17 de Setembro de 2015

À procura de Audrey – Resenha

Que eu amo a Sophie Kinsella, não é segredo para ninguém. Acho que não existe um livro dela que eu tenha achado mais ou menos. Todos são maravilhosos e me deixam com vontade de ficar o dia inteiro lendo e só parar quando acabar. Não consegui nem foto nem autógrafo com ela nessa Bienal, mas só de olhar aquele rostinho autografando, já me deixou emocionada. É tão legal a gente poder olhar e descobrir quem é a pessoa que consegue tirar da cabeça histórias que nos deixam apaixonadas, né? Foi assim com a Sophie, não sabia muito bem como ela era – sempre a imagino como a atriz de Becky Bloom – e ver seu rosto e lembrar de todas as história – sim, já li todos os livros que ela escreveu! – é incrível! Senti uma vontade enorme de agradecer a ela por tantas risadas, lágrimas e reflexões que cada uma das personagens me proporcionaram, pena que não foi possível.

Sophie Kinsella

Quando vi que mais dois livros seriam lançados praticamente ao mesmo tempo, comecei a comemorar. O primeiro, Becky Bloom em Hollywood, foi publicado um mês depois de À Procura de Audrey e é o próximo da minha lista. Confesso que quando li a sinopse desse Young Adult da Sophie, fiquei em dúvida sobre a história. Seria o primeiro livro dela que eu não gostaria tanto? Que bobeira a minha! Claro que não!

O tema é mais sério que os outros livros, mas ainda assim a Sophie sabe trabalhar de um jeito que amarra a gente já na primeira cena. A personagem tem um problema sério, que muitas pessoas vivem atualmente, uma mistura de depressão, síndrome do pânico e fobia social. Conforme a história vai se desenvolvendo, vamos nos tornando mais e mais próximos da personagem. Audrey é uma menina cativante e senti uma vontade enorme de ser sua amiga. A mãe dela me lembrou bastante a mãe da personagem do meu livro – Ah, o verão! – com todas as loucuras e amores da maior parte das mães de adolescentes. Ela é aquela pessoa que quer proteger demais e que tenta entender um mundo que não é tão óbvio para ela, cheio de tecnologias e problemas dessa nova geração que já nasceu conectada.

Quando Linus – amigo do irmão da Audrey – aparece, nosso coração começa a se derreter ainda mais e vamos ficando ansiosos para saber se ele vai ou não conseguir ajudar a menina a sair daquela caverna que ela se esconde em sua própria casa.

“Quando digo as coisas para a terapeuta, é como se eu mesma as tivesse ouvindo pela primeira vez, então tudo se torna real de súbito.”

O livro é tão próximo do que sentimos, de sensações que experimentamos mesmo sem viver um grande trauma ou um transtorno psicológico tão grave quanto o da Audrey, que faz com que a gente reflita a cada nova descoberta da personagem. Cada vitória, por menor que seja, é uma vibração também para o leitor. Uma maneira de acreditar que nossos problemas também sempre terão soluções.

Fiquei encantada ao ver os avanços da protagonista e suas vontades de sair daquela situação que deve ser tão torturante quanto ficar presa por obrigação. De certa maneira, é isso o que acontece com quem passa por um problema assim – ou pelo menos é o que eu imagino – a vontade de sair daquele estado de pânico existe, o corpo quer passear, voltar a ver os amigos, mas a mente aprisiona. Já tive amigos que sofreram muitos anos, sem nem conseguir sair de casa e foi uma alegria para mim – imagino o alívio que foi para eles – quando venceram aquela doença.

A primeira grande conquista da Audrey – que não vou dizer qual é para não dar spoiler – me fez pensar também em todas as vezes que venci meus pequenos medos e vergonhas. A gente chega a sentir o coração quente e uma vibração enorme dentro do corpo, a sensação de que conseguimos vencer uma barreira e não deixamos que algo atrapalhasse o nosso objetivo, que era o foco do momento. Isso é espetacular.

Confesso que apesar de ter amado, senti falta de algumas coisas no livro. A gente não descobre o que aconteceu na escola da menina para ter gerado o grande trauma, também não termina com um “grand finale”. É um livro legal, mas totalmente diferente de todos que a Sophie escreveu até hoje. E se eu pudesse escolher, gosto mais das personagens totalmente bem humoradas e doidinhas da autora. Esse livro mais sério nos faz pensar, é muito bem escrito, mas não nos deixa tão apaixonadas quanto acontece com todos os outros dela.

São tantas citações legais, que renderam uma postagem enorme! Confiram aqui.

E vocês, o que acharam?

Veja mais posts sobreA Procura de Audrey livros opinião resenha Sophie Kinsella
17 de Setembro de 2015

À Procura de Audrey – Citações

Já leram o livro? O que acharam? Essas foram as citações que mais gostei:

“As pessoas equiparam “ter senso de humor” a ser um idiota insensível'”

“E “conhecimento é poder”, segundo Kofi Annan.”

“A primeira pergunta que fazem quando se chega não é “o que está sentindo?”, mas “tem plano de saúde?” – aqui não é nem um pouco diferente, não é verdade?

“a maioria das pessoas subestima os olhos. Para começo de conversa, são poderosos. Têm grande alcance. Você os foca em alguém a 30 metros de distância, em meio a um mar de gente, e a pessoa sabe que está sendo observada. Que outra parte da anatomia humana é capaz de fazer isso? É praticamente o mesmo que ser um médium, é isso. Mas são como vórtices também. Infinitos. Ao olhar para alguém diretamente nos olhos, sua alma inteira pode ser sugada em um nanossegundo. É a sensação que dá. Os olhos dos outros são ilimitados, e isso me assusta.” – sempre foi o que mais admirei em uma pessoa, principalmente aqueles que têm a capacidade de te encarar enquanto conversa.

livros

“Não fazemos ideia de quanta gente há no mundo até começarmos a morrer de medo delas.”

“Fica a dica para todos os professores que estiverem lendo isto (ou seja, nenhum, provavelmente): tentem não exibir a garota que se encolhe sempre que alguém olha para ela. Porque não ajuda muito. Além disso, também não é de grande ajuda falar de modo que uma turma inteira possa ouvir: “Ela é a grande esperança do grupo deste ano, tão talentosa.” Quem quer ser a grande esperança? Quem quer ser “tão talentoso”? Quem quer que o restante dos colegas de turma revirem os olhos como se fossem punhais? Assim, não culpo esses professores. Estou apenas dizendo.”

“Não temos que revelar tudo um ao outro. É outra coisa que aprendi na terapia: não tem problema ser reservado. Tudo bem dizer não. Tudo bem dizer: “não vou compartilhar isso”.”

“Falam de ‘linguagem corporal’, como se fosse igual para todo mundo. Contudo, cada um tem seu dialeto próprio.”

“Acontece que parar no meio de uma frase é a pior coisa que as pessoas podem fazer. É, tipo, um comportamento totalmente passivo-agressivo, pois não se pode rebater ou reclamar do que foi dito. Tudo o que se pode fazer é rebater o que se acha que estavam para dizer. E depois as pessoas negam.”

“Quando digo as coisas para a terapeuta, é como se eu mesma as tivesse ouvindo pela primeira vez, então tudo se torna real de súbito.”

“A maioria das pessoas anda por aí absorta nos próprios mundinhos, de qualquer forma”.

“Olho no Olho. É a conexão mais poderosa do mundo”.

“A vida é tipo uma escalada: você cai e se levanta de novo. Então não importa se der uma escorregada. Contanto que esteja mais ou menos caminhando para cima. Isso é tudo que se pode esperar. Seguir mais ou menos para cima.”

Veja mais posts sobre A Procura de Audrey citações livros sophie kinsela Sophie Kinsella