22 de Dezembro de 2015

Minha visita ao colégio Salesiano Santa Rosa

No ano passado fui convidada a dar uma palestra na minha antiga escola, Colégio Salesiano Santa Rosa e foi uma emoção tão grande, que escrevi uma crônica assim que cheguei em casa, com o coração transbordando de nostalgia. Espero que gostem! =)

Ah, se eu tivesse uma máquina do tempo! Alguém já sentiu uma nostalgia tão, tão grande, que chega a comprimir o peito com uma saudade danada de coisas que ficaram para trás?

Claro que já me senti nostálgica, com saudades de pessoas, momentos, experiências… Mas voltar até a minha antiga escola, passar por aqueles mesmos lugares, sentir os mesmos perfumes, encontrar antigos professores… Deu uma vontade quase desesperadora de encontrar uma máquina do tempo e voltar para os meus 11, 12, 13 anos.

Entrar no Salesiano, caminhar pelo pátio que passou por pouquíssimas mudanças, olhar as portas que ainda são azuis, o chão vermelho, ter a oportunidade de ir até a minha primeira sala de aula em um colégio grande, foi emocionante.

Salesiano

As lembranças me pegaram de um jeito tão forte, que fui capaz de lembrar de momentos que aconteceram há exatos 20 anos, como se tivessem acontecido ontem mesmo. Não é estranho?

Recordei as sensações, os primeiros amores, as paixões platônicas, as risadas, as minhas transformações físicas. Olhei para o pátio vazio, e senti um arrepio tão grande, todos aqueles do meu passado, pareciam estar ali mais uma vez, nas redinhas de vôlei, nos corredores, nas salas, na cantina.

Não sei explicar, mas foi uma sensação totalmente diferente para mim. Sabe aqueles filmes que a personagem do futuro encontra com a personagem do passado e as duas conversam sobre o que virou ou não realidade em suas vidas? Como a Dona da História – amo esse filme… Já viram? Senti como se estivesse vivendo exatamente essa experiência.

Nos corredores vazios, sentia como se pudesse cruzar a qualquer momento com a Fernanda de arco vermelho e aparelho nos dentes, sempre com sorriso fácil e com a cabeça no mundo da lua. Passei pelas salas dos meus primeiros príncipes encantados e também tive a mesma sensação, era como se eles estivessem ali, com todo aquele jeito meio arrogante de quem estava saindo da infância e começando a descobrir o mundo.

E naquele momento, senti uma saudade tão grande daquela época que ainda não sabia de nada da vida… Festa americana, dança da vassoura – era o momento mais esperado da noite! Quando todo mundo dançava juntinho e uma pessoa sobrava e segurava uma vassoura, que nunca era uma vassoura de fato, mas um copo ou qualquer outro objeto -, bilhetinhos anônimos que eram deixados nas mochilas dos pretendentes, as primeiras conversas, as primeiras trocas de olhares, as fotos que eram tiradas escondidas e que eram plastificadas depois de reveladas, para ficarem guardadas para sempre…

E a cada lembrança, o peito apertava. Era uma época tão gostosa, os celulares não existiam, nem a internet – ok, estou velha pra caramba!! – os relacionamentos com os amigos eram fortes de verdade – tão forte que as minhas amigas daquela época foram as minhas madrinhas de casamento -, eram amizades para a vida toda. O mundo rodava mais devagar. A gente vivia mais, não passávamos tantas horas atrás de telas de celulares ou computadores.

Saí do Salesiano como quem sai de uma máquina do tempo. Se tivesse encontrado a Fernanda de 11 anos, teria dito para ela fazer tudo exatamente igual. Que aproveitasse ao máximo todos os momentos, que não tivesse vergonha de brincar, de se divertir com pequenas coisas, que não tivesse medo de ficar com o coração despedaçado e que se apaixonasse mesmo, todos os dias! Diria para ela que tudo deu certo e que mesmo depois de 20 anos, ela ainda conservaria a alma de criança, uma certa inocência, a confiança nas pessoas e um baú enorme de lembranças e memórias de todos os momentos especiais.

Se um dia construírem uma máquina do tempo, se eu tiver apenas um dia para voltar para qualquer lugar do meu passado, vai ser o pátio da escola, em um dia qualquer, que vou querer estar. Mais uma vez sem celular, sem internet, vendo a vida passar bem mais devagar.

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