19 de Agosto de 2015

O dia que paguei mico com Carlos Eugênio Simon

Ah, o mico! Quem nunca cometeu uma gafe que atire a primeira pedra. No final de 2012, lá estava eu, totalmente feliz por ter conseguido o credenciamento para uma convenção global de futebol – a Soccerex. Lembro a minha empolgação ao pensar que no dia seguinte estaria cercada por pessoas que respiram esse esporte. É um evento com exposição de marcas, palestras de profissionais do mundo inteiro, um lugar que eu queria aproveitar ao máximo para trocar contatos e aprender. Na noite anterior ao evento, li a programação e comentei com meu marido – que naquela época ainda era noivo:

soccerex 3

– Caramba, Vi! Viu quanta palestra legal? Vou saber mais sobre a categoria de base do Barcelona, ver de pertinho jogadores que foram ídolos mundiais, grandes profissionais de marketing… Estou ansiosa!

soccerex Zagalo

– Vê se não vai confundir os nomes de jogadores, falar o que não sabe e acabar pagando mico lá – aconselhou enquanto lia os nomes de todos os palestrantes.

– Até parece, Vi! Eu entendo de futebol.

E era verdade. Desde novinha, cresci assistindo o Flamengo jogar. Com onze anos, entrei para o futebol da escola e também para o de praia. Era o esporte que mais gostava e foi também por isso que na época da faculdade, decidi criar o meu blog para falar sobre aquele assunto. Comprei livros, passei a assistir mais jogos, tive a oportunidade de aprender um pouquinho melhor sobre esquemas táticos com alguns técnicos e jornalistas durante as pré-temporadas. E a cada dia me sentia mais e mais entendida daquele assunto.

No dia seguinte, lá fui eu para o Forte Copacabana sozinha e feliz. Tentei organizar a minha programação para aquele dia. Eram tantas coisas que eu queria ver, tantas palestras em diferentes salas para assistir. Tudo corria maravilhosamente bem. Conversei com algumas pessoas de diferentes áreas, troquei diversos cartões de visita, ótimas oportunidades de Networking até que…

soccerex

– Oi, você sabe em que lugar eu encontro esse fone? – perguntou um cara simpático, querendo também garantir a tradução instantânea para a próxima palestra.

– Do lado esquerdo da porta, é só entregar a sua identidade e elas te dão um desse – respondi também com simpatia.

Segundos depois ele estava de volta. Sorriu para mim mostrando que tinha conseguido garantir o dele e sentou na cadeira na minha frente. O auditório ainda estava vazio, ele acabou virando para trás e puxou conversa comigo.

– Você trabalha com futebol? – perguntou.

– Aham! Sou jornalista, tenho um blog desde 2006, adoro esse esporte, acompanho tudo.

– Que legal. Qual é o nome do blog?

Aproveitei a oportunidade para entregar uma filipeta que havia feito do Bela da Bola justamente para aquela ocasião. estava totalmente orgulhosa de falar sobre o meu site para um desconhecido, mas provavelmente amante do futebol e possível futuro leitor.

filipeta Bela da Bola

– E você? Trabalha com futebol também? – perguntei, querendo que ele também pudesse ter seu momento de orgulho.

Mas nos milésimos de segundos entre a minha pergunta e a resposta dele, senti que tinha feito alguma besteira. Primeiro, o silêncio. Depois um comportamento um pouco desajeitado, como se ele tivesse sido pego de surpresa, um questionamento que ele nunca imaginou ter que responder em um evento exclusivamente sobre futebol.

– Hum… – tossiu. – Hoje, trabalho na Fox Sports – disse.

Tentei pensar rápido, mas meus pensamentos eram nervosos e aflitos. Meu Deus! Será que é um jornalista esportivo famoso e eu estou falando que tenho um blog de futebol desde 2006 e não sei nem quem ele é?! Meu Deus! E agora? Será que finjo que agora sei quem ele é, mesmo sem saber. Será que isso vai dar certo? Já sei! Que burra! Por que não fiz isso antes? É só tentar dar uma olhada de maneira disfarçada para o crachá dele.

Todo mundo tinha seus nomes expostos na identificação pendurada no pescoço.  E com aquela brilhante ideia, abaixei o meu olhar e senti o sangue subir rapidamente e esquentar as minhas bochechas.

Não!!! Não, não não, não! Bem que Vinicius me avisou. Como posso gostar de futebol e não ter reconhecido o “cara simpático”? Como?

Salva pelo gongo, o auditório ficou cheio em poucos instantes e a palestra começou. Não coloquei o tradutor no ouvido e nem precisava, não consegui prestar atenção em nenhuma palavra daqueles profissionais. Pensava em uma maneira de arrumar aquela gafe, mas nada vinha na minha cabeça. Uma hora passou como um segundo e logo abriram para perguntas. Adivinha quem levantou o dedo? Claro! O cara simpático.

– Boa tarde! Sou Carlos Eugênio Simon, trabalhei como árbitro de futebol durante anos, tive oportunidade de apitar duas Copas do Mundo e hoje, trabalho como comentarista na Fox Sports e gostaria de perguntar… – continuou a falar e eu fui me encolhendo na cadeira, querendo desaparecer, sumir daquele lugar.

Que mico!!  

Quando sentou, deu uma olhadinha para mim, meio de rabo de olho e sorriu. Saí de fininho assim que as perguntas terminaram e resolvi não perguntar para mais ninguém se trabalhava ou não com futebol.

Aprendi naquele dia o que quer dizer aquele ditado que diz: “em boca fechada não entra mosca”.

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