30 de Novembro de 2015

Profissão: Jogador de futebol – Com Felipe Melo

Quem olha um jogador que já vestiu a camisa da Seleção, que joga na Europa, que sempre jogou em grandes clubes, não imagina o que aquela pessoa enfrentou antes de conseguir o sucesso e o reconhecimento. São anos de trabalho e luta para conseguir se destacar e virar um jogador profissional.

Felipe Melo foi um dos jogadores que conseguiu vencer todos os obstáculos antes de se profissionalizar e hoje, jogando na Europa, pode olhar para trás e dizer que todo o esforço valeu a pena.

Nessa entrevista Felipe conta como foi o início da sua carreira, seus primeiros sonhos realizados e também fala sobre a Seleção e o futebol europeu.

Felipe Melo Jogador de futebol

Confira a entrevista e conheça um pouco mais sobre Felipe Melo:

– Ainda menino, quando decidiu que queria ser jogador, como fez para correr atrás do seu sonho? Quais foram as maiores dificuldades até se profissionalizar? Em algum momento você pensou em desistir?

FM: Desistir, nunca. Sou determinado em tudo que faço. Desde pequeno tinha esse sonho e sempre corri atrás. Passei, claro, por muitas dificuldades, mas sempre soube que tudo ficaria pelo caminho. Morava com meus avós, em São Gonçalo-RJ, e saía de madrugada, pegava ônibus, depois caminhava por dois quilômetros. No fim do dia, muito cansado, fazia o caminho inverso. Chegava em casa tarde da noite, muitas vezes com fome, e sabia que a luta recomeçaria no dia seguinte.

– Em todos esses anos de futebol, com todas as conquistas que já teve, qual foi o momento mais inesquecível da sua carreira?

 Felipe Melo: Foram vários momentos fantásticos. Acredito que o mais marcante foi o gol de cabeça pelo Flamengo, contra o Internacional, em 2001. Era um garoto ainda e saí do banco de reservas, bem no fim da partida, para, em meu primeiro toque na bola, marcar o gol que livrou o Flamengo do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

– Você ainda se lembra do seu primeiro gol como jogador profissional?

 FM: Foi o gol de cabeça contra o Inter. Até hoje sou parado pelos torcedores do Flamengo nas ruas, por conta deste gol.

– Muitos atletas sonham em vestir a camisa do Flamengo e jogar em um Maracanã lotado. Você já viveu isso. Como se sentiu nesses jogos? Em algum outro clube, sentiu a mesma emoção ou jogar no Maracanã e com a camisa do Flamengo é realmente diferente de tudo?

 FM: Sou flamenguista e nunca escondi isso. É algo mágico. Mas confesso que fiquei surpreso com o fanatismo da torcida do Galatasaray. Eles são tão fanáticos quanto o torcedor do Flamengo.

– Em 2005, você teve sua primeira experiência no exterior. Como foi sair do Brasil para ir jogar em outro país? Alguma experiência engraçada, inusitada, por causa da língua, dos costumes? Conta pra gente!

 FM: Foi tudo muito difícil. Hoje estou mais do que adaptado à vida na Europa, mas os primeiros anos foram pauleira. Já passei muito aperto por conta da língua (risos). Mas, o fato mais engraçado, foi em Almería, na Espanha. Vi, enquanto treinava, meu irmão conversando com um repórter japonês durante quase uma hora, na arquibancada. Os dois riam e eu não conseguia compreender o que se passava. Depois ele me contou que o repórter não falava português e nem espanhol e o Sid, meu irmão, não entendia uma palavra em japonês. Até agora eles não sabem do que riam!

– E vestir a camisa da Seleção? Qual foi a emoção?

 FM: Também fantástico. Apesar de algumas pessoas da imprensa terem tentado me imputar a culpa por uma derrota que já acontecia,considero, assim como a Fifa, que fiz uma excelente Copa. Ganhei um título importante pela Seleção e, por pouco, não veio o segundo. Mas ainda pode vir. Sem falar que joguei 24 partidas e tenho apenas uma derrota, um empate e o resto de vitórias com a amarelinha. É um retrospecto de respeito, pois estas partidas foram, na maioria, jogos válidos pelas Eliminatórias e contra grandes Seleções.

– Quais são as principais diferenças que você avalia entre o futebol europeu e o brasileiro, tanto no campo quanto na gestão?

FM: Aqui o futebol é profissional. No Brasil também, mas para poucos dirigentes. Muitos pensam apenas em levar vantagem, acabam com os clubes e tem pessoas incompetentes em volta. Na Europa, nos clubes grandes, a engrenagem funciona.

– Se você pudesse aconselhar os meninos que estão começando, que sonham em um dia jogar como profissional, qual conselho daria?

FM: Coloque na cabeça que vai superar todas as dificuldades. Acredite no próprio potencial e vai com tudo!

Espero que tenham gostado da entrevista. Ela foi realizada por mim para o meu antigo blog Bela da Bola, mas tem tudo a ver com a nossa série profissões.

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