01 de Setembro de 2015

Profissão: Escritora – com Fernanda Belém

Boa noite, pessoal! Tudo bem? Como disse na semana passada,  vamos conversar bastante sobre profissões aqui no blog. Para estrear a série, fiz uma entrevista comigo (coloquei as minhas duas profissões em prática – jornalista e escritora) para contar um pouquinho sobre como decidi escrever livros, as dificuldades, prazeres e problemas dessa carreira que vem crescendo cada dia mais no Brasil. Para isso, escolhi algumas das perguntas mais legais que fizeram para mim ao longo do tempo e também fiz algumas que nunca ninguém perguntou, mas que sempre tive vontade de responder.

Vamos lá?

Como decidiu “virar” escritora?

Acho que essa decisão não surgiu de repente. Durante toda a minha vida eu fui preparada para isso. Comecei a amar os livros antes mesmo de aprender a ler, minha mãe juntava a galerinha do meu prédio, contava histórias e pedia para que a gente completasse da maneira que quiséssemos. Assim, minha criatividade começou a ser estimulada desde muito novinha e a paixão por histórias também. Com oito anos, escrevi meu primeiro conto para um “concurso” de teatro e vi meus personagens virarem fantoches em uma apresentação. Foi mágico. Brincava de escrever histórias com meus amigos para vender para os vizinhos do prédio e quando fui entrando na adolescência, passei a contar tudo o que acontecia comigo na minha agenda. Quando releio essas histórias, morro de rir. São livros prontos. Então, nunca “virei” escritora, eu sou escritora desde pequena.

livro

Mas quando essa paixão virou trabalho?

Além dos livros, sou apaixonada por futebol. Em 2009, estava trabalhando com comunicação interna e marketing no Flamengo (meu clube do coração!! <3) e, naquela ocasião, voltei a namorar o meu primeiro amor. Toda aquela história do nosso reencontro e a saudade enorme que eu sentia de escrever, fizeram com que eu sentasse todas as noites no computador para escrever a história de um reencontro. Quando estava na metade, mostrei para a minha prima. A ideia era presentear meu namorado, no dia dos namorados, com um “livro” inspirado na nossa história. Mas não acabei na data planejada (terminei a história um ano depois) e o romance se transformou em algo muito maior do que eu tinha imaginado. Deixou de ser o meu reencontro com o Vi e virou a vida da Renata, do Vitor e de tantos outros personagens que foram aparecendo e ganhando vida na minha imaginação. No final, conversei com uma profissional muito querida que fez um belo trabalho comigo, me ajudando a mudar o que não estava legal e a mexer mais um pouquinho naquela história. Sem conhecer ninguém e sem saber se alguma editora aceitaria, enviei meu original para todas que publicavam aquele estilo de livro. Quando recebi o meu primeiro sim, ainda não conseguia entender a dimensão que tudo aquilo teria. Acreditava que apenas meus amigos iriam comprar meu livro e pronto. Mas quando comecei a receber mensagens de pessoas que nunca tinha visto, de lugares que nunca tinha ido, percebi que algo muito maior tinha acontecido. Meu livro estava espalhado em livrarias pelo Brasil, ao lado de autores que sempre amei. Um sonho realizado.

Você encontrou muitas dificuldades pelo caminho?

Não. Na verdade, ao longo de toda a minha carreira profissional, seja como atriz, jornalista, produtora cultural… nunca liguei muito para obstáculos e dificuldades. Se alguma coisa não dava certo de um lado, tentava outros caminhos, me reinventava. Na literatura aconteceu do mesmo jeito. Quando comecei com o Louca Por Você, não tinha a menor ideia se era fácil ou difícil, fui sem grandes expectativas e tudo foi acontecendo naturalmente. Tenho tantos, tantos amigos queridos, que no dia do meu primeiro lançamento, a Saraiva ficou lotada e todos os mais de cem livros que a editora enviou foram vendidos. Foi uma surpresa enorme. Aquilo foi chamando a atenção de algumas pessoas e da imprensa e eu fui recebendo mensagens de blogueiros, leitores e fãs (sério, gente! ainda não sei lidar muito bem com essa ideia de quando alguém diz “sou sua fã!”, é lindo e surreal!). Meu livro Ah, o verão! também foi mais uma surpresa enorme. Recebi a proposta de um agente literário e tive o meu livro sendo apresentado para a fofíssima Editora Valentina que topou publicar e fez com que o meu caminho na literatura se tornasse ainda mais mágico. Acho que o segredo é a gente sempre buscar alternativas, não apostar todas as fichas em uma jogada só.

Como surge a inspiração para as suas histórias?

Me inspiro em momentos da minha vida, em histórias dos amigos e em conversas que escuto por aí. Até mesmo alguns lugares que visito me enchem de vontade de transformar em um cenário de um romance. A vida vive me inspirando a todo momento.  Contei nesse vídeo um pouquinho sobre como me inspirei para escrever o meu segundo romance.

Se pudesse mudar alguma coisa em você como escritora, o que seria?

A timidez. Meus amigos mais antigos se assustam quando eu conto que sou tímida, pois essa é uma característica que nunca fez parte do meu perfil, mas que por algum motivo é bem forte. Fico completamente emocionada e agradecida quando recebo o carinho dos leitores e amo conversar nas palestras sobre a minha paixão pelos livros, mas ao mesmo tempo sinto as mãos tremerem, o coração acelerar e a boca ficar seca em todos esses momentos. Queria relaxar e aproveitar mais no lugar de me sentir tão nervosa.

Qual foi a maior alegria e a maior tristeza na carreira?

Acho que não tive nenhuma tristeza. Tirando a parte da timidez, é tudo muito perfeito. Cada evento, lançamento, cada vez que vejo o meu livro nas livrarias, é como se tudo fizesse parte de um sonho. Mas acho que a maior alegria foi o dia que eu entrei na Saraiva e vi que tudo aquilo era verdade, que meu livro estava lá, era real.

Você gosta de conversar com leitores?

Amo, amo, amo, amo!!! É muito bom receber tanto carinho e perceber que de alguma maneira as minhas histórias tocaram tantas pessoas.

Como você lida com as críticas?

Muito bem. Acho que existe um livro para cada pessoa. A mesma história não vai me atingir do mesmo jeito que tocou minha melhor amiga. Cada um absorve de um jeito, tem preferência por esse ou aquele personagem (eu por exemplo, prefiro mil vezes o Jacob em Crepúsculo!!), se identifica ou não com os acontecimentos do livro. Por isso, acho que temos que respeitar e entender quem ama, quem adora, quem achou legal ou odiou nossos livros.  O que seria do rosa se todo mundo gostasse do azul? Vejo muitos autores comentando resenhas negativas, se defendendo. Acho que não é uma coisa que precisa ser feita. Pelo menos é algo que eu nunca faria.

Qual é o seu maior sonho como escritora?

Nunca mais parar de escrever. Não quero me transformar em uma máquina que produz livros com um prazo estabelecido por mim ou por outra pessoa, quero continuar escrevendo com a minha verdade, o meu coração, sobre os meus personagens. Espero um dia poder viver apenas dessa arte, mas sem me acostumar com alguma “fórmula perfeita”. Espero me reinventar também na literatura, surpreender meus leitores e continuar colocando muito, muito amor no que eu faço e no que as pessoas vão ler. Acho que todo escritor tem um peso enorme quando publica seus livros, pois eles nos transformam em imortais. É a nossa fonte da juventude, a garantia da vida eterna. E quando você sabe que vai ficar para sempre, deve se preocupar ainda mais com o que está deixando de você.

Por hoje é só, pessoal! Se tiverem mais curiosidades, podem deixar perguntas nos comentários e eu terei o maior prazer de responder. O importante é sempre seguir em busca da realização do sonho, sem se importar quando alguém disser o quanto é difícil. Arrume um jeito, vai lá e faça acontecer!

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