12 de Janeiro de 2017

Odeio Parque de Diversão – Minha “aventura” no Beto Carrero

Tenho verdadeiro pavor de parque de diversão. Todas as vezes que fui “obrigada” a andar em um brinquedo do tipo “ah, Fernanda, esse aí nem dá medo”, todos que estavam nas filas paravam para me assistir. Juro. O motivo de todo o pavor? Quando eu ainda gostava de parque de diversão, fui em um daqueles brinquedos que vão até o alto e que giram lá em cima e enquanto tudo estava divertido, começou uma ventania danada e faltou luz. Foi aquele desespero!

Ou seja, sim, eu tenho motivo para não ser tão fã assim de parque de diversão.

Na viagem que eu e Vinicius fizemos para o Sul, meu lindo maridinho incluiu na lista uma visita ao Beto Carrero. Estávamos hospedados em Balneário Camboriú e depois iríamos passar alguns dias em Blumenau. Pronto! Entre as duas viagens, nada como uma paradinha naquele parque de diversão. Ótima ideia? Só para o Vi, né?

Passamos o dia inteiro por lá e a única coisa que eu tive coragem de andar foi no brinquedo das corredeiras. “Não acredito, Fernanda! Você foi no Beto Carrero e só andou nisso?”. Não. Vinicius me obrigou a andar em mais um.

E foi exatamente assim que aconteceu:

“Fernanda, esse barquinho é tranquilo”

“Vinicius, olha o tamanho das rampas. Ele não é tranquilo”

“Amor, olha o tamanho das crianças que estão indo”

“Mas o que eu tenho a ver com a coragem delas? Eu sou medrosa, caramba!”

“Vamos!!!!!”

E aí eu fui.

Na fila, estava suando frio. Sabia que não era nada tranquilinho e que mais uma vez, o parque de diversão inteiro ia olhar para mim (outro dia eu venho contar o mico em BH, no parque de diversão da Pampulha).

O “bote” era para três pessoas. O cara perguntou se tinha alguém sozinho para ir com a gente e um menininho que estava lá atrás levantou a mão. Vinicius já abriu um sorriso.

“Tá vendo! Olha o tamanho do garotinho que vai com a gente”

Suspirei. O menino parou na nossa frente.

“Quantos anos você tem?”

“Dez” – respondeu bem empolgadinho.

“Você não tem medo?” – perguntei.

“Não. Esse é o único brinquedo que vou ter coragem de andar no parque inteiro. Meus amigos estão na montanha russa, mas eu não ando lá de jeito nenhum”

“Ué, mas você não tem medo desse? Olha o tamanho da rampa”

Juro que não estava tentando passar medo para o menino. Eu estava apenas querendo entender a lógica da coragem dele para tentar usar um pouco dela também.

“Ai, tia! Ela é alta?” – a coragem dele começou a sumir.

“Não é não” – Vinicius se meteu na conversa. “Ela é que é boba e tem medo”

Chegou a nossa vez.

“Acho que vou desistir” – falei e Vinicius mandou eu parar de besteira.

Entramos no barco. Vinicius atrás de mim e o menininho na minha frente. O barco começou a andar e quando ele começou a subir a maldita rampa, meu pavor chegou com força total e eu usei toda a força dos meus pulmões para dar gritos tão altos que podiam ser ouvidos por todo canto do Beto Carrero.

“Fernanda, as pessoas estão parando para olhar” – Vinicius falou baixinho, no meu ouvido.

E eu liguei?

“Eu tô com medooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!! Desliga o brinquedooooo!!!! Voltaaaaaaaaaaaaaaaaa” – berrei ainda mais alto.

O garotinho na minha frente, que já tinha perdido um pouco da confiança ainda na fila, se juntou ao meu coro. Nós dois gritamos mais uma vez.

“Meeeeeeeeeedooooooooooooooooooooo”

Enquanto isso, eu apenas sentia os movimentos do barquinho, pois não abri o olho depois que ele começou a subir. De repente, ele voltou a andar na posição normal.

“Abre o olho, amor. Não é tão alto”

Por que eu segui o conselho de Vinicius? Minha barriga gelou quando eu dei de cara com toda aquela altura e com a rampa de descida se aproximando cada vez mais.

“AI MEU DEUSSSSSSSSSSSSSSS”

E essa foi a foto da minha tranquilidade no momento da queda.

Pois é. Saí do brinquedo e percebi que fui a atração para as pessoas que estavam nas filas dos brinquedos perto da gente. Acho que o menino nunca mais vai andar em nada radical.

Depois disso Vinicius entendeu que quando eu digo que tenho pavor de parque de diversão, é porque eu realmente tenho. Pelo menos ele nunca mais me obrigou a andar em nada.

 




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