01 de Julho de 2016

Passaporte de emergência? Cuidado!




Bom dia, pessoal!! Resolvi compartilhar o desabafo da minha amiga Paloma, pois é muito importante que todos fiquem atentos nesse momento, para não viverem as mesmas 24 horas de pesadelo que ela viveu no Aeroporto da Alemanha. Ainda mais agora que a Casa da Moeda interrompeu a produção de passaportes.

Passaporte de emergência

“Vou contar sobre o perrengue que passei para que outros não caiam na mesma. Como todos sabem, a Casa da Moeda está com problemas de fornecimento do papel moeda para a confecção de passaportes. O prazo de entrega, que antes era de 6 dias, passou para 30, na época que tive que renovar o meu passaporte (depois passou para 45 e agora estão suspensos os pedidos). Depois de pesquisar no site da Polícia Federal, vi que não tinha alternativa além de torcer para que meu documento ficasse pronto antes do prazo, já que faltavam 20 dias para minha viagem e eu não tinha motivo comprovado para um passaporte de emergência (tratamento de saúde, trabalho, acompanhamento de cônjuge ou outra situação emergencial).

Paguei a GRU e agendei meu atendimento. Quando fui atendida no posto do aeroporto do Galeão, falei que tinha viagem marcada e a pessoa que me atendeu avisou do prazo de 30 dias e disse que se não ficasse pronto a tempo da minha viagem, era só eu comparecer 2 dias antes de viajar e tirar o de urgência. Foi aí que tudo começou. A pessoa me deu a informação errada. O que ela deveria ter me avisado, e que não tem informação na internet, é que, com a passagem comprada, eu só tinha que pagar uma GRU complementar de pouco mais de 70 reais e entrar com o pedido de passaporte de URGÊNCIA, que é como o passaporte comum, com 10 anos de validade, só que emitido em caráter de urgência, e fica pronto em 2 dias.

Como não tinha essa informação, dei entrada no pedido de passaporte comum e fiquei torcendo. Voltei ao Galeão dias antes da viagem, e para meu desespero, o passaporte comum não estava pronto e eu não poderia dar entrada no passaporte de urgência, pois já tinha feito o requerimento do comum. A solução dada para meu caso (e muitos outros que estavam na mesma situação) foi a emissão de um passaporte de EMERGÊNCIA, que tem validade de 1 ano e fica pronto na hora. Depois de pagar outra GRU de mais 340 reais, saí do aeroporto aliviada com o passaporte de emergência em mãos.

Minha viagem era para a França, mas meu voo tinha conexão em Frankfurt, na Alemanha. Quando cheguei no controle de passaportes, fui informada pelo policial alemão que meu passaporte não era aceito na Europa, nos países do tratado de Schengen. E foi aí que começaram minhas 24 horas de pesadelo. Fui levada pro escritório da Polícia Federal de Frankfurt, informada que minha viagem tinha terminado e que voltaria ao Brasil. Aos prantos, mas mantendo a calma e a educação, expliquei a situação esdrúxula que meu país passava com a impressão dos passaportes. Pediram-me que aguardasse a chegada de uma tradutora para a realização de uma entrevista. Quando a tradutora (meu anjo naquele dia) chegou, me acalmei em poder explicar toda a situação em português e passei por uma longa entrevista.

A polícia alemã foi muito solícita, mas no final da entrevista fui informada que eles entendiam minhas boas intenções mas não podiam me liberar, pois o passaporte de emergência não era aceito. Como última tentativa, o policial que me entrevistava disse que eu poderia entrar em contato com o Consulado Brasileiro. Já eram mais de 17h e eu tinha chegado no aeroporto antes das 14h. Ele mesmo fez a ligação e descreveu a situação para a pessoa que atendeu o número de emergência, pois o atendimento no Consulado já tinha sido encerrado.

A solução que o consulado deu foi emitir outro passaporte, esse sim, válido na Europa, mas teria que esperar o dia seguinte. Sim, tive que dormir no aeroporto. Não só isso. Como meus documentos ficaram com a polícia, eu só tinha um papel dizendo que eu estava em trânsito, e que só poderia ficar na área internacional do aeroporto. Além disso, eu tinha que me apresentar na polícia em horários definidos por eles, e a cada vez que isso ocorria (e foram 5 vezes) tinha que passar pelo controle de segurança, que em Frankfurt é super rigoroso, incluindo raio-X, revisão de bagagem, tirar sapatos, detector de metais e tudo o que tinha direito. Situação extremamente constrangedora, pois toda hora tinha que explicar porque estava sem passaporte. Foram horas de muita agonia e tristeza, pois estava sozinha, sem documentos, em uma situação ilegal e deprimente. Não via a hora de tudo se resolver, eu poder seguir viagem, com meu namorado que me esperava na França. Não consegui dormir.

No dia seguinte veio um funcionário do consulado, pegou meus documentos, uma foto que tirei naquelas máquinas (fui escoltada por 2 policiais para tirar a foto) e os 120 euros, taxa da emissão do novo passaporte. Horas depois ele voltou e para minha alegria e alívio, com meu passaporte em mãos. Fui liberada pela polícia e consegui seguir minha viagem.

Agradeço muito a prestatividade do consulado e lamento muito a falta de informação na Polícia Federal no Rio de Janeiro. Não precisava ter passado por nada disso se tivesse sido corretamente orientada. Precisava contar isso, desabafar mesmo. Foi uma situação horrível, pela qual não quero que ninguém passe. A questão era muito mais psicológica do que qualquer coisa, mas o terror de estar sozinha, passar a noite num aeroporto deserto (pois é como fica de madrugada), sem banho, sem sono, e sem saber se conseguiria continuar a viagem, foi horrível. Além do prejuízo financeiro com as taxas dos passaportes, perdi um dia de viagem, uma diária do hotel. Demorei um tempo pra relaxar e aproveitar minhas férias. Mas passou!”

O pior de tudo isso, foi a gente acompanhar todo o desespero dela no aeroporto da Alemanha, sozinha, sem poder fazer nada. No nosso grupo do Whatsapp, amigos ficaram a madrugada quase toda conversando com ela para que o tempo passasse mais rápido. Não sei nem o que eu faria se estivesse no lugar dela. Fiquem atentos para que não aconteça o mesmo com vocês.

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