25 de Fevereiro de 2016

Por mais pessoas que nos façam acreditar

Estou lendo um livro espetacular – ainda vou falar mais sobre ele – “Cartas Extraordinárias” e entre uma carta e outra vou me emocionando e me encantando cada vez mais. A carta que li nessa noite foi a segunda que encheu o meu coração de esperança e resolvi vim falar um pouco sobre ela com vocês.

A primeira foi escrita pelo editor de um Jornal – não me lembro se da Inglaterra ou dos Estados Unidos – respondendo a uma menininha sobre a existência do Papai Noel. Ela já estava se questionando se o Bom Velhinho existia realmente ou não, pois seus amigos na escola estavam dizendo que era tudo mentira. Então, o pai dela sugeriu que ela escrevesse para o jornal, pois se eles dissessem que Papai Noel era real não existiria mais motivo para que ela não acreditasse naquilo.

“Virginia, seus amiguinhos estão errados. Foram contaminados pelo ceticismo de uma época cética. Só acreditam no que vêem. Eles pensam que não pode existir nada que não seja compreensível por seus pequenos cérebros.

(…)

Ah, como seria triste o mundo se não houvesse Papai Noel. Seria tão triste quanto se não houvessem as Virgínias.
Não haveria, então, a fé infantil, a poesia e o espírito de aventura que torna a existência tolerável. Não teríamos prazer além dos sentidos. A luz eterna com a qual a infância inunda o mundo estaria extinta.
Não acreditar em Papai Noel! Seria o mesmo que não acreditar em fadas. –  você poderia fazer seu pai contratar homens para viajar todas as chaminés e pegar Papai Noel de Natal. Mas mesmo se eles não virem Papai Noel no el descendo, o que isso provocaria? Ninguém vê Papai Noel, mas isso não quer dizer que Papai Noel não exista.”

E assim ele continua, cheio de ternura e de palavras que com certeza fizeram a Virginia acreditar em Papai Noel não apenas com seus oito anos, mas por toda a vida.

carta para um cientista

Para me deixar ainda mais feliz, algumas páginas depois encontrei mais uma carta que me emocionou. Em 1957 um garotinho australiano escreveu uma carta endereçada “para um grande cientista” e enviou para a Base de Lançamento da Real Força Aérea Australiana. Ele desenhou um foguete e acrescentou uma instrução para que os engenheiros acrescentassem outros detalhes que considerassem importantes na sugestão do foguete dele.

O que poderia ter ficado toda uma vida sem resposta, depois de 52 anos (em 2009), um cientista do Departamento de Defesa Australiano tomou conhecimento da carta e resolveu responder ao “menino” – que já era um senhor. Não dá vontade de conhecer e abraçar a pessoa que fez isso? Fico pensando que se eu sou o cara que recebe essa carta, ficaria extremamente agradecida e emocionada. O cientista respondeu de um jeito tão fofo, mesmo sabendo que quem ia ler não seria mais uma criança, que foi mais uma coisa que me fez ter uma fé enorme na humanidade.

“Quero agradecer-lhe a carta que nos enviou e que recebemos em 20 de outubro de 1957, contendo o desenho do seu foguete. Desculpe a demora em responder. O senhor há de entender que, como se dirigiu a “Um grande cientista}” da “Base de Lançamento de Woomera”, demorou algum tempo para sua carta chegar a minhas mãos e também para a devida apreciação de suas ideias.”

E ele continua contando as melhorias nos foguetes e como as ideias do menino são ou não parecidas com os atuais. Gente, qualquer pessoa viraria criança em um momento como esse, não acham? Tenho quase certeza que o senhor que recebeu essa carta voltou a ser o menino cheio de sonhos, que de repente pensava em ser um astronauta como tantos outros meninos já sonharam em ser um dia.

Meu sonho seria que mais e mais pessoas como essas existissem no nosso mundo para que tudo fosse melhor de alguma maneira. Acreditar em sonhos, em magia, em um mundo cor de rosa não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário, acredito que pessoas que sonham são as que mais trabalham para tornar o mundo um lugar melhor. Por isso, faço uma campanha por mais pessoas que nos façam acreditar.

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