29 de Novembro de 2017

Relato do meu Parto Normal – Pródromos

Quinta-feira, 23 de novembro de 2017: Entrei tensa no consultório da minha obstetra. Afinal, estava com 40 semanas e 4 dias e não tinha nenhum sinal da Julia. Todos os dias alguém vinha me perguntar “E aí”, coisa que me deixava ainda mais ansiosa e eu não tinha nenhuma resposta para dar. Sabia que ela viria quando o momento dela chegasse ou se minha obstetra achasse que esse tempo havia chegado. Naquele dia ela falou: Acho que a Julinha vem até o final de semana, mas se não vier, na segunda você vai direto para o hospital para a gente começar um trabalho de indução do parto.

Saí do consultório com uma mistura de sentimentos. A Julia estava perto. Alegria, ansiedade, medo, nervoso, amor e mais um milhão de coisas se misturavam dentro de mim. E no meio de todos esses sentimentos, também estava ali uma pontinha de frustração. Poxa vida! Eu que sempre quis o parto normal, será que não teria essa experiência do jeito que eu tanto desejava? Será que com uma indução seria mais ou menos a mesma coisa?

Parecendo ouvir minhas aflições, tanto o meu corpo quanto a Julinha resolveram colaborar e na madrugada daquele mesmo dia, eu acordei com uma dor enorme na barriga. Esperei um tempo para confirmar se tinha mesmo sentido alguma coisa ou se havia sonhado com aquilo, pois a dor já não estava mais ali assim que abri os olhos. Mas poucos minutos depois, mais uma dor. Era como uma cólica, mas não era. Doía a barriga e as costas. Era bem fortinha.

“Vi, será que as minhas contrações começaram? Estou sentindo uma dor diferente”

Minutos depois estava fora da cama, correndo para tomar um banho quente, pois elas ficaram mais fortes e frequentes. Começaram a entrar em ritmo. Cinco em cinco minutos, lá estavam elas. Depois de duas horas sem diminuir o ritmo e a intensidade, Vinicius ligou para o enfermeiro que nos acompanharia nessa aventura para contar o que estava acontecendo.

“Ele está vindo para cá” – avisou Vinicius e eu senti o maior frio na barriga da minha vida. Aquilo realmente estava acontecendo, eu estava em trabalho de parto.

As contrações continuaram da mesma maneira, mas no primeiro exame de toque, o enfermeiro disse que eu ainda não tinha nada de dilatação. Fiquei um pouco desanimada, mas estava feliz de já estar sentindo pelo menos alguma coisa de todas aquelas que eu queria viver, caso conseguisse o parto normal.

A sexta continuou com muitas contrações, mas todas no mesmo nível das anteriores. Fui duas vezes ao hospital – uma na sexta e a outra no sábado – fazer o exame que avaliava o coração da Julinha durante algum tempo e ele estava ótimo. Na sexta, o exame não pegou nenhuma contração – mesmo sentindo as dores o dia inteiro, na meia hora do exame elas simplesmente desapareceram. Mas no sábado o exame mostrou que elas realmente estavam ali, bem presentes, fortes, mas não estavam ritmadas.

Uma amiga muito querida falou para eu relaxar e tentar dormir, pois aqueles pareciam realmente sinais de que o trabalho de parto estava começando e que eu precisaria de muita energia quando ele de fato começasse. Segui o conselho e tentei dar uma cochilada, de certa maneira, já tinha acostumado com aquelas dores e conseguia dormir, apesar delas.

Acordei uma hora depois com uma dor mais forte. Falei para Vinicius que a intensidade tinha aumentado e começamos a ver o tempo delas e entre elas. Ritmadas e longas. Hum… Será que daquela vez era realmente verdade? Avisamos ao enfermeiro e ligamos também para a minha obstetra. Os dois ficaram contentes com aquela informação e pediram para a gente ficar em contato com eles para avisar conforme os sinais fossem evoluindo.

Sábado, 25 de novembro de 2017: Às sete da noite as minha dores já eram maiores e o tempo entre elas bem menor. Vinicius achou melhor ligar para a obstetra e para o enfermeiro. Ela pediu que fôssemos até o consultório dela, pois ela estava sem o sonar (aparelhinho para ouvir o coração do bebê) em casa e queria me examinar lá. Fiquei tensa, pois as dores estavam fortes e eu não estava conseguindo manter a pose que sempre achei que teria no trabalho de parto. Mas lá fomos nós.

Chegamos ao consultório e ela pediu para fazer o exame de toque. Confesso que mesmo com todas aquelas dores, achei que acabaria recebendo a notícia de que ainda não era o tal trabalho de parto ativo. Porque mesmo doendo, ainda não era tudo aquilo que sempre li por aí. Não eram dores horrorosas e insuportáveis. Era uma dor diferente, dor de vida.

Depois de me examinar, ela abriu um sorriso e disse: Você já está com quase 4 centímetros de dilatação. A Julinha está vindo aí.

Esqueci todas as dores e senti vontade de dançar. Aquilo realmente estava acontecendo. Eu, que sonhava viver o parto normal, teria aquela oportunidade. Saí sorrindo do consultório – como sempre!!!! – e fui para casa para finalmente viver o meu grande momento.

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Continua amanhã!

 

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