05 de Abril de 2016

Quando me apaixonei pelo menino da escola – A Saga do Primeiro Amor

Ah, o amor! Não. Nem sempre ele é um suspiro, leve como uma brisa, nem certo como dois e dois são quatro. Muitas vezes ele é dolorido, apenas platônico, não correspondido ou EXAGERADO! Quando somos adolescentes então! Ele é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente. Oh, céus! Quem nunca provou as dores e as delícias do primeiro amor? Aquele que é primeiro no primeiro, no segundo e no terceiro? Aquele que era tanto, mas que depois se descobre quem nem mesmo era amor.

Estava vendo a fita do meu aniversário de 15 anos e cheguei a sentir pena do menino que eu gostava naquela época. Foi um “amor” que me pegou de jeito.  Preencheu páginas e mais páginas de agendas e diários. Me fez até mesmo escrever uma história, um conto sobre tudo aquilo, quando eu nem mesmo sonhava que um dia me tornaria escritora. Tirou meu sono, me fez sonhar e chorar. Eu me achava verdadeiramente apaixonada e tinha quase toda a certeza do mundo que nunca mais amaria ninguém daquele jeito.

primeiro amor

Ele era um menino branquinho, loirinho, cabelo liso, olhos claros – acho que era azul  -, que estudava na minha escola. Um dia passando por ele no pátio meu coração deu aquele estalo. Comentei com meu grupinho de amigos e um dos meninos disse “Vou falar com ele!”.

“Não!” respondi com aquela vontade de dizer “Sim, sim… Fala logo!!!”.

E o meu amigo captou o que eu queria e não o que eu falava e se adiantou. Não demorou muito a voltar com um sorriso no rosto e com um telefone anotado em uma folha de caderno.

“Ele disse que vai te ligar e mandou você anotar o telefone dele também”.

Tremi com aquele pedacinho de papel nas mãos e guardei bem guardadinho na minha agenda secreta. Os dias foram passando e eu não parava de verificar se o telefone vermelho que ficava pendurado na parede da cozinha lá de casa estava funcionando. Naquela época a gente ainda não tinha celular.

“Tem certeza que ninguém ligou para mim?” Perguntava para meus pais e meu avô. Nada.

“Liga para ele, ué!” sugeriu meu amigo.

E lá em 1997, a Fernanda de 14 anos deixou a vergonha de lado e resolveu descobrir se tinha ou não alguma chance com aquele menino que estava preenchendo cada vez mais seus pensamentos.

“Oi, não sei se você sabe quem sou eu”.

“Oi, claro que eu sei”.

Pulinhos na cozinha, porta fechada, dedinhos cruzados para que ninguém da família resolvesse aparecer naquele momento.

“Então, meu amigo me deu seu telefone, disse que você tinha pedido que eu ligasse para você”.

“Isso. Também estava com o seu telefone, mas fiquei sem graça de te ligar”.

“Também estou sem graça”. Confessei com o coração batendo totalmente acelerado.

“Por quê?”

“Ah, de te ligar assim”.

“Não precisa ficar com vergonha”.

“Tá. Então…” Como continuar aquela conversa? Nunca tinha feito aquilo.

“O quê?”

“Fiquei pensando se você acha que tem alguma coisa a ver”. Deixei meio no ar.

“Acho que sim”.

E o meu coração quase parou.

“Então tá”.

“Então tá”.

“Beijos”.

“Fernanda?”

“Oi”. Ah, não! Será que ele mudou de ideia?

“Não precisa ficar com vergonha de nada disso. Gostei de você ter ligado”.

E naquele momento eu senti que seria capaz de voar se eu quisesse. Nada mais era impossível para mim. O menino mais bonito que eu já tinha visto até então – pelo menos era assim que eu o via naquela época – queria ficar comigo. O que poderia ser mais difícil que aquilo em toda a minha vida?

Na escola eu não deixava mais ninguém fechar totalmente a porta da sala de aula. Deixava sempre um pedacinho aberto e era naquela primeira cadeira que eu sentava. Quando o menino passava, meu coração começava a bater diferente e eu sentia vontade de dançar. No início trocamos olhares, mas ele nunca falava comigo, nunca chegava a  demonstrar que ele concordava de verdade que “tinha alguma coisa a ver”.

Como a internet não existia e o tempo na escola não era suficiente para preencher aquele amor, ia quase toda tarde para a praia ver o menino jogar bola. Lá ele sorria para mim, às vezes me dava até um tchau e em duas ou três ocasiões me chamou e correu para falar alguma coisa comigo.

A escola inteira já sabia que eu gostava dele, minha família e os amigos do prédio também. Era um amor que não cabia no peito e que eu precisava contar aos quatro ventos. “E ele disse que tem a ver” – eu enchia a boca para contar para todos que passavam a saber daquela história.

Um ano inteiro passou. Eu chorei, falei diversas vezes com ele no telefone, vi o menino com outra menina na escola e senti o coração doer, ouvi desculpas sobre a demora, escrevi, escrevi e escrevi sobre aquele amor.

E aí chegou o meu aniversário, os meus 15 anos. O menino foi. Sim, ele foi. Liguei convidando, mas nunca imaginei que ele realmente fosse aparecer. Quando estava dançando com as minhas amigas, senti que quase todos que estavam ali me olharam com a mesma urgência. Corri os olhos por todos os lados para entender o que estava acontecendo e vi o menino chegando.

Ele tinha ido.

“Fernanda, ele trouxe flores para você, mas ficou com vergonha de entregar e deixou lá na entrada do play” alguém me avisou.

“Duvido”

“Tô falando sério! Vai lá ver”.

E realmente tinha um vasinho de flores. Sorri, corri até a minha casa para colocar água e deixei em um lugar que ela durasse o maior tempo possível.

Durante todo o aniversário eu olhava para ele de rabo de olho enquanto toda a festa olhava descaradamente “aquele era o menino da Fernanda. O famoso menino!!”. E quem pegava a câmera para filmar, não deixava de fazer um novo registro dele. E outro. E outro.

Vieram os parabéns. Ele levantou e ficou na porta do salão.

“Com quem será, com quem será que Fernanda vai casar?”

E o nome dele explodiu na boca de todo mundo. Do lado de fora ele sorriu sem graça.

O bolo foi distribuído, o salão foi ficando vazio e ele continuava ali, mas eu saí pelo outro lado. Minhas pernas tremiam, não sabia o que fazer.

“Fê, vamos ali comigo rapidinho?” chamou uma amiga e lá fui eu.

No meio do caminho ela parou.

“Aqui está o seu presente” – disse e saiu.

Lá estava o menino.

E eu.

Sorri sem graça, ele também. Conversamos, mas não sei exatamente o quê, pois esse registro não está nem na minha agenda nem no conto que escrevi sobre essa história e infelizmente essas recordações já não estão mais na minha memória por mais que eu tente escarafunchar em todas as gavetinhas do meu cérebro. E quando já não tínhamos nada mais para falar ele me beijou.

“Na minha história o príncipe e a menina não foram felizes para sempre. Eles se separaram e nunca mais voltaram a se encontrar” – assim termina o meu conto escrito em fevereiro de 1998. Era o fim do meu “grande amor”.

Sofri mais alguns dias, depois o sol voltou a brilhar. Ele sempre volta. Hoje, eu sei que aquele grande amor nem mesmo chegou a ser amor de verdade. Virou apenas algumas folhas da minha história nas páginas das minhas agendas.

Não importa se você tem 13, 16, 25, 33, 50 ou 80 anos. Sempre que o assunto é amor, a idade não faz a menor diferença, todos ficam bobos, só querem saber se “tem alguma coisa a ver”. Vivam o que tiverem que viver, se entreguem com o coração. Pode ser que no final seja apenas mais uma história que não deu certo, um romance de verão ou uma paixão platônica de longa duração. Sem entrega não há riscos. Sem riscos não há descobertas. Sem descobertas não há histórias. Sem histórias nunca, nunca mesmo será amor.

Despedidas doem, amores não correspondidos também. Mas tudo isso passa e vira uma lembrança divertida depois que o tempo mostra que não era tão grande quanto pensamos na época.

Veja mais posts sobreamor amor platônico escola namoro paixão platônica primeiro amor