28 de Setembro de 2017

Por que não escondi a minha cicatriz?

Hoje o dia estava tão lindo, que eu quis aproveitar para dar um pulinho na praia na parte da manhã. Ficamos todos os dias, o dia todo sentados no computador fazendo nossos projetos, que muitas vezes deixamos dias como o de hoje escaparem sem nem admirar um pouquinho.

Desde que operei, não tinha voltado ao mar e hoje, com o céu limpinho, acabei convencendo Vinicius a dar uma voltinha por Camboinhas. E foi uma delícia!!

Levamos nossa máquina e o tripé, pois passeios como esse sempre rendem boas fotos. E como nessa reta final a barriga muda a cada dia, fazer esses registros para guardar para sempre, é muito legal.

O grande problema na hora das fotos, era achar uma posição que a barriga aparecesse, mas a cicatriz não. Mudei os ângulos da pose e também usei e abusei da minha mão para tampar a cicatriz da operação de apendicite que fiz no mês passado.

Quando fui passar as fotos para o computador, vi que várias delas não tinham dado muito certo. Fiquei no ângulo errado ou deixei a mão bem mais para cima ou até mesmo em momentos mais espontâneos eu simplesmente esqueci de tampar… E aí a cicatriz apareceu em cheio. Lamentei e resmunguei com Vinicius. Pensei em baixar um editor de imagens para apagar aquela cicatriz e deixar a minha barriga lisinha. E quando comecei a fazer isso… Deu um estalo na minha cabeça. Quem eu vou querer enganar?

Ah… Mas não é enganar! É porque não é bonito em uma foto de gravidez, aparecer uma cicatriz enorme e escura bem na protagonista da foto – a barriga -, né?

Fiquei brigando comigo mesma. De que adianta camuflar em uma foto o que não dá para esconder quando me olho no espelho? E na boa… Esconder para quê? De quem?

Estamos tão acostumados a ver fotos perfeitas pela internet, que parece crime a imperfeição. Gordurinhas, cicatrizes, celulites e estrias parece que são coisas tão abomináveis que não podem nem mesmo dar as caras em um Instagram da vida ou em um blog qualquer.

É tão normal ver corpos e vidas perfeitas pelas redes sociais, que as vidas reais e nem tão perfeitas assim parecem não ter espaço para aparecer. E quando “o problema” é na gente, tentamos esconder dos outros e até de nós mesmos.

Fiquei olhando a minha cicatriz na foto… Está recente, a minha barriga cresceu e a pele esticou… Não dá para esperar um milagre. Ela não vai desaparecer da noite para o dia. Ela vai estar ali me lembrando de tudo o tempo todo. Eu passei por um problema de saúde grave e me recuperei. Eu, que sempre me achei fraca, medrosa… Vi que sou guerreira e muito forte. Passei dez dias em um hospital sem chorar, sem me lamentar, torcendo pela melhora para que pudesse voltar logo para casa e seguir cuidando da Julinha da melhor maneira enquanto ela continua crescendo dentro de mim. Por que deveria ter vergonha de tudo isso? Por que deveria esconder a cicatriz que faz com que eu me lembre que eu venci um obstáculo?

Não devemos ter vergonha dessas coisas. Cicatrizes são marcas de experiências de vida. Cicatrizes são marcas de acontecimentos que nos transformaram em pessoas mais fortes e até em pessoas melhores. Depois delas, passamos a dar valor ao que realmente importa. E elas estão sempre lá para nos lembrar disso.

Minhas fotos de gravidez não vão estar perfeitas. Não serão aquelas fotos maravilhosas de capa de revista, com uma barriga lisinha e um corpo sarado. Elas são fotos reais. São fotos que vão contar a minha história, o que eu vivi até aqui.

E eu não tenho MESMO vergonha de nada disso.

Já são 32 semanas do maior amor do mundo!! E cicatriz nenhuma vai fazer com que eu deixe de registrar esses momentos.

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