26 de Fevereiro de 2017

Na estrada para Rio das Ostras…

Tem lugares que me lembram minha vida, por onde andei. As histórias, os caminhos. O destino que eu mudei”. Essa música da Rita Lee é uma daquelas que conversam com a minha alma, sabe? Viemos passar o carnaval na casa da minha sogra, em Rio das Ostras. No caminho, passei por um dos lugares que conheci quando era adolescente e que passei férias de verão. Fiz mais uma daquelas minhas viagens ao passado e lembrei dos meus sonhos de menina, de como eu me sentia naquela época, do pouco que tinha vivido e da falta de ideia sobre tudo o que ainda viveria em todos esses anos. Fui lembrando, pensando e sonhando.

É engraçado. Não sei se essas coisas acontecem apenas comigo ou se com todo mundo é assim. Mas lembranças sempre me deixam com essa sensação de viagem no tempo. Lugares, perfumes, músicas… Todas essas coisas são como um passaporte para uma viagem ao passado. Acho tão legal recordar com carinho momentos que vivi, pessoas que conheci.

Olhei aquele condomínio, enquanto passávamos pela estrada e me lembrei dos dias que passei ali quando tinha 15 anos. Estava descobrindo um mundo novo. Estava passando por aquela fase que não sabemos se somos crianças ou adultos. Vivi ali amizades, um amor de verão, férias cheias de diversão, despedidas…

Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Quase vinte anos separam aquela Fernanda de 15 de quem sou hoje. Aquele condomínio, perdido no meio da estrada foi como uma chave mágica para um breve encontro entre nós duas.  A sensação que eu tenho quando esse tipo de coisa acontece é a de que em algum outro plano de tempo, tudo está acontecendo novamente. E novamente. E novamente.

E o mais legal de tudo isso é saber que eu nunca, jamais, pediria para que a Fernanda de 10, 15, 18, 22 e por aí vai… mudasse alguma de suas escolhas. Amo ter esses momentos de nostalgia, de assistir o meu passado como se estivesse vendo um filme em uma tela de cinema. E assisto com alegria, pensando em como cada um daqueles momentos me marcaram de alguma maneira, como me transformaram como pessoa, como mudaram alguma coisa em mim.

É tão legal lembrar de como eu era quando vivi aquele verão. Da minha aparência, meus pensamentos, medos, sonhos. Naquela época, não imaginava que naquele mesmo ano, seis meses depois, eu conheceria um menino que me ensinaria de verdade o que era o amor e que muitos anos depois seguiríamos juntos, como marido e mulher. Não sonhava que seria jornalista e muito menos escritora. Não poderia imaginar que todas as histórias que estava vivendo, seriam fonte de inspiração para livros. Não tinha ideia que tudo aquilo que escrevia nas minhas agendas, seriam motivo de risadas e lágrimas no futuro. Nem que o meu céu estrelado seria o motivo de suspiro de muitos leitores.

Acho que desde pequena, eu aprendi a ver a vida como uma tela em braco que eu precisava pintar todos os dias. Nunca deixei que a minha tela ficasse branca, sem cores, sem profundidade. Por isso, sempre busquei viver cada um dos dias com muita entrega, muita intensidade. E acho que é por esse motivo que quando faço essas viagens ao passado, sinto essa sensação gostosa de estar assistindo a um filme apaixonante. É uma delícia essa sensação.

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