26 de Junho de 2017

Diário da Gravidez – Mudei e agora?

Desde que engravidei passei por uma mudança muito grande – mais de comportamento do que de corpo, por enquanto – e isso me assustou. Sempre fui uma pessoa muito ativa, que gosta de sair, de encontrar amigos, de passar horas conversando sobre qualquer coisa em algum lugar. Mas desde que eu soube que tinha conseguido engravidar, as prioridades mudaram completamente.

Estava achando que isso não era normal. Tanto que nem comentei sobre isso com ninguém. Comecei a tentar descobrir sozinha o que estava acontecendo comigo. Primeiro, achei que era por não estar “no mesmo clima” do restante dos meus amigos. Afinal, sempre saíamos para barzinhos e churrascos. Sim, eu adoro uma cervejinha. E passei a achar que o fato de não poder beber junto com eles, era o que me deixava sem vontade de estar tão presente quanto antes.

Mas isso não é muito verdade. Pois mesmo se o ponto de encontro for outro, até um passeio com as amigas, ou uma conversa na casa de alguma delas… Não está sendo algo que me deixa louca para participar como eu sempre gostei.

E foi então que nesse final de semana eu parei de me sentir estranha. Minha mãe me deu de presente o livro Agora que sou mãe, da Flávia Calina. E ali, logo nos primeiros capítulos, ela descreveu exatamente a mesma sensação que faz parte de mim agora. A Flávia disse que também sempre amou sair, mas que a gravidez fez com que ela sentisse uma vontade muito maior de estar em casa. E naquele instante eu percebi que essa mudança pode ser completamente normal.

Tenho curtido arrumar mais a casa, cuidar do nosso cantinho, procurar as coisas que quero para a Julinha e para o quarto dela. Também tenho aproveitado para ler mais, assistir mais filmes… Fazer tudo o que me faz muito bem e que vou precisar ficar algum tempo sem ter tanto tempo para fazer. Pois depois que ela nascer, nos primeiros meses, a atenção e cuidados serão todos dela.

Percebi que a minha mudança além de natural, indica também que as minhas prioridades são outras. É claro que continuo e sempre vou continuar amando os meus amigos. Mas agora, tenho uma pessoinha muito mais especial dentro de mim e quero estar cada vez mais preparada psicologicamente e fisicamente para a chegada dela. Sair à noite, estar presente nos eventos mais legais, sair todo final de semana já não são mais as coisas mais importantes da minha vida. Tenho algo muito maior para me dedicar.

Confesso que de estranha passei a me sentir mais madura. Lendo a Flavinha e entendendo que não estou sozinha nessa mudança de comportamento, percebi que essa transformação é porque eu estou curtindo e querendo cada vez mais ser uma mãe mais preparada e melhor. Mais do que os laços de amizade que eu dou tanto valor, os laços familiares são os que eu mais estou envolvida. Estar com Vinicius, com a Valentina – nossa buldoguinha linda -, na nossa casa… É como estar no melhor lugar do mundo nesse momento. É como eu me sinto totalmente plena, bem e feliz. No livro, a Flávia diz que muitos especialistas dizem que as grávidas passam por um período de “nesting”, que em português seria uma fase de arrumar o ninho. E eu acredito que seja exatamente esse o momento que estou vivendo. Quero cuidar cada vez mais do nosso cantinho, curtir os momentos só nossos, criar um ambiente ainda mais aconchegante para todos nós.

Que bom que eu mudei. E como é ótimo descobrir que essas mudanças são normais e acontecem com várias outras pessoas. Como a gravidez é um período de muita confusão sentimental e hormonal, descobrir que não estamos sozinhas com o que acontece de diferente na nossa cabeça, corpo e coração é acolhedor. Vou seguir arrumando o nosso ninho e curtindo essa fase menos baladeira e mais sossegada. Como diria a música do meu querido João Suplicy:

“Banquei a maior aventura
Da vida

E agora
Eu quero calma
Caseiro
De corpo e alma
Chinelo, tv e no berço um bebê
Chorando a alegria de um novo viver

Viver
Com a escolhida
Enfim
Eu tenho a vida
Que um filho de Deus possa querer
Eu tive o prazer de ser um dos seus

Aos meus camaradas
Eu agradeço
As noites de boêmia
Deixo saudades, um abraço e um beijo
Àqueles que um dia já foram
A minha família”

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13 de Junho de 2017

“Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”

Nesse final de semana eu infelizmente ouvi a frase: “Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”. No instante que ouvi aquilo, sofri. Não por aquela mulher, pelos filhos pequenos que contaram aquilo rindo ou pelo marido que parecia “ter se livrado” de quem deixava a casa fora de ordem. Mas sofri imaginando o que o cachorrinho sentiu ao ser “doado” para outra pessoa. A nova casa poderia ser maior, os novos donos cheios de amor, mas tenho certeza que o bichinho sofreu.

Aquilo ficou tão doído dentro de mim que na mesma noite eu tive um pesadelo. Sonhei que tinha dado a Valentina, pois ela era muito levada e no lugar peguei um lulu da pomerânia bem adestrado e que sabia fazer tudo no lugar certo. No pesadelo mesmo eu me arrependia e começava a chorar. Dizia para Vinicius que o cachorrinho novo era fofo e educado, mas não era a Valentina. Comecei a pensar no que ela estava sentindo, se estava olhando a porta da casa nova esperando a hora que a gente ia aparecer e o que estava fazendo naquele momento. Acordei angustiada. Olhei para a ponta da cama e encontrei a Valentina nos meus pés, com a cabecinha encostada em mim, como ela faz toda a noite e senti um alívio tão grande… Só de lembrar de tudo isso, já sinto vontade de chorar.

Ainda era de madrugada, puxei a Valentina para cima, agarrei, dei beijo… Ela toda sonolenta, nem entendeu nada do que estava acontecendo. Eu agradeci muito por ter ela bem ali do meu ladinho e pedi muito para que eu possa ter essa felicidade por muitos anos das nossas vidas.

Já falei algumas vezes sobre isso por aqui, mas acho muito estranho a falta de amor das pessoas. Muitos olham um cachorrinho como um entretenimento para a casa e não como um novo integrante da família. “É só um cachorro” é uma das frases que mais me irrita no mundo. Pois parece que os bichinhos não possuem sentimento, não sofrem  com a nossa ausência ou não nos amam como se fôssemos as pessoas mais importantes do mundo inteiro.

Dói muito em mim quando vejo um cachorrinho abandonado, quando escuto relatos tão despreocupados do tipo “dei meu cachorro pois…”. Não existe pois, não existe motivo para isso. É cruel. Você que faz isso provavelmente não sabe o que é amor, mas infelizmente o seu bichinho sabe e fica sem entender o que aconteceu quando você simplesmente não apareceu mais.

Só compre ou adote um cachorro se você realmente estiver preparado para isso. Eles não são enfeites de casa, entretenimento para te distrair quando você estiver cansado de ficar sozinho ou precisando relaxar a cabeça. Eles podem fazer as necessidades fora do lugar, podem roer móveis, podem latir e tantas outras coisas mais. Eles vão te prender mais em casa, vão querer que você jogue bolinhas muitas horas por dia, vão querer sua atenção. Só tenha um cachorro se você estiver pronto para se doar. Os bichinhos já vivem poucos anos e se você não estiver pronto para transformar esses anos nos melhores das vidas de vocês dois, deixe que o cachorrinho vá para outra família que esteja preparada e pronta para isso.

Desde que engravidei, já ouvi de diversas pessoas: O que você vai fazer com a Valentina quando a Julia chegar? Vou fazer o mesmo que sempre fiz nesse um ano e meio que ela está com a gente – Amar muiiiiito!!!! E ela vai ter mais uma pessoa para ela amar e que vai ser completamente apaixonada por ela. É claro que sei que no início não vai ser tão fácil, mas a gente vai dando um jeito. Não me livraria de Vinicius porque ele ronca, não vou dar a Valentina porque ela pode latir. Ela não vai ser deixada de lado porque tem um bebê chegando… Ela vai ser tão parte da nossa família como sempre foi. Sempre juntos. A diferença é que no lugar de três, seremos quatro. Com as dificuldades e as alegrias de ter um cachorrinho e um neném nas nossas vidas.

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