04 de Janeiro de 2017

Entrevista com o escritor Mauricio Gomyde – A paixão pela literatura

Conheci o Mauricio Gomyde quando nós dois estávamos inciando nossa carreira de escritores. Participávamos de um grupo de autores que queriam levar literatura para mais e mais pessoas e dessa maneira, a gente fazia palestras em livrarias e eventos espalhados pelo Brasil. O Maurício sempre foi muito decidido. Lembro que em uma de suas palestras, ele falou sobre a escolha de ser um autor independente e aquilo me deixou encantada. Hoje, ele já tem seis livros publicados. Os quatro primeiros ele fez sem editora, o quinto foi pela Editora Novo Conceito e o sexto pela Intrínseca. Seu último livro – Surpreendente já está conquistando editoras e públicos internacionais. Maurício já foi publicado por Portugal e Itália e já tem contrato com grandes editoras de outros países. Ele merece todo esse sucesso, pois seus livros são romances deliciosos!

Assim como ele, eu também tenho a literatura como uma grande paixão. Diariamente, vejo nas redes sociais diversos escritores – alguns que até já foram publicados por editoras conhecidas – dizendo que a carreira é difícil, que pensam em desistir, que se até determinado momento não conseguirem uma boa editora, que vão deixar a escrita de lado. Eu não consigo nem mesmo pensar nessa possibilidade. Vou escrever para sempre, mesmo que eu tenha que publicar de maneira independente, mesmo que tenha que publicar apenas e-book ou que a minha única possibilidade seja o blog. E se nem o blog existisse, escreveria em cadernos e guardaria para mim. Escrever é quase como respirar na minha vida. E as respostas do Mauricio Gomyde mostram que ele também é assim. A escrita “é “a parte gostosa”, é a que me faz levantar todos os dias.” – como ele disse na entrevista.

Então, se você sonha em ser escritor, leia essa entrevista e se inspire na história do Mauricio Gomyde. Tenha paciência e escreva por amor. Um dia, as coisas acontecem. Se é a sua paixão, não desista dela por achar que não vai dar certo. Siga sempre em frente e “escreva, escreva e escreva”.

– Como começou a sua paixão pelos livros?

Nunca consigo precisar muito o momento em que isso aconteceu. Acho que não houve um “clique”, um fato específico que tenha iniciado a paixão. Acredito que, como acontece com muitas pessoas, a coisa veio gradual. O que sei é que a presença de livros em minha casa sempre foi grande. O exemplo vem de cima, não é o que dizem? Meus pais eram (são) leitores contumazes. E sempre tinha livros por perto. Acho que a vida toda foi em meio a livros.

– E como começou a vontade de escrever?

Na escola, uma das aulas de que eu mais gostava era a de redação. A maioria dos meus amigos detestava e, não sei por que exatamente, eu achava legal escrever os textos. A gente tinha de escrever uma redação por dia (eles mandavam os temas, eram criativos… rs) e nem todo mundo cumpria a meta. Mas eu gostava. Quando resolvi escrever “de verdade”, publicar, essas coisas, tudo saiu meio naturalmente.

– Você começou de maneira independente e hoje está em uma grande editora do Brasil. Também está vendo seus livros serem publicados até mesmo em outros países por grandes editoras. Que conselho você dá para todos aqueles que estão começando e que pensam em desistir ao não conseguirem que os seus primeiros trabalhos sejam aceitos por grandes editoras?

“Ser aceito por uma grande editora” nunca pode ser o norte do trabalho. Eu sei, é clichê, mas um escritor jamais pode ter isso como o grande objetivo. Escrever, escrever e escrever, os três grandes segredos da coisa. E escrever aquilo que te incomoda, que te move, naquilo em que acredita. Sempre acredito que um trabalho feito com honestidade e determinação um dia vai ser lido. E a tal “grande editora” virá até você. Meus quatro primeiros livros foram independentes e nunca os mandei para nenhuma editora (nenhuma mesmo, seja grande ou pequena). E para o 5º livro (A Máquina de Contar Histórias), a editora me procurou. Então, se eu for deixar um conselho sobre isso: se isso te move, não desista.

– Em algum momento da sua carreira você chegou a pensar em desistir?

Nenhum dia. Especialmente, porque escrever não é minha única atividade. Ela é complementar, é “a parte gostosa”, é a que me faz levantar todos os dias. Viver em um “mundo paralelo”, o das nossas histórias, é maravilhoso. Abrir mão disso? Por quê? risos.

– O que é mais difícil e mais maravilhoso nessa profissão?

Não encaro como dificuldades, mas como desafios. Encontrar a voz certa, a trama, as nuances do texto que vai para o papel, a lição que vai ser deixada. Tento sempre me perguntar “por que alguém iria gastar seu rico dinheiro e aplicar seu valiosíssimo tempo nisso?”. Cada vez que entro em uma livraria me pergunto isso. São milhares de títulos, uma infinidade de ótimas histórias, de tudo quanto é tipo. Então, o desafio acaba sendo sempre estimulante, esse de saber que alguém pode ter sua história nas mãos. Por isso, tento sempre dar meu melhor para esse leitor. E acho que o maravilhoso nisso tudo é justamente saber que alguém que você talvez jamais vá encontrar na vida está ali, partilhando de cada linha escrita, de cada ideia, de cada pequeno detalhe que saiu de sua mente. Isso é fascinante!

– Qual foi a maior alegria que a literatura já te proporcionou?

Os amigos. Nada além disso. Novos e maravilhosos amigos, todos os dias.

– Se você pudesse ter uma tarde inteira de conversa com qualquer escritor – vivo ou morto – quem escolheria? Por quê?

Montaigne. Porque acho que ninguém leu o ser humano melhor do que ele. Falava desde questões mais complexas da alma do homem até sobre flatulência… hahaha.

– Quando você está escrevendo uma história, busca colocar nos seus livros mensagens que você acredita que podem fazer a diferença na vida das pessoas de alguma maneira?

Coloco, sim. Tento não soar professoral, até porque eu não sou autoridade moral para isso. Mas falo das relações e sentimentos mais básicos e de senso comum, de felicidade, tolerância, otimismo, autoconhecimento, amor. Acredito que, se estou sendo lido, que fique, além do puro entretenimento, algo para se levar adiante.

– Você acredita que se os brasileiros consumissem mais cultura, mais livros, mais arte, o nosso país teria um cenário diferente do que estamos vivendo atualmente?

Certamente! Quanto mais informada é a pessoa, maior sua capacidade de criticar e filtrar o que chega. Quanto menos cultura, mais fácil manipular. A capacidade crítica das pessoas anda muito baixa. É meio que aquela coisa do “é verdade porque li na revista X ou porque assisti no jornal Y”. Se você próprio não forma sua consciência crítica, acaba incapaz de entender o que há por trás de tudo o que lhe “informam” (com muitas aspas). Isso é desde que o mundo é mundo. Por isso, não acho que haja, por parte de muita gente, interesse em que seja disseminado o hábito da cultura (leitura, música, cinema, etc.). E acho que nós temos um grande problema em não conhecermos nem nossas próprias manifestações culturais. Isso é triste, pois há tanta coisa maravilhosa produzida no Brasil!

– Nessas entrevistas que faço toda quarta-feira, sempre converso com pessoas que foram atrás de um sonho. Acredito que para você a literatura seja uma grande paixão e que a cada nova conquista nesse mundo dos livros, seja mais um sonho realizado. Estou certa? Olhando para o que você faz hoje, para tudo o que conquistou até aqui, você diria que está se tornando o que sempre sonhou? Se não, o que falta para isso?

Eu nunca penso que falta alguma coisa. O caminho se faz caminhando, não é assim que diz o ensinamento? Sigo adiante, vou escrevendo, contando minhas histórias, conhecendo gente, aprendendo, pretensamente ensinando alguma coisa. Em suma, evoluindo. Porque é pra isso que estamos aqui, né? Pra evoluir. Isso não diminui o fato de que tudo o que está acontecendo é maravilhoso. Acho que a literatura tem me trazido uma vida bacana, e não há nada mais prazeroso do que ter uma vida bacana. É um belo sonho e não tenho qualquer vontade de acordar. Risos!

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Gostou da entrevista e quer conhecer os livros do Mauricio Gomyde? Você encontra aqui. Não deixem de ler. O Mauricio escreve de um jeito delicioso e a leitura flui maravilhosamente bem.

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Adoro ouvir histórias de pessoas que tiveram a coragem de transformar um sonho em negócio. Não deixe de ler as outras entrevistas que já rolaram por aqui e não se esqueça que toda quarta tem mais um convidado.

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