28 de Setembro de 2015

Mercado de Opções e os Muitos Mundos em um Mundo só

Oi, galerinha! E eu achando que estava curada da conjuntivite, me enganei. A chatinha continua aqui e fui mais uma vez proibida de sair e repreendida pela escapada da “prisão domiciliar” da semana passada. Fazer o quê, não é mesmo? Mas não é sobre isso que vim conversar com vocês hoje. Enquanto aguardava para ser atendida na clínica de olhos, entrei no grupo dos meus amigos no Whastapp para saber qual era o assunto do dia – eles são sempre bem diversos, vai da discussão de qual é o melhor celular: Iphone ou Samsung, passa pelo que a galera comeu no dia e vai até o mercado de opções – esse último foi o tema de hoje que acabou ajudando a inspirar essa postagem.

investimento

Calma! Se você não gosta do assunto economia, não precisa se preocupar, pois não vou ficar falando sobre o mercado financeiro ou seja lá o nome dado para esse tipo de “investimento”. Mas um dos integrantes dos “Malas” – apelido carinhoso do nosso grupo de amigos – disse que estava acompanhando no “Mercado Futuro” quanto as pessoas estão negociando o dólar – atenção! Me perdoem se eu estiver escolhendo termos totalmente incorretos para falar sobre esse assunto, mas ele realmente não é o meu forte e nem o foco desse texto. Tentei entender o que aquilo queria dizer, e mesmo com todas as explicações do meu amigo, continuei “boiando”. Procurei na internet mais informações sobre esse tal Mercado Futuro e também o de Opções que ouvi falar há pouco tempo.

Sempre gosto de entender – mesmo que assuntos como esse fiquem rodando na minha cabeça como palavras gregas – pelo menos um pouquinho do que ouço por aí.

– Mário, – escrevi para o meu amigo – podemos tentar desenhar o cenário com balinhas?

Tentei dar exemplo com a bala halls em um futuro que seria muito caro produzir a tal bala, para que o meu amigo pudesse me dizer se eu tinha entendido ou não – números  são mais chatos e difíceis para mim -, só não repito exatamente o meu exemplo, pois acho que não devo ter escrito uma coisa muito esperta.

Depois de tentar solucionar o nó na minha cabeça sem muito sucesso, pedi para sair da missão de entender esse tal “mercado do futuro”. A lógica me pareceu muito estranha, complicada e surreal. Mas sei que para muitos é facílima e um ótimo jeito de ganhar mais dinheiro.

Enquanto isso, comecei um papo com outra amiga também no Whatsapp e,  como sempre, debatemos diversos assuntos – desde os shows do Rock in Rio, passando pela qualidade de eventos caros e de grande porte, até o que faríamos com o dinheiro se ganhássemos 2 milhões de reais de repente (vocês também conversam sobre coisas aleatórias assim com os amigos de vocês? ) e esse último assunto rendeu tanto quanto no outro grupo tinha rendido o tal Mercado do Futuro.

dois milhões

O que pude perceber nas duas conversas, é que mesmo que a gente viva no mesmo círculo de amigos, que tenhamos estudado na mesma escola e que nossa amizade seja de anos e mais anos, ainda assim vivemos em mundos totalmente diferentes. Não é a classe social, nem a educação ou quem convive com a gente que definem o jeito que enxergamos as coisas e os nossos gostos. São as nossas experiências, inspirações, o foco, e também quem escolhemos seguir de exemplo. Podemos ser da mesma família, melhores amigos, ou conviver durante toda a faculdade como unha e carne e ainda assim, provavelmente teremos visões completamente diferentes de tudo.

“É mais certo” gastar seis mil reais em uma viagem para um Resort em Porto de Galinhas, em um cruzeiro pela Europa, um investimento para o futuro, ações, uma bolsa Prada ou em uma festa de final de ano no Copacabana Palace para duas pessoas?

Você vai responder uma coisa, seu melhor amigo outra e sua mãe terá uma função totalmente diferente para a mesma quantia em dinheiro e ainda vai perguntar se estou maluca de dar essas opções tão irresponsáveis. Vivemos no mesmo país, na mesma cidade e muitas vezes na mesma casa, mas cada um de nós tem o seu próprio mundo, as suas próprias convicções sobre o que está certo ou errado.

Acho que é por isso que eu sempre procuro entender mais sobre o que alguém está falando, para tentar conhecer aquele mundo que pode ser tão diferente do meu. Tudo o que eu procuro saber sobre blog e Youtube, pode parecer tão grego para minha mãe e meus melhores amigos quanto o tal Mercado do Futuro pareceu para mim. Muita gente vai continuar achando que carteira assinada, o emprego tradicional é a melhor opção e que “essa coisa de internet é a maior furada”, enquanto você está conectado desde que nasceu e tem a certeza que esse é o futuro, o que ama fazer e a sua principal fonte de renda. Quem está com a razão?

Sinceramente, acredito que o certo ou errado simplesmente não existem como verdade absoluta. Cada um vai ter uma opinião sobre a violência, fome, políticos, religião, estudo, trabalho, futebol, o que fazer com 2 milhões de reais, restaurantes, como gastar dinheiro, como ganhar dinheiro, roupas, estilos, passado, presente, futuro, crise, o melhor celular, economia, e por aí vai. Basta apenas que a gente não tenha a arrogância de achar que o nosso mundo é o melhor e que todos precisam enxergar as coisas da mesma maneira que a gente vê.

mundinhos

Para que política, religião, opção sexual, futebol não sejam assuntos que não se possam discutir, as pessoas precisam querer explorar o “planeta” vizinho da mesma maneira que querem expor os seus. Mesmo sem estar sempre de acordo com as leis, ordens e campanhas do mundo dos meus amigos, conseguimos manter a paz, a amizade e a compreensão.

Intolerância, preconceito, ódio por uma opinião diferente da nossa é a mesma coisa que uma guerra entre nações. Nesses tempos de Fla x Flu eterno nas redes sociais, desfazemos amizades, trocamos farpas e palavras que machucam como se estivéssemos em uma batalha que precisamos sair vitoriosos e os nossos “inimigos” (aqueles que pensam diferente) perdedores.

Torço para que todos os dias mais mundinhos levantem a bandeira branca e tentem conhecer mais do outro, que tentem entender o motivo de serem tão diferentes. Dessas explorações podem sair novas ideias, trabalhos, soluções, alianças. Isso seria muito mais positivo do que bater cabeça em algo que só afunda e nos leva cada vez mais para o buraco, não acham?

E esse texto nada mais é que uma reflexão de uma Fernanda com conjuntivite, sozinha em casa, sem ninguém para conversar durante o dia. =)

 

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