19 de Setembro de 2015

Rock in Rio – Eu Fui

Estou morta com farofa depois de voltar do primeiro dia do Rock in Rio. Valeu à pena? Pelo show do Queen, pelas emoções que senti ao estar com Vinicius mais uma vez, depois de 14 anos, assistindo shows que nos fizeram recordar o dia que estivemos lá com apenas 16 anos, pelo show do Ira, pelo Tributo ao Rock in Rio, valeu. Mas se vocês me perguntarem: Você voltaria? Eu não teria dúvidas ao responder: Só de camarote.

Bem diferente de 2001, não ficamos mais com meleca preta – alguém lembra disso? -, pois no lugar de terra e grama de verdade, o espaço é todo de cimento e grama sintética. A estrutura também é muito maior. Quando cheguei, fiquei até em dúvida se estava em um show de Rock ou em um parque de diversões, pois tinha Tirolesa, Montanha Russa, Roda Gigante e mais um desses brinquedos radicais. O espaço também me pareceu muito, muito maior. A Rock Street é uma graça e a quantidade de lojinhas e lanchonetes é infinitamente superior.

rock in rio

Foi impossível não fazer comparações e perceber como estou ficando velha. Na última vez que estivemos na Cidade do Rock, a internet estava gatinhando. Era proibido levar máquina fotográfica, pois a AOL era a patrocinadora e responsável por registrar seus momentos inesquecíveis para que você fosse obrigado a entrar na internet – discada – para buscar. Celular com máquina fotográfica? Aquilo era coisa do futuro, ninguém tinha. A gente realmente vivia o momento de corpo e alma. Só participava da festa, quem estava ali. Ontem, tudo era motivo de fotos – não tiro o corpo fora de nada disso, também sou viciada nesse novo jeito de “viver” – vídeos, áudios e compartilhamentos nas redes sociais e Whatsapp.

Mas vamos falar sobre o que realmente interessa: os shows! Chegamos ao Palco Sunset logo na hora do Ira. Eu, que sou um pouco medrosa com multidões, não tive nenhum problema em ficar bem na frente e foi ótimo. Com participações de Tony Tornado e Happin Hood o show foi dez. No intervalo, fomos conhecer o trabalho do grupo Rabo de Lagartixa, que me deixou encantada. Corremos para pegar o final do show do Lenine e quando ele ainda estava se despedindo, fogos começaram avisando que a primeira atração principal do Palco Mundo estava chegando. Naquele momento, começou a encher mais e mais.

Deu para curtir tranquilamente – ou pelo menos mais ou menos – e me divertir com todos os cantores nacionais que eu amo. Saí do chão com Jota Quest, Skank, Dinho Ouro Preto e Ivete, que sempre conseguem empolgar todo mundo. Cheguei até a me emocionar quando no final, todos eles entraram juntos no palco para cantar a música tema do Rock in Rio. Mas depois daquele show, comecei a me sentir no inferno.

rock in rio 1

Toda a facilidade de ir ao banheiro – que não eram químicos!!!!! Obrigada, Medina! – até então, desapareceu. As filas eram imensas, tão grandes que era melhor aguentar firme e pensar que faltavam apenas seis horas para voltar pra casa e conseguir fazer lá. Naquele momento, agradeci pela minha promessa de ficar um ano sem cerveja, o que colaborou para a minha bexiga não explodir. Mas era impossível aguentar a sede. Então, compramos fichinhas no Bobs, que era o maior de todos e tinham vários caixas espalhados pelo evento na esperança de uma hidratação rápida. Infelizmente, o tempo de espera para conseguir chegar na parte de retirada da sua compra e conseguir – finalmente!!! – a sua água, era de 40 minutos. Dessa maneira, acabei perdendo o show do One Republic, pois era um pouco difícil acompanhar o som que eu estava animada para ouvir de lá.

Enquanto sentávamos na grama sintética para esticar as pernas e dar um descanso para a coluna, um cara – que não era velho nem nada! Talvez dez anos a mais que eu e o Vi -, ligeiramente – ok, acho que um pouco mais que isso- bêbado, ficava perguntando para todos se aquilo não era um show de Rock de verdade, pois não tinha revolta nem manifestação. Depois da reclamação, ele tentava puxar um coro de “ei, Dilma, vai tomar caju” – um pouco diferente disso-, sem muito sucesso.

E então, com uma pontualidade que foi o ponto alto do evento, os telões anunciaram que a atração principal iria entrar no palco. Gostei muito da interpretação e da voz do Adam Lambert. Um telão no palco, mostrava a imagem ampliada do show e em uma das músicas que eu mais amo, Freddie Mercury apareceu naquele telão e eu fiquei totalmente arrepiada e emocionada, era como se ele estivesse ali. Isso aconteceu duas vezes e as duas foram de arrepiar. Eles cantaram todas as músicas mais famosas e levaram o público ao delírio em todas elas.

Até o final, eles não tinham cantado ainda “We Will Rock You” e “We Are The Champions”, quando apagaram os telões e o palco e parecia que o show havia terminado. Como tinham acabado de cantar uma música que todo mundo também conhecia e tinha sido perfeito, Vinicius achou que tinha acabado ali. Duvidei e disse “eles não podem ir embora sem cantar as duas que todo mundo está esperando”. Não deu outra, depois de minutinhos de suspense eles voltaram com elas.

Confesso que fiquei muito chateada por não ter aproveitado aquele show tão especial de corpo e alma. Além de todas as dores nos pés e na coluna, minha bexiga não me deixou esquecer dela. E entre a vontade de ouvir mais e mais do Queen, tinha que me concentrar na minha capacidade de pedir para que meu corpo aguentasse firme. Foi difícil!

Não sei se estou velha, chata ou sei lá o quê! Mas só volto ao Rock in Rio se for ficar no conforto de um camarote, com água e banheiro acessíveis. Talvez, se fosse em 85, não me importaria com a lama nem com a falta de tudo que senti ontem. Mas em uma multidão tão vazia, tão sem ideologias, preocupados com o melhor ângulo do selfie – inclusive eu!!! Oh, céus! O que aconteceu com a gente? -, com a lama do Rock in Rio de 85 sendo vendida a 185 reais na loja de produtos oficiais, com um chopp custando dez e um copinho de macarrão no Espoleto com um Gatorade saindo por quase 40 reais, prefiro não repetir a dose. E vocês? O que acharam da festa do Rock?

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