28 de Julho de 2016

O Gringo que não era gringo – Meu mico em Buenos Aires

Acho que consigo facilmente escrever um livro bem grosso só com os micos da minha vida. Aqui mesmo no blog eu já contei três – o da Xuxa, do Carlos Eugênio Simon e o da minha entrevista de estágio no Jornal Lance! . Sei que já devo ter contato alguns outros também, mas que não vou lembrar agora. Mas o que vou contar hoje foi mais um desses micos básicos que uma pessoa faladeira e avoada como eu acaba pagando algumas vezes ao longo da vida. O mico de hoje envolve um gringo que não era gringo em uma boate de Buenos Aires.

Estão prontos para a história?

Na minha primeira vez em Buenos Aires – em 2010 -,  começou a minha história de carinho com a cidade e com os argentinos.

Passamos dez dias por lá. No penúltimo, ainda não tínhamos feito nenhuma noitada e eu e Vinicius adoramos sentar em um barzinho e ficar conversando por horas. Mas não tínhamos feito aquilo até então, pois como ainda não conhecíamos Buenos Aires, estávamos aproveitando para passear o máximo possível e passar uma noite em claro, tomando cervejinha, não ajudaria a acordar cedo no dia seguinte. Como pegaríamos o voo na manhã daquele último dia, resolvemos aproveitar a noite do anterior e fomos para um barzinho em Palermo.

De repente, uma fila começou a ser formada bem ao lado do bar que estávamos sentados. Perguntei ao garçom o que era e ele explicou que era uma boate – lá as pessoas entram para as noitadas a partir das duas da manhã. Ficamos animados para conhecer uma noite portenha e não pensamos duas vezes antes de entrar na fila.

Já comecei a puxar assunto com duas argentinas que estavam atrás da gente – adoro socializar, principalmente em viagens. Preciso deixar claro que o meu espanhol é péssimo, mas na época eu estava começando o intermediário no curso de espanhol e achava que estava arrasando. As meninas entendiam um pouco do que eu falava e já lá dentro da boate, continuamos junto com elas. O lugar era enorme – dois andares – e foi tudo bem divertido. Já quase de manhã, um menino começou a falar com as nossas duas novas amigas. Elas não estavam entendendo o que ele estava falando e eu fui tentar ajudar (?).

Argentinas Palermo

A pessoa bem esperta aqui foi falar com ele em espanhol. Se as argentinas já não entendiam o que ele falava, não sei o que passou na minha cabeça para falar com ele em espanhol, já que provavelmente não era a língua que ele falava. E assim aconteceu a conversa:

-Hola! – eu, totalmente animada para treinar a minha pronúncia e ainda servir de cupido.

– No hablo español – ele fez uma cara de quem estava pedindo desculpas.

Fiz sinal para ele esperar.

– Vi, fala com ele em inglês. Ele não é argentino, não fala espanhol – chamei Vinicius para assumir o papel de intérprete e cupido.

– Mas da onde ele é? – Perguntou Vinicius um pouco em dúvida.

– Acho que é americano, sei lá.

E aí veio a melhor parte da noite.

Vinicius começou a falar em inglês com ele, mas vou colocar toda a conversa em português para evitar a fadiga de ter os dois trabalhos – escrever em inglês e colocar a tradução ao lado.

Vinicius: E aí! Fala inglês?

Suposto gringo: Sim, inglês, sim! Muito difícil a comunicação por aqui. Todo mundo só fala espanhol. É difícil achar alguém que saiba falar inglês.

Vinicius: Quer ajuda para falar com uma das meninas?

Suposto gringo: Ela é amiga de vocês? – apontou para uma das meninas que estava com a gente.

Vinicius: Conhecemos elas na fila, gente boa.

Suposto Gringo: Pergunta para ela se ela gostou de mim.

Vinicius: Fernanda, fala aí com a menina! Ele está querendo saber se ela ficaria com ele.

Fernanda e o ótimo – só que não – espanhol: Gostou dele?

Menina argentina: Ah, não sei!

Fernanda para Vinicius: Ela não sabe.

Vinicius para o suposto gringo em inglês: Ela não sabe. Tenta desenrolar em inglês mesmo, mais fácil do que ficar aqui de intérprete.

Suposto Gringo: É, né? Mas já estou até desanimado. Vocês são daqui?

Vinicius: Não. É a nossa primeira vez em Buenos Aires.

Suposto Gringo: A minha também. Estão gostando?

Vinicius: Estamos, sim.

Fernanda se metendo na conversa, tentando agora falar em inglês, um inglês horroroso: Estamos amando!! Conhecemos …. (e aqui eu falei praticamente todo o nosso tour pra ele)

Suposto Gringo: Que legal! Já fiz… ( e aqui ele falou todo o roteiro dele também em inglês).

E nesse momento, resolvo fazer a pergunta que tinha que ter sido a primeira pergunta de todas.

Fernanda: Da onde você é?

E vem a resposta:

Suposto Gringo com sotaque carregado de gringo, falando pausadamente, para fazer gringo entender:

M-A-T-O  G-R-O-S-S-O.

Vinicius: Você está de sacanagem.

Suposto Gringo que não era gringo: Vocês também são brasileiros?

Gargalhadas infinitas, abraços como se tivéssemos reencontrando um amigo do passado e argentinas sem entender absolutamente nada. É claro que eu não poderia sair de Buenos Aires sem pagar um mico, né?

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Na saída da boate, ainda ficamos conversando com todos do lado de fora, conversamos com outras pessoas também que estavam saindo, tiramos fotos como se todos fossem grandes amigos de sempre e guardamos na memória mais uma história engraçada para contar.

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