17 de Fevereiro de 2016

O prazer de comer bem

Se olhar a linha do tempo da minha vida existem duas Fernanda – a de antes de conhecer Vinicius e a que veio depois dele. Além de colorir os meus dias, de fazer de mim uma pessoa mais apaixonada, ele também abriu o mundo da gastronomia para mim e me ensinou a comer bem. Na primeira fase do nosso namoro foram coisas simples, depois do nosso reencontro e do casamento, foram muitos novos sabores.

Conheci Vinicius com 15 anos, naquela época se existia uma pessoa chata para comer ela se chamava Fernanda. E isso vinha desde pequena, tanto que quando eu estava com uns oito anos, minha mãe me levou ao médico para reclamar da minha chatice na hora das refeições. Lembro como se fosse ontem dele falando: “Não faça mais dois cardápios na casa de vocês, ela precisa aprender a comer de tudo”. Seguindo as ordens médicas, perdi meus pratos favoritos e passei a ser obrigada a experimentar legumes e verduras que me faziam sentir vontade de vomitar só de cheirar. Resultado? Me trancava no meu quarto, fingia que almoçava, mas jogava toda a comida pela janela – e além de ser um desperdício, era uma falta de noção sem tamanho, pois tudo caía no play. Depois da traquinagem, saía sorridente e exibia o “prato limpo”para minha mãe. Não demorou muito para que uma carta chegasse na nossa casa revelando a minha “esperteza” e para que as ordens médicas fossem para o espaço com minha mãe preocupada com a minha desnutrição.

contra-file-grelhado

Quando conheci Vinicius eu não comia pão, as pizzas só podiam ser de muzzarela sem nenhum outro recheio e eu não experimentava nenhuma das guloseimas que todos os adolescentes amavam. Por conta disso, eu era extremamente magra. Quando vejo as minhas fotos do passado, só enxergo cabeça.

Durante os cinco anos de namoro, acabei não resistindo a tanta insistência para que eu provasse um italiano (joelho para quem é do Rio), cachorro quente e pizzas de outros sabores. Lembro que a cada nova mordida eu ficava pensando quanto tempo tinha perdido sem gostar daquelas coisas. Como posso ter vivido 16 anos sem comer um pão?

Apesar de provar algumas dessas delícias, continuei sendo enjoadinha e deixando outras tantas de fora com o famoso “não gosto”, mesmo que nunca tivesse nem experimentado. Lasanha? Blerghhhh! Hambúrguer? Nem pensar! Legumes e verduras? Nem que a vaca tussa!

Gruta de Santo Antônio hamburguer

E aí, já sem Vinicius surgiu o japonês. Vários amigos gostavam e eu ficava olhando com nojo, imaginando como aquelas pessoas tinham coragem de colocar aquele peixe crú na boca. Não podia nem olhar que já sentia o estômago ficar embrulhado. Até para o vinho eu torcia o nariz.

Mas um dia tudo isso mudou.

A primeira mudança veio com o vinho, como eu contei aqui! Depois que passei a apreciar e amar essa bebida, comecei a sentir necessidade de provar outros sabores para acompanhar cada uma daquelas novas uvas. E assim o meu paladar foi mudando e eu fui gostando cada vez mais de experimentar novos temperos e pratos.

Me divertindo com o chef Alexandre Henriques com o King Crab

Me divertindo com o chef Alexandre Henriques com o King Crab

Quando eu e Vinicius casamos eu mudei de vez. Por algum motivo inexplicável – obrigada ao santo gordinho dos maridos cozinheiros!!! – Vi decidiu que gostava de testar receitas e eu, que antes de casar dizia que aprenderia a cozinhar de tudo, aposentei o avental que nem cheguei a usar e passei o bastão para que ele assumisse a cozinha, nossa kitchenaid e as Le Creusets que eu tanto queria para cozinhar.

Depois disso, eu provo absolutamente tudo. E se não gostei, provo de novo em outra receita. Acho que a única coisa que não desce mesmo de jeito nenhum é a azeitona. Tirando aquela bolinha, não torço mais o nariz para nenhuma outra comida.

vinhos

Acho que provar novos sabores é quase como fazer uma viagem para conhecer um novo lugar. Acompanhado de um vinho então… Hummmmmm! Faz tudo ficar ainda mais perfeito! Não sejam bobos como eu fui durante tantos anos. Experimentem, degustem e tragam mais temperos para a vida de vocês.

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