28 de Setembro de 2016

Não esqueço aquela época da escola

“Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”

Enquanto mais uma vez fazia uma limpa no meu e-mail (é a minha tarefa noturna diária, desde que resolvi colocar ordem na vida), encontrei uma foto do dia que dei palestra no Colégio Salesiano e aquela sensação de nostalgia voltou a tomar conta de mim. Ontem mesmo, estava conversando com Vinicius sobre como o tempo está passando cada vez mais rápido. E é claro que a cada ano que passa, a saudade do que ficou lá atrás fica ainda maior.

Lembro que quando era novinha, até mesmo bufava quando algum adulto insistia em dizer “um dia você vai sentir falta de tudo isso”. Lembro que achava que eles eram doidos. Como alguém pode pensar em sentir falta da escola? Exercícios, professores nem sempre bonzinhos, provas, espinhas, ter que pertencer a um grupo, ter que ser bom na maioria das coisas, ter que ser popular e por aí vai. São tantos os desafios que temos que enfrentar quando estamos na escola, que nunca entendi como alguém sentia saudades de tudo aquilo. Hoje eu entendo.

Salesiano escola

Olho para trás e morro de saudades daquela época da escola. Do tempo que eu saía correndo da sala no último horário para não perder o primeiro capítulo de Malhação (Meu Deus! Lembro desse dia até hoje. Eu era da quinta série!!!) e depois todos os outros. Do tempo que me escondia atrás das pilastras do segundo andar do Salesiano para fotografar meu amor platônico enquanto ele jogava vôlei. Do tempo que a pipoca de microondas era a grande novidade do momento e o meu lanche preferido na hora do recreio. Do tempo que os amores eram absurdamente dolorosos e nunca eram reais. Do tempo que as amizades eram presença diária na minha rotina. Do tempo em que a maior aventura do mundo era matar aula escondida no play do prédio, rezando para não ser achada. Do tempo das festas americanas.  Do tempo dos bilhetinhos anônimos, dos presentes comprados para aquele primeiro amor. Do tempo que ainda pegava ônibus escolar, pois não era seguro ir para casa sozinha. Do tempo  que a gente achava que sabia tudo do mundo, quando na verdade a gente não sabia nada.

Saudades da época que eu escondia o boletim e rezava para que a minha mãe nunca encontrasse. Da época que eu escrevia todo o meu dia nas minhas agendas, como se todos aqueles acontecimentos fossem os mais importantes da minha vida.  Da época que as férias de verão vinham com a expectativa da Colônia de Férias e dos amores… Ah, sempre os amores!

E como não sentir saudades da expectativa do primeiro beijo, da primeira viagem só com as amigas, do primeiro amor de verão, do primeiro namorado?

Sinto saudades daquela calmaria, de sentir a vida passando mais devagar, de nenhuma pergunta – a não ser a do professor – ter que ser respondida tão imediatamente como é hoje. Na minha época ainda não existia o celular, nem o e-mail. Eles só surgiram quando eu já estava no final do segundo grau.

Como sinto falta das cartas, das letras das pessoas, das conversas bem presentes, sem que ninguém ficasse com um celular nas mãos falando com quem não estivesse ali. Sinto saudades das máquinas de filme, pois como elas só tinham 16, 24 ou 36 poses (acho que era isso) e a revelação não era tão barata, escolhíamos a dedo o que valia a pena fotografar. As fotos eram feitas para guardar aquele momento para sempre e não para exibir momentos que nem estávamos tão presentes assim.

Acho que cada novo jovem adulto começa a sentir falta do seus tempo de criança, do seu tempo de escola.  Conforme o tempo passa, as novas gerações já não são mais como as anteriores e o saudosismo de quem já não é mais estudante, vai ficando cada vez maior.

Já não tem quadro de giz, daqui a pouco os quadros brancos também terão sumido, assim como os cadernos. Tudo vai evoluindo e ficando mais e mais tecnológico. As enciclopédias viraram o Google.

Talvez, eu já seja uma daquelas pessoas adultas que eu tanto torcia o nariz quando era mais nova, mas sinto tanta falta da minha época, de tudo o que foi e já não é mais. Olho para o hoje e lamento por ser tudo mais rápido, mais prático, mais fácil. Sinto falta das minhas escolas e de tudo o que vivi naquela época. Do tempo que o esporte, a música, o teatro e a dança eram valorizados. Da época que as quadras do Salesiano viviam cheias de gente querendo jogar, do tempo que os pais não tinham medo que os filhos brincassem, que um joelho ralado era sinal de diversão e aventura.

Nunca vou esquecer a minha época da escola.

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