29 de Setembro de 2015

Minha mãe me castigou com livros de colorir

Bom dia!!!!! Animados com o início da semana? Então, senta porque lá vem história!

– Pai, hoje é aniversário do grupo Só no Sapatinho – pois é, eu era viciada em pagode na adolescência!! Me julguem! kkkkkk… Nessa época, estava com 14 anos. “Só no Sapatinho, ô ô, Só no Sapatinho, ô ô! – , todas as minhas amigas vão, posso ir?

Só no Sapatinho

Naquela época, minha mãe fazia pós em São Paulo e eu era esperta, sabia que meu pai nunca esquentava com nada e não tinha aquelas frases que minha mãe amava soltar o tempo inteiro “você não é todo mundo”, “Sou sua mãe, não das duas amigas!” e por aí vai…

Percebendo que meu pai não sabia o que responder, insisti.

– Vai ser bem legal! Você pode me levar e me buscar – e aí pensei em uma ideia brilhante, que foi a jogada final. – Você pode me buscar na hora que minha mãe estiver voltando – sim, ela voltava naquele dia! – e eu vou com você na rodoviária para buscar ela.

– Tá bom!

– Uhuuuuuuu!! – e lá fui eu contar a novidade para todas as minhas amigas.

No horário combinado, minhas amigas chegaram na minha casa e fomos “de carona” com meu pai para o Pagode da Telerj  – oh céus!!!!! – , para o tão badalado show de aniversário do Só no Sapatinho.

Naquela época, não existia ainda celular – ai, que velha!! – , tinha combinado um horário com meu pai, alguns minutos antes da chegada da minha mãe. Tinha pensado em tudo, para não dar nenhum problema.

A Fernanda Pagodeira com o Andrezinho do Molejo

A Fernanda Pagodeira com o Andrezinho do Molejo e a minha roupa brega!! O que era isso, senhor?!

A apresentação do show, era feita por um radialista MUITO famoso na época. Tiveram diversos shows antes da atração principal – acho que eram convidados do Só no Sapatinho –  e nós estávamos igual pinto no lixo, nos divertindo pra caramba. Estava conversando com minhas amigas, quando de repente…

– Atenção, Fernanda Belém, sua mãe está aqui em cima do palco procurando você.

O ginásio inteiro gritou.

Mico!!! Desespero!!! O que mamãe está fazendo em cima do palco?!

Olhei desesperada para o alto e pude ver aquele pontinho pequeno, olhando para a multidão tentando me encontrar. Minhas amigas, assim como eu, também não sabiam o que fazer.

– Fernanda Belém, sua mãe vai te aguardar na saída do clube.

– Ferrou tudo! Vamos logo – chamei as meninas.

Chegamos no carro, e quando minha mãe chegou me olhou enfurecida, mas não disse uma palavra. Silêncio por todo o caminho. Ninguém ousou dar um pio.

Já em casa, ela continuou sem dizer nada. Fui dormir sem saber o que ia acontecer comigo. “Será que a gente nunca mais vai se falar?” – era o que eu ficava pensando.

Mas no dia seguinte… O castigo chegou.

– Você vai ficar dois dias sem sair de casa – estava de férias, mas até então… Dois dias era um castigo tranquilo! – , ouvindo música clássica – mamãe pirou? –  e pintando esse livro – me entregou um livro cheio de mandalas para colorir. – Vamos ver se dessa maneira você aprende a gostar do que presta e passa a ter um gosto musical melhor. Pintando esse livro durante dois dias, você vai ter tempo para pensar sobre a sua atitude, o lugar que se enfiou e vamos ver se aprende a tomar decisões mais acertadas da próxima vez.

Mandalas para colorir

Minhas amigas me zoaram a vida inteira por causa desse meu castigo tão diferente. Mas não precisei de palmada ou de muitos dias sem descer para o play ou sem ver minhas amigas. Foram dois dias de reflexão (risos!!).

Trauma de música clássica ou de livrinhos de colorir?

Claro que não. Acho que naquela época, o trauma ficou por conta do pagode, que fui ouvindo cada vez menos. E depois de um tempo, já nem sabia mais quais eram os grupos do momento.

Hoje, continuo ouvindo música clássica, volto ao passado e adoro lembrar das aventuras da Fernanda de 14, 15 anos quando escuto um daqueles pagodes antigos e, pelo visto, também não fiquei nem um pouco traumatizada com livros de colorir.

livros de colorir

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