23 de Novembro de 2015

Profissão: Juiz de Futebol – com Marcelo de Lima Henrique

Vinte e dois jogadores e ele – o Juiz de futebol! Quantas vezes o dono do apito não chamou mais a atenção do que todos aqueles atletas em campo? Quantas vezes aquela única figura de camisa diferente das demais, que corre no ataque e na defesa, que corre, corre e corre, mas não encosta na bola, foi protagonista de uma partida? Quantas vezes o juiz foi ameaçado, xingado, acusado de ter dado cartão errado, feito uma marcação equivocada, ou ter favorecido ou prejudicado esse ou aquele time?
Juiz de futebol

Tarefa dura a de um juiz. Tem que ser muito corajoso na hora de escolher seguir essa profissão e assumir o apito e os dois cartões que podem mudar o rumo do jogo. Tem que ter muito peito para anular um gol ou dar um pênalti. E nós, torcedores, quantas vezes não somos injustos? Quantas vezes não apontamos o dedo acusando, colocando a culpa de um fracasso do nosso time apenas nele?! No árbitro! Mas um juiz não é uma máquina. Os olhos dele não enxergam como a lente de uma câmera de TV, que pode ir e voltar quantas vezes quiser, até ter a certeza se acertou ou errou na marcação. O juiz depende do ângulo do seu campo de visão, depende dos bandeirinhas, depende dos seus olhos e da sua coragem de levar o apito até a boca e marcar o que for necessário.

 Profissão difícil, mas necessária. É o juiz que dá aquela emoção extra ao futebol. Se tudo passasse a ser analisado por uma máquina, perderia um pouco da graça, da paixão que o futebol traz. Para entender melhor como alguém decide se profissionalizar como juiz de futebol, conversei com um árbitro da FIFA, que é conhecido de todos os amantes do esporte, por apitar diversas partidas pra lá de importantes.

Confira a entrevista e conheça um pouco mais do árbitro Marcelo de Lima Henrique.

– Seu pai também foi árbitro. Foi daí que veio a sua inspiração para seguir essa carreira? O que te levou a pensar – Eu quero ser juiz de futebol?
Marcelo de Lima Henrique: Sim meu pai José Henrique Neto foi árbitro por mais de 20 anos e eu o acompanhei pelos campos desde os 5 anos de idade, já saí de camburão com ele – (risos). Em 1995 meu pai, literalmente me pegou pelo braço e me levou para fazer a inscrição do curso de árbitros da FERJ, eu não tinha dinheiro para pagar a mensalidade e ganhei 50% de bolsa e a outra metade ele me ajudou a pagar, e me apaixonei pela atividade sempre com o aval e conselhos dele.
– Ser árbitro, não é uma tarefa das mais fáceis. É difícil um jogo não ter uma polêmica aqui ou outra ali. Alguma vez, você já pensou em desistir dessa profissão?
MLH: Nunca pensei em largar a carreira. Adoro futebol, fui goleiro por muito tempo e estar inserido no futebol sempre foi um sonho, nunca desisto daquilo que quero, é um grande privilégio arbitrar grandes partidas do melhor futebol do mundo.
– O que você considera mais difícil no seu trabalho e o que te dá mais prazer?
MLH: Mais difícil, é conviver com a falta de conhecimento das regras pelos atletas e dirigentes, com a cultura da simulação do nosso futebol e com o amadorismo e irracionalidade da imprensa que contribui para o “linchamento” público dos árbitros.   Mais prazeroso, é estar inserido dentro do campo de jogo, tentando arbitrar com excelência, privilegiando o futebol limpo sempre.
– Você já foi “acusado” de torcer para diversos times (Corinthians, Flamengo, etc…). Assim como jornalista não revela o time que torce, um árbitro também guarda esse segredo a sete chaves?!
MLH: Infelizmente nossa cultura não está preparada para essa verdade, com certeza um árbitro na juventude já torceu por um time. Os dirigentes, os torcedores e a imprensa devem achar que o cidadão veio de Marte e virou árbitro. Se um dia qualquer árbitro revelar por qual time torceu, os maledicentes de plantão vão criar mil histórias. Mas penso que em alto nível não deve existir espaço para paixão clubística dos envolvidos, infelizmente muitos dirigentes e repórteres são apaixonados e irracionais.
 – Você costuma rever os jogos que apitou? Já se arrependeu de alguma marcação errada (cartão, expulsão, impedimento)?
MLH: Revejo todas as minhas partidas, e com certeza fico muito chateado quando erro, pois busco sempre a excelência, o futebol merece sempre nosso melhor, pois há muita coisa envolvida, muitas famílias dependem do futebol. Sofro muito com um equívoco.
– Um artista antes de entrar no palco, tem seu ritual. Assim como alguns jogadores de futebol. E você?! Antes de entrar em campo, tem algum ritual?

MLH: Me concentro muito, busco na internet todas as informações possíveis sobre a partida e oro muito, consagro em voz alta em oração a partida à Deus, e que seja feita Sua vontade!

 – Gostaria de agradecer a sua atenção e de fazer a última pergunta: Qual conselho você daria para quem deseja se tornar árbitro?
MLH: Busque a motivação certa na carreira, se não amar o futebol e a arbitragem estará perdendo tempo, a arbitragem em alto nível exige sacrifício e dedicação, busquem sempre a excelência, existe tempo de plantar e tempo de colher.
*Entrevista realizada por mim para o meu antigo blog – Bela da Bola. =)
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