29 de Abril de 2017

Fed Up – Todos precisam assistir esse documentário na Netflix

Não sei nem como começar a falar sobre Fed Up. Essa semana, uma amiga minha (obrigada, Suzane!) escreveu no Facebook dela a dica sobre esse documentário. Como estou cada vez mais interessada no tema “reeducação alimentar”, resolvi dar uma olhada e acho que todos deveriam fazer o mesmo.

Fed Up procura mostrar as causas da obesidade infantil nos Estados Unidos, mas as informações presentes no documentário são maravilhosas para todas as pessoas do mundo inteiro. Maravilhosas e assustadoras. É claro que muitas coisas nós já ouvimos falar e até mesmo temos consciência do que faz bem e do que faz mal, mas ainda assim nunca é demais ouvir esse tipo de coisa, pois muitas delas nós continuamos consumindo, mesmo sabendo que está prejudicando nossa saúde.

Recentemente eu fiz um exame de sangue – coisa que eu não fazia há bastante tempo – e descobri que a minha glicose estava dentro do “ideal”, mas bem no limite. Confesso que se for apenas pela perda de peso, não tenho tanto foco e determinação quanto pelo medo. E o medo de deixar a glicose aumentar, me fez querer mudar toda a minha alimentação.

Em Fed Up eu descobri que muitos alimentos escrevem “baixo teor de gordura”, “50% menos calorias” e a gente vai acreditando naquelas propagandas dos rótulos e vamos nos enganando, achando que estamos comendo coisas mais saudáveis. Isso acontecia comigo com o Toddy. Sim, sou viciada em achocolatado e desde que criaram o light, eu achava que estava maravilhosamente bem com o meu Toddy azul. No documentário eles explicam que muitas vezes o “menos calorias” faz aumentar a quantidade de açúcar dos produtos. Se tem menos gordura, para não perder o sabor eles adicionam mais açúcar ou mais alguma outra coisa que faz tão mal quanto as calorias que “são menores” na versão “mais saudável”.

Há menos de um mês, logo depois do resultado do meu exame de sangue, corri para uma nutricionista e passei a me alimentar MUITO melhor. Cortei açúcar, alimentos processados, massa, pão branco e várias outras coisas que eu praticamente comia todos os dias. Minhas refeições passaram a ser muito mais equilibradas, com legumes e verduras – que eu não comia nunca -, proteína e carboidrato. Passei a comer mais frutas e não tomo mais sucos. O resultado? Em menos de 30 dias tenho menos 5 quilos na balança. Espero que no próximo exame a minha glicose continue ideal, mas bem mais longe do limite recomendável como saudável.

É engraçado como nossa cabeça muda dependendo das circunstâncias – pelo menos é assim comigo. Se fosse pela perda de peso – que eu também preciso -, acho que continuaria sem me preocupar tanto com o que estou comendo. Mas quando a história vira para a saúde, tudo muda. E depois de Fed Up a vontade de eliminar de uma vez qualquer coisa que não seja comida de verdade da minha casa, é enorme.

No documentário, eles falam como os americanos alimentam mal as crianças e como estão criando uma geração que irá viver menos tempo que os pais. Isso acontece muito por aqui também – não tanto quanto lá, pois em Fed Up eu cheguei a ficar assustada com o absurdo que é a alimentação nas escolas públicas. Mas sempre vejo que amigas minhas que decidem não dar doces para seus filhos o quanto puderem evitar, são criticadas por outras pessoas que ficam falando “tadinha da criança, está perdendo tanta coisa boa…”. Sério, gente! Que mundo é esse?

Eu só fui comer pão, cachorro quente, hambúrguer, pizza que tivesse qualquer outro ingrediente além do queijo, italiano, salgadinhos… Depois de 17 anos. Antes de experimentar todas essas “porcarias deliciosas”, não sentia a menor falta de nada disso, pois nunca tinha comido e não tinha nem vontade de provar. Fui experimentar pão pela primeira vez, depois que comecei a namorar e Vinicius insistia para eu comer cachorro quente. Talvez seja por isso que meu colesterol nunca foi alto e meus triglicerídios também estão ideais.

Por que criticar pessoas que escolhem uma alimentação saudável? Quem critica o lanche que a Bela Gil manda para os filhos na escola, deve mandar para os seus bolinhos de pacote, sucos de caixinha, biscoitos recheados e por aí vai. Veneno e mais veneno. E o pior. Assim como é mostrado em Fed Up, muitos pais acreditam que não estão fazendo mal para os seus filhos, pois nas embalagens dos produtos vem a tal da enganação do “mais saudável, menos gordura”. Esses dias mesmo uma amiga minha deu esse exemplo no Facebook:

Como nutricionista e bem ligada em saúde, a Chris Bin ainda deu uma explicação no Facebook para quem acredita em embalagens como essa: “Olha o que eu achei nas Lojas Americanas!!! Juro que isso entristece meu coração, pois sei que tem muita gente que compra achando que realmente está fazendo algo de bom pelo filho… O mesmo fandangos, ainda com glutamato monossodico, conservantes, aromatizantes, cheio de sódio, porém com um pouquinho de farinha de milho integral!
Eles tentam nos enganar em todo o tempo! Não é porque é integral, ou não tem gluten, ou é diet etc, que é saudável! Precisamos estar atentos aos rótulos sempre!!!”

É claro que eu não vou eliminar de uma vez por todas da minha vida salgadinhos, cachorro quente e por aí vai. Mas com toda certeza do mundo, pela minha saúde e pelo conhecimento que espero buscar cada vez mais em livros, artigos e documentários como o Fed Up, espero reduzir ao máximo o consumo desse tipo de “alimento” e deixar para comer uma vez ou outra, quando for quase inevitável. Aprender a comer bem não é ruim, muito pelo contrário. A gente vai descobrindo que existem coisas gostosas e que são saudáveis para diversas funções do organismo. Isso é a melhor coisa do mundo. O corpo agradece e a saúde também.



17 de Fevereiro de 2016

O prazer de comer bem

Se olhar a linha do tempo da minha vida existem duas Fernanda – a de antes de conhecer Vinicius e a que veio depois dele. Além de colorir os meus dias, de fazer de mim uma pessoa mais apaixonada, ele também abriu o mundo da gastronomia para mim e me ensinou a comer bem. Na primeira fase do nosso namoro foram coisas simples, depois do nosso reencontro e do casamento, foram muitos novos sabores.

Conheci Vinicius com 15 anos, naquela época se existia uma pessoa chata para comer ela se chamava Fernanda. E isso vinha desde pequena, tanto que quando eu estava com uns oito anos, minha mãe me levou ao médico para reclamar da minha chatice na hora das refeições. Lembro como se fosse ontem dele falando: “Não faça mais dois cardápios na casa de vocês, ela precisa aprender a comer de tudo”. Seguindo as ordens médicas, perdi meus pratos favoritos e passei a ser obrigada a experimentar legumes e verduras que me faziam sentir vontade de vomitar só de cheirar. Resultado? Me trancava no meu quarto, fingia que almoçava, mas jogava toda a comida pela janela – e além de ser um desperdício, era uma falta de noção sem tamanho, pois tudo caía no play. Depois da traquinagem, saía sorridente e exibia o “prato limpo”para minha mãe. Não demorou muito para que uma carta chegasse na nossa casa revelando a minha “esperteza” e para que as ordens médicas fossem para o espaço com minha mãe preocupada com a minha desnutrição.

contra-file-grelhado

Quando conheci Vinicius eu não comia pão, as pizzas só podiam ser de muzzarela sem nenhum outro recheio e eu não experimentava nenhuma das guloseimas que todos os adolescentes amavam. Por conta disso, eu era extremamente magra. Quando vejo as minhas fotos do passado, só enxergo cabeça.

Durante os cinco anos de namoro, acabei não resistindo a tanta insistência para que eu provasse um italiano (joelho para quem é do Rio), cachorro quente e pizzas de outros sabores. Lembro que a cada nova mordida eu ficava pensando quanto tempo tinha perdido sem gostar daquelas coisas. Como posso ter vivido 16 anos sem comer um pão?

Apesar de provar algumas dessas delícias, continuei sendo enjoadinha e deixando outras tantas de fora com o famoso “não gosto”, mesmo que nunca tivesse nem experimentado. Lasanha? Blerghhhh! Hambúrguer? Nem pensar! Legumes e verduras? Nem que a vaca tussa!

Gruta de Santo Antônio hamburguer

E aí, já sem Vinicius surgiu o japonês. Vários amigos gostavam e eu ficava olhando com nojo, imaginando como aquelas pessoas tinham coragem de colocar aquele peixe crú na boca. Não podia nem olhar que já sentia o estômago ficar embrulhado. Até para o vinho eu torcia o nariz.

Mas um dia tudo isso mudou.

A primeira mudança veio com o vinho, como eu contei aqui! Depois que passei a apreciar e amar essa bebida, comecei a sentir necessidade de provar outros sabores para acompanhar cada uma daquelas novas uvas. E assim o meu paladar foi mudando e eu fui gostando cada vez mais de experimentar novos temperos e pratos.

Me divertindo com o chef Alexandre Henriques com o King Crab

Me divertindo com o chef Alexandre Henriques com o King Crab

Quando eu e Vinicius casamos eu mudei de vez. Por algum motivo inexplicável – obrigada ao santo gordinho dos maridos cozinheiros!!! – Vi decidiu que gostava de testar receitas e eu, que antes de casar dizia que aprenderia a cozinhar de tudo, aposentei o avental que nem cheguei a usar e passei o bastão para que ele assumisse a cozinha, nossa kitchenaid e as Le Creusets que eu tanto queria para cozinhar.

Depois disso, eu provo absolutamente tudo. E se não gostei, provo de novo em outra receita. Acho que a única coisa que não desce mesmo de jeito nenhum é a azeitona. Tirando aquela bolinha, não torço mais o nariz para nenhuma outra comida.

vinhos

Acho que provar novos sabores é quase como fazer uma viagem para conhecer um novo lugar. Acompanhado de um vinho então… Hummmmmm! Faz tudo ficar ainda mais perfeito! Não sejam bobos como eu fui durante tantos anos. Experimentem, degustem e tragam mais temperos para a vida de vocês.

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