoje, o básico é a minha segurança.

Secretamente – nem tanto assim, pois já estou conversando sobre isso com a minha psicóloga -, guardo no meu armário algumas roupas totalmente diferentes e inusitadas, que ainda estão com etiqueta, esperando o dia que vou tirá-las lá de dentro e terei coragem de usar o que realmente eu gosto.

Seus relatos me fizeram refletir em como existiriam menos pessoas frustradas no mundo se todos simplesmente deixassem de se preocupar tanto com quem os outros vão pensar ou dizer e passassem a fazer o que realmente desejam.

Terminei o livro com vontade de ter a oportunidade de um dia bater um bom papo com você, de parar de esconder as roupas que eu compro e morro de vergonha de usar, e também de parar me sentir culpada quando entrar em uma loja que eu realmente gosto e sair de lá com uma bolsa ou uma joia que vão durar a vida inteira.

Foi um prazer conhecer um pouco mais sobre você. Lamento pelas críticas negativas que li em alguns sites e blogs sobre o seu comportamento. Nem todos estão preparados para entender que as pessoas são diferentes e que escolhas pessoais – totalmente inofensiva aos demais – não dizem respeito a mais ninguém. O importante é ser feliz!

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