21 de Agosto de 2016

Nunca vou esquecer o ouro do futebol nas Olimpíadas 2016 – Eu estava lá!!

Até o início da tarde de ontem eu ia assistir a final do futebol em casa. Estava com Vinicius decidindo se a gente ia para um barzinho ou comprar coisas para petiscar em casa na hora do jogo. De repente, Vinicius recebe uma mensagem do nosso amigo, dizendo que o amigo dele não poderia ir ao jogo e que queria vender o ingresso por menos da metade do preço. E foi assim que me vi correndo para o Maracanã, para assistir do melhor lugar do mundo a final do futebol masculino nessas Olimpíadas. E uma coisa eu tenho certeza, nunca mais vou esquecer esse dia.

Confesso que desde 2010 eu “abandonei” o futebol. Digo abandonar, pois antes eu era completamente apaixonada por esse esporte. Não perdia um jogo, sabia tudo o que acontecia nos bastidores, frequentava os treinos para escrever no meu blog, implicava com meus amigos que torciam para outros times, entendia os esquemas táticos e sofria de verdade com gols perdidos, derrotas e me revoltava quando via que algum jogador fazia corpo mole. Mas aí, em 2010, resolvi deixar de lado aquela paixão. Passei a ver menos os jogos, deixei definitivamente de ir ao Maracanã, parei de escrever no Bela da Bola, não tinha mais implicâncias para fazer com meus amigos e não sofria mais com nada. Quase virei uma daquelas pessoas que costuma falar “não sei que graça tem assistir esses caras atrás de uma bola”. E hoje, sou uma pessoa que não sabe quem são os jogadores do seu próprio time e que não conhecia ninguém além de Neymar e Renato Augusto nessa Seleção.

Maraca

Mas aí as Olimpíadas chegaram. Vinicius quis comprar o ingresso da semifinal do futebol masculino no Maracanã e eu topei. Ainda não tinha voltado lá desde a reforma e quando cheguei, meu coração bateu diferente. Que saudades daquele lugar, daqueles corredores, daquele gramado, daquele esporte! Quando o hino começou, a emoção veio de um jeito difícil de segurar. Somente o esporte é capaz de juntar tanta gente ali, cantando junto, vibrando, torcendo. Estava lá do alto e não conseguia enxergar muito bem quem era quem, nem mesmo achar o Neymar eu conseguia. Mas não importava. Eu estava ali. E as músicas de provocação da torcida brasileira implicando com os argentinos que nem mesmo eram os adversários do Brasil naquele momento, me fizeram ter saudade de toda a rivalidade com os outros torcedores que não vestem rubro-negro.

O jogo acabou e lá eu fiquei. Sentada, vendo o estádio esvaziar, tendo quase uma conversa com o meu Maraca querido. Antes de levantar para ir embora, olhei o gramado vazio e pensei, eu vou voltar. Eu voltei!

E aí, como contei lá no início, estava triste, sem ingresso para a final até que o meu amigo apareceu com a grande notícia de que eu poderia voltar. Dessa vez, sentei pertinho do gol, conseguia enxergar quem era quem e a emoção foi ainda maior.

Fui uma das pessoas que criticou essa Seleção, que disse que os meninos não estão com nada, que são individualistas, que estão mais preocupados com a imagem do que com a bola no pé. Tudo bem, algumas dessas críticas podem até mesmo ser verdade, mas lá no campo estavam meninos, não heróis. E como todo menino eles erram, são quase perfeitos, são os piores do mundo e tudo isso em apenas 90 minutos. A cada jogada um sentimento. A cada passe uma crítica ou o melhor dos elogios.

Até ontem, eu nunca tinha visto Neymar jogar ao vivo. Já tinha visto pela TV, óbvio, mas dali, da arquibancada do Maracanã, vi um menino magrinho fazer mágica. Muita gente bate nele, critica a todo momento, mas como ele mesmo disse ontem “vocês vão ter que me engolir”, vão ter mesmo. Que me desculpem os críticos, mas Neymar tem  MUITA habilidade e um talento que é bonito de ver. Não é perfeito e não pode ganhar sempre. Mas nenhuma derrota pode desmerecer o que esse menino tem de bom. Talentos merecem palmas. Isso ele tem para dar e vender. Isso é indiscutível. Errar faz parte da vida.

Mas ontem ele “não errou”. Mesmo com passes tosquinhos e jogadas perdidas de um ou outro jogador – inclusive dele -, nós conquistamos a nossa primeira medalha de ouro no futebol. E eu estava lá. Para nunca esquecer. No mesmo Maracanã que eu vi PAN, Libertadores, Campeonato Brasileiro, Carioca, que presenciei a nossa tosca derrota para o América do México, que entrevistei Zico, Rivelino, Adílio, Edmundo, no mesmo Maraca que já fui sozinha, com amigos, com Vinicius, o estádio que tem tantas histórias e que me enche de lembranças, agora me deu mais uma. O primeiro ouro do Brasil no esporte que eu sempre amei.

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