21 de Outubro de 2015

Por que eu amo vinho?

Todo mundo que me conhece sabe da minha paixão pelo vinho.  Já me perguntaram se gosto de beber pelo efeito da bebida ou se gosto do paladar. Respondo: Pelo paladar. Gosto do gosto do vinho (não de todos!) e das cervejas (não de todas!). Impossível gostar da cerveja? É amarga? Umas pessoas acham isso, mas eu adoro experimentar. Já provei muitas brasileiras – as artesanais são as melhores!! – belga, alemã, francesa, japonesa, argentina, uruguaia, entre outros países que já não lembro mais. Adoro sentar no Empório para degustar. Mas o vinho…
Eu e o vinho temos uma relação quase de amor. Mas não foi sempre assim. Até os meus vinte e quatro anos, não era tão chegada nele. Na verdade, acho que tenho um pouco de trauma de uva e isso passou para o vinho – pobrezinho! O motivo do trauma? Bom, é uma rápida história!
picolé de uva
Quando eu era pequena, lá pelos meus oito anos, precisei fazer uma cirurgia na boca, por causa do aparelho – acho que foi para tirar algum dente que ainda não tinha nascido – Enfim, lembro que precisei ficar uma semana sem comer nada sólido, só líquido podia forrar o estômago. Só que eu era fresquinha para comer e tadinha da minha mãe, as opções eram poucas. Não podia ser nada quente, gelado era o ideal. Logo, um depósito de picolé de uva foi montado no congelador. Passei uma semana comendo mais de um picolé de uva por dia! Depois disso, nem o cheiro podia sentir mais.
Sendo assim, cresci sofrendo com a falta de amor pela palavra uva: suco, fruta, picolé, bala, chiclete… Nada podia ser de uva. Se era, “Bléeeeeee, sai com isso pra lá”.
– Filha, não quer nem provar um vinho?! – perguntava minha mãe, quando eu já tinha idade para beber, doida por uma companhia.
– Não! Odeio vinho!
– Como pode odiar se nem provou? – insistia.
Colocava a taça perto da boca, sentia aquele cheiro de uva e o picolé vinha na minha cabeça.
– NÃOOOOOOOOOOO! Odeio! Não quero, não quero, não quero!
E assim, ela bebia sozinha. Se deliciava com o vinho, enquanto eu negava! Que tolinha. Quanto tempo perdi. Quantos vinhos deixei de saborear.
Quando tudo isso mudou?
vinhos
Resolvi deixar o trauma de lado e acompanhar a minha mãe em um curso de vinho para iniciantes. Aprenderíamos em dois dias sobre uvas, vinícolas, aromas, paladar e degustaríamos algumas garrafas. Topei. Foi então que tudo começou a mudar.
Acho que um curso de vinho demonstra exatamente o que significa essa bebida, tanto no que diz respeito ao seu preparo, quanto à sua alma. O curso contava com mais ou menos 20 pessoas, sentadas em mesinhas espalhadas pelo pequeno espaço da loja de vinhos. Todos sérios, cada um com seu cada um, sem compartilhar muitos sorrisos, conversas. Eram pessoas de diferentes profissões, idades e estilos.
vinho
O curso começou e todos ficaram atentos, eu também, em tudo o que o sommelier falava. Conheci vinícolas, a diferença entre as uvas, o motivo daquele quase ritual quando um vinho é servido – olhar a cor, cheirar a bebida, provar um golinho, antes de finalmente todos serem servidos e poder beber. Descobri que aquilo não é coisa de quem se faz de entendido ou de gente fresca. Esse ritual é parte do prazer na hora de beber um vinho. Olhar a cor, ver se é bem líquido ou mais encorpado, sentir o aroma, deixar o vinho passar pela boca percebendo todos os detalhes… Hum!!!! Quando entendi o motivo de tudo aquilo, apreciei o ritual.
Depois de todas as explicações, havia chegado a hora da degustação. Fiquei tensa. Será que iria esquecer meu trauma de uva? Será que iria gostar daquela bebida? Eram cinco garrafas e meia taça de cada uma delas para cada um de nós. Um sonzinho gostoso começou a rolar enquanto o garçom servia as taças. Enquanto provávamos, o sommelier explicava sobre o gosto e sobre o aroma amadeirado ou de frutas frescas, florais… Comecei a gostar de perceber a diferença do paladar e do aroma de um para o outro.
A música, a degustação, transformou a atmosfera do lugar. Todas aquelas pessoas de idades, profissões e estilos variados, começaram a compartilhar conversas, sorrisos, experiências de viagens, restaurantes… O salão que antes era bem silencioso passou a ser preenchido por vozes. Era como se todos fossem grandes amigos. O vinho tem dessas coisas.
Desde então, sempre que bebo uma garrafa de vinho, coloco uma boa música para tocar e sei que ótimas conversas estão por vir. Seja com amigos ou até comigo mesma. Para mim, o vinho não é só uma bebida. Não dá para beber uma taça ou uma garrafa apenas por beber. Não é uma bebida para “noitada”. Pelo menos para mim, é uma bebida para conversas, para confraternizar, degustar, aquecer a alma.
vinhos Buzios
Um bom filme para entender mais sobre o amor pelo vinho é o SideWays, que é claro que tenho na minha coleção. Ele mostra exatamente essa atmosfera. Amizade, troca, experiências gostosas. Cada um, cada garrafa tem uma história, um paladar. Viajar e provar os vinhos locais é delicioso e torna a viagem ainda mais inesquecível.
E é por todas essas sensações que o vinho traz que amo tanto essa bebida. E dizem algumas pesquisas que uma taça faz até bem para  o coração. Não é maravilhoso?!
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